Margarida Drumond de Assis
Nesses dias, perdemos dois grandes nomes do mundo artístico, muito especialmente especiais nomes de destaque na Comédia: faleceu no dia 17 de agosto, Rio de Janeiro, vítima de câncer no estômago, o ator, compositore roteirista carioca, Paulo Silvino, de 78 anos, consagrado por seus trabalhos durante mais de cinco décadas na televisão brasileira e por suas atuações no cinema; e no dia 20, em Las Vegas, Nevada - Estados Unidos, de causas naturais aos 91 anos, o comediante, roteirista, produtor, diretor e cantor norte-americano Jerry Lewis. Cada um em sua peculiaridade, atraiu a atenção e marcou seu espaço, deixou sua mensagem, sua garra, seu amor à vida.
Paulo Ricardo Campos Silvino (27.7.1939) era filho de pessoas do meio artístico - o comediante Silvério Silvino Neto e a pianista e professora Noêmia Campos Silvino. Cresceu sob as influências de ambos que o incentivaram na vida artística, como grande humorista e também com o dom musical, herdado de sua mãe; osbastidores da Rádio e do Teatro eram seu espaço. Foi casado com Diva Plácido com quem teve os filhos, Isabela, João Paulo e o ator e cantor Flávio Silvino. De suas várias atuações, muito se destacou interpretando personagens com bordões, como o do policial Fonseca, quando contracenava com Jô Soares,“Guenta, doutor, ele gueeeenta!”, e do porteiro Severino, no programa Zorra Total, com o “Cara, crachá! Cara, crachá!"; e no cinema, estreou em 1958 na comédia Sherlock de Araque.
Jerry Lewis, nome artístico de Joseph Levitch(16.3.1926), era filho da pianista Rachel Rae Levitch e do ator Daniel Levitch, artisticamente conhecido como Danny Lewis. Nosso consagrado Lewis primeiro foi casado com Patti Palmer, com ela teve seis filhos homens; depois, com SanDee Pitnick, e tiveram uma filha. Ainda aos cinco anos estreou como artista em Irvington, em Nova Jersey, prosseguindo na área do entretenimento até que conheceu Dean Martin, outro artista norte-americano de grande influência no século 20, no mundo da música, cinema e na televisão. Juntos, Dean fazendo o correto, e Lewis, o palhaço, estrearam em 1946 o show “Martin e Lewis”, em Atlanti City, sendo a aparição dos dois no cinema, em 1949, em “My friend Irma”. Ao todo foram dezesseis filmes juntos, até que em 1956 o Rei da Comédia, como se destacava Lewis, passou à carreira solo, ele permanecendo na Paramount pelos dez anos seguintes; em seguida, foi contratado pela Columbia Pictures.
Lewis, um dos maiores comediantes de todo omundo, foi grandemente conhecido pelos filmes, no gênero da comédia cinematográfica, com motivos de riso fácil, o dito humor “pastelão”. Neste estilo, consagraram-se também Charles Chaplin, “O Gordo e o Magro” e “Os três Patetas” e, entre nós, “Os Trapalhões”. Das comédias mais conhecidas de Jerry Lewis, dentre outras, estão “Os malucos do ar”, 1952; nos anos seguintes, os filmes “Ou vai ou racha” e “Bancando a ama-seca”; e conquistando maior público, ainda, “O professor aloprado”e “Errado pra cachorro”, 1963. Neste último, Lewis é sempre lembrado com a magistral cena onde o vemos datilografando uma máquina de escrever que só existe nos planos da imaginação.
Seguiram-se os anos, e o artista que, outrora, com o amigo Dean Martin tanto se apresentara em casas de shows e programas de rádio, com quem teve aparições na televisão e nos filmes em que atuaram juntos, viu sua carreira declinar com histórias cinematográficas que atraíram pouca bilheteria; passou a professor universitário em Los Angeles, sendo um dos seus alunos Steven Spielberg. Em 1972, protagonizou e dirigiu “The Day theclown Cried”, filme sobre o drama do nazismo, mas que não chegou às telas, e Lewis mais tarde alegaria esse fato a não haver gostado do resultado final da película. De seus últimos trabalhos na tela, pudemos vê-lo como camareiro, com Leandro Hassum e Camila Morgado, “Até que a sorte nos separe 2”.
Genial astro da comédia, Jerry Lewis foi por diversas vezes indicado a premiações, e em várias delas alcançou, ao longo de décadas, o merecido reconhecimento, o que aconteceu também neste milênio, como em 2009, quando foi ganhador do “Jean Hersholt Humanitarian Award”, no 81º Academy Award, prestigiado pelos seus 50 anos de trabalho humanitário, o “Jerry Lewis MDA Telethon”, a partir do qual dava assistência a doentes vítimas de distrofia muscular, trabalho pelo qual foi indicado também ao Prêmio Nobel da Paz.
E quem sabe você esteja se lembrando da famosa Calçada da Fama: teria o ilustre Jerry Lewis sua homenagem também naquele relevante espaço de Hollywood? E de fato lá estão duas estrelas que o distinguem, e não poderia ser diferente, ator brilhante que ele foi e também um dos maiores diretores de todos os tempos: uma das estrelas se deve à sua atuação no cinema, e a outra, pelo que fez na televisão.
Agora, aos 91 anos de vida e no cumprimento de sua missão, vencidos todos os males que o deixaram com a saúde debilitada, durante anos, Jerry Lewis deixa-nos seu legado, e como muitos se manifestaram, nesses dias pelo seu passamento, será lembrado com saudade e respeito,pessoa querida e profissional aguerrido que foi.
Brasília, 23 de agosto de 2017.
Margarida Drumond é professora, jornalista e escritora de vários livros, dentre eles Dom Lara: vida de amor, testemunho de caridade, Em andamento, “Eu já nasci padre!”, sobre Padre Abdala Jorge, cuja pré-edição já se iniciou.
(61) 99252-5916 margaridadrumond@gmail.comwww.margaridadrumond.vai.la
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