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quinta-feira, 7 de setembro de 2017
Independência, quão bom seria!
sexta-feira, 25 de agosto de 2017
IN MEMORIAM A DOM LUCIANO, ONZE ANOS PASSADOS
Margarida Drumond de Assis
“No mais profundo da consciência, nunca senti o vazio nem a escuridão. Deus sempre estava presente, confidente de todas as horas, sustentando a esperança e dando a paz”. É com este pensamento de Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida que, hoje, passados onze anos de seu falecimento, 27 de agosto de 2006, o reverencio in memoriam. São mais de dez anos transcorridos, desde o sentido Adeus de toda uma multidão de fiéis se espremendo em Mariana, na amada Minas Gerais, solo no qual permaneceu Dom Luciano testemunhando essa consciência de quem nunca sentia o vazio nem a escuridão, pois tinha por confidente o próprio Deus. Todos tinham naquele terceiro dia de suas exéquias - o caixão sendo levado para o interior da Catedral Basílica Nossa Senhora da Assunção - um só desejo: vê-lo uma última vez e agradecer por sua bonita presença entre nós. Por aquela sua extrema identidade com o Pai, que lhe sustentava a esperança e a paz, Dom Luciano “foi a prova de que o amor tem nome, tem rosto, o amor tem coração”, conforme destaquei de Pe. Júlio Lancelotti, na Introdução de Dom Luciano, especial dom de Deus (pág. 32). Sem dúvida era ele “imagem bonita de Deus”.
Agora, neste recordar e vendo as páginas que sobre ele escrevi, trago um fragmento de Antônia AccarinoMucciolo, a leiga Toninha, parte de um dos muitos testemunhos sobre esse sacerdote e arcebispo que viveu a santidade, radicalmente, entregando-se à Igreja e ao marginalizado, notadamente aos pobres. “(...) Os pobres o procuravam nas dificuldades para comprar o gás, no pagamento das contas de luz, água, nas necessidades de dinheiro... e Dom Luciano os ouvia no que necessitassem... Às vezes os pobres seguravam a porta da casa, impedindo-o de sair ou de entrar; às vezes iam parafrente da casa dele, e Dom Luciano os atendia... Havia inclusive um homem que, perdendo a referência de onde encontrar Dom Luciano – se em Mariana ou em Brasília – mas sabendo que ele era o Presidente da CNBB, ia para Itaici. Quando Dom Luciano chegava, ele já estava lá (...)”. Por que assim agiam os pobres de Dom Luciano, por que tanta confiança nele? É que o saudoso jesuíta realmente era para eles como que um pai, nele viam a humildade e a bondade, pois de fato a prática do lema episcopal escolhido quando da ordenação, era testemunhado radicalmente. Dom Luciano vivia mesmo“em nome de Jesus”. Por sua vida, mostrava o seu fascínio por Jesus Cristo, em nome de quem percorreu os 59 anos de sua vida eclesial, desde a sua entrada no Noviciado.
Então, quando temos o 11º ano do falecimento desse seguidor do Mestre e que todo o tempo e em todo lugar, principalmente entre os membros do clero é lembrado com respeito e admiração, cumpre-nos fazer-lhe memória. Devemos nos lembrar de Dom Luciano Mendes de Almeida, ainda mais hoje quando tantos bárbaros acontecimentos se dão, seja em nosso país ou mundo afora. São mortes incontáveis, devido a incompreensíveis atentados; o crescer da pobreza com a prática de insensatas ações daqueles que, no Poder, deveriam agir pelo bem do povo e da nação; são mazelas sociais diversas minando a esperança.
Assim, exemplos de vida de alguém que irradiava bondade, confiança e paz, como bem o fazia Dom Luciano, devem estar sempre em nossa mente e coração, como um sinal de esperança. Como ele, cada pessoa, a seu modo e lugar, pode e deve se constituir em sinal de esperança. Sem ela, como sobreviver a humanidade? É imperioso crer num mundo sem guerras, violência e fome. A esperança não teria lugar se o tempo se detivesse, mas a possibilidade de uma brecha no amanhã, com mais solidariedade e sensatez no agir de todos, a semente lançada por Dom Luciano pode sempre florescer.
Brasília, 25 de agosto de 2017
Margarida Drumond é professora, jornalista e escritora de vários livros, dentre eles Padre Antônio de Urucânia, a sua bênção. A caminho, “Eu já nasci padre!”, sobre Padre Abdala Jorge, cuja pré-edição já se iniciou.
(61) 99252-5916 margaridadrumond@gmail.comwww.margaridadrumond.vai.la
quarta-feira, 23 de agosto de 2017
O REI DA COMÉDIA E O CLÁSSICO DOS BORDÕES, O VAZIO
Margarida Drumond de Assis
Nesses dias, perdemos dois grandes nomes do mundo artístico, muito especialmente especiais nomes de destaque na Comédia: faleceu no dia 17 de agosto, Rio de Janeiro, vítima de câncer no estômago, o ator, compositore roteirista carioca, Paulo Silvino, de 78 anos, consagrado por seus trabalhos durante mais de cinco décadas na televisão brasileira e por suas atuações no cinema; e no dia 20, em Las Vegas, Nevada - Estados Unidos, de causas naturais aos 91 anos, o comediante, roteirista, produtor, diretor e cantor norte-americano Jerry Lewis. Cada um em sua peculiaridade, atraiu a atenção e marcou seu espaço, deixou sua mensagem, sua garra, seu amor à vida.
Paulo Ricardo Campos Silvino (27.7.1939) era filho de pessoas do meio artístico - o comediante Silvério Silvino Neto e a pianista e professora Noêmia Campos Silvino. Cresceu sob as influências de ambos que o incentivaram na vida artística, como grande humorista e também com o dom musical, herdado de sua mãe; osbastidores da Rádio e do Teatro eram seu espaço. Foi casado com Diva Plácido com quem teve os filhos, Isabela, João Paulo e o ator e cantor Flávio Silvino. De suas várias atuações, muito se destacou interpretando personagens com bordões, como o do policial Fonseca, quando contracenava com Jô Soares,“Guenta, doutor, ele gueeeenta!”, e do porteiro Severino, no programa Zorra Total, com o “Cara, crachá! Cara, crachá!"; e no cinema, estreou em 1958 na comédia Sherlock de Araque.
Jerry Lewis, nome artístico de Joseph Levitch(16.3.1926), era filho da pianista Rachel Rae Levitch e do ator Daniel Levitch, artisticamente conhecido como Danny Lewis. Nosso consagrado Lewis primeiro foi casado com Patti Palmer, com ela teve seis filhos homens; depois, com SanDee Pitnick, e tiveram uma filha. Ainda aos cinco anos estreou como artista em Irvington, em Nova Jersey, prosseguindo na área do entretenimento até que conheceu Dean Martin, outro artista norte-americano de grande influência no século 20, no mundo da música, cinema e na televisão. Juntos, Dean fazendo o correto, e Lewis, o palhaço, estrearam em 1946 o show “Martin e Lewis”, em Atlanti City, sendo a aparição dos dois no cinema, em 1949, em “My friend Irma”. Ao todo foram dezesseis filmes juntos, até que em 1956 o Rei da Comédia, como se destacava Lewis, passou à carreira solo, ele permanecendo na Paramount pelos dez anos seguintes; em seguida, foi contratado pela Columbia Pictures.
Lewis, um dos maiores comediantes de todo omundo, foi grandemente conhecido pelos filmes, no gênero da comédia cinematográfica, com motivos de riso fácil, o dito humor “pastelão”. Neste estilo, consagraram-se também Charles Chaplin, “O Gordo e o Magro” e “Os três Patetas” e, entre nós, “Os Trapalhões”. Das comédias mais conhecidas de Jerry Lewis, dentre outras, estão “Os malucos do ar”, 1952; nos anos seguintes, os filmes “Ou vai ou racha” e “Bancando a ama-seca”; e conquistando maior público, ainda, “O professor aloprado”e “Errado pra cachorro”, 1963. Neste último, Lewis é sempre lembrado com a magistral cena onde o vemos datilografando uma máquina de escrever que só existe nos planos da imaginação.
Seguiram-se os anos, e o artista que, outrora, com o amigo Dean Martin tanto se apresentara em casas de shows e programas de rádio, com quem teve aparições na televisão e nos filmes em que atuaram juntos, viu sua carreira declinar com histórias cinematográficas que atraíram pouca bilheteria; passou a professor universitário em Los Angeles, sendo um dos seus alunos Steven Spielberg. Em 1972, protagonizou e dirigiu “The Day theclown Cried”, filme sobre o drama do nazismo, mas que não chegou às telas, e Lewis mais tarde alegaria esse fato a não haver gostado do resultado final da película. De seus últimos trabalhos na tela, pudemos vê-lo como camareiro, com Leandro Hassum e Camila Morgado, “Até que a sorte nos separe 2”.
Genial astro da comédia, Jerry Lewis foi por diversas vezes indicado a premiações, e em várias delas alcançou, ao longo de décadas, o merecido reconhecimento, o que aconteceu também neste milênio, como em 2009, quando foi ganhador do “Jean Hersholt Humanitarian Award”, no 81º Academy Award, prestigiado pelos seus 50 anos de trabalho humanitário, o “Jerry Lewis MDA Telethon”, a partir do qual dava assistência a doentes vítimas de distrofia muscular, trabalho pelo qual foi indicado também ao Prêmio Nobel da Paz.
E quem sabe você esteja se lembrando da famosa Calçada da Fama: teria o ilustre Jerry Lewis sua homenagem também naquele relevante espaço de Hollywood? E de fato lá estão duas estrelas que o distinguem, e não poderia ser diferente, ator brilhante que ele foi e também um dos maiores diretores de todos os tempos: uma das estrelas se deve à sua atuação no cinema, e a outra, pelo que fez na televisão.
Agora, aos 91 anos de vida e no cumprimento de sua missão, vencidos todos os males que o deixaram com a saúde debilitada, durante anos, Jerry Lewis deixa-nos seu legado, e como muitos se manifestaram, nesses dias pelo seu passamento, será lembrado com saudade e respeito,pessoa querida e profissional aguerrido que foi.
Brasília, 23 de agosto de 2017.
Margarida Drumond é professora, jornalista e escritora de vários livros, dentre eles Dom Lara: vida de amor, testemunho de caridade, Em andamento, “Eu já nasci padre!”, sobre Padre Abdala Jorge, cuja pré-edição já se iniciou.
(61) 99252-5916 margaridadrumond@gmail.comwww.margaridadrumond.vai.la
domingo, 13 de agosto de 2017
EUA E COREIA DO NORTE, O RISCO ATÔMICO
Margarida Drumond de Assis
O que me traz hoje ao seu encontro não são os temas que tanto nos atemorizam em nosso quadrado: o caos no país devido a uma educação e saúde muito debilitadas e a segurança pública falida. Neste caso, basta lembrar o Plano Nacional de Segurança Pública presente no Rio de Janeiro, onde, só neste ano, para dar um panorama da gravidade vivida lá, já foram mortos mais de cem policiais. Também não me atenho hoje à crítica situação pela presente corrupção que assola a vida dos nossos poderes, principalmente o Executivo e Legislativo, quando sabemos das artimanhas que levaram a oposição a perder para o Governo e vermos o processo contra o presidente Michel Temer ser arquivado; ou o rombo nas contas da União, que, neste ano, deverá chegar a R$ 159 bilhões, conforme anunciado por economistas. O que me impele, aqui, é o grave e crítico momento no cenário internacional, conforme têm denunciado as acusações entre Coreia do Norte e Estados Unidos, com o risco de sermos surpreendidos com incontável numero de vítimas, lá fora, devido a explosões atômicas como aquelas que assolaram Hiroshima e Nagasaki, em 1945.
De um lado nessa questão, temos o presidente americano, Donald Tump, que a tantos tem despertado temor por suas estranhíssimas colocações e mesmo ações; de outro, o autocrata nortecoreano, Kim Jong-un, no poder desde dezembro de 2011, indiferente às perigosas ofensivas de um bilionário para quem o mais importante é o capital. Apenas preocupados com a troca de farpas que vêm mantendo, ambos ignoram o mundo que se encontra apreensivo com o temor de uma tragédia imensurável. Desprezam apelos da Rússia e da China pedindo que sejam mais prudentes, o que já fez também a Alemanha, por meio de Angela Merkel, personalidade de relevância política mundial. Trump advertiu o regime de Pyongyangpara a gravidade que ele próprio tem mostrado em suas falas. A respeito, conforme agência oficial de notícias KCNA, o regime comunista de Piongyang disse que “Trump está levando a situação da Península Coreana quase a uma guerra nuclear”. Resultado é que na Península já se planeja um exercício com foguetes de alcance intermediário com disparos na direção de Guam, região onde há bases militares dos Estados Unidos. E, se tal ocorrer, quatro mísseis passarão sobre o Japão, rumando para águas internacionais, estratégia esta que passará antes à aprovação do general Kim-Rak-gyom.
Em sua preocupação, o ex-embaixador na ONU, Bill Richardson, para quem os dois governantes parecem querer “dar uma de macho”, frisou que, por “um erro de cálculo que pode ser pequeno”, essa insensatez tem o risco de desencadear a materialização de uma ação militar por qualquer uma das partes: Estados Unidos ou Coreia do Norte. E a China, preocupada com as questões em sua vizinhança, direcionou alertas aos dois atores dessas agressões, no sentido de que eles podem deflagrar uma nova guerra atômica: pediu que “exercitem a prudência”. Também os russos, por meio de seu Chanceler, Sergei Lavrov, já se manifestaram receosos, mediante as constantes agressões verbais trocadas por aqueles dois governos.
Ante esse inquietante e temeroso quadro, melhor é que as tensões sejam contidas sem os infelizes desdobramentos que podem advir em caso contrário. Já é grande a instabilidade com que vive o mundo por questões diversas, sejam de ordem política, financeira ou por questões de natureza ambiental, entre outras.
Brasília, 12 de agosto de 2017.
Margarida Drumond de Assis é escritora de vários romances, poesias, crônicas, entre outros gêneros literários, como Não dá pra esquecer, que reúne crônicas sobre fatos e pessoas que marcaram as últimas décadas do século passado.
Contatos: (61) 99252-5916margaridadrumond@gmail.com; www.margaridadrumond.vai.la