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sábado, 20 de maio de 2017

NÃO “TEM QUE MANTER ISSO, VIU!”

NÃO “TEM QUE MANTER ISSO, VIU!”  
 
Margarida Drumond de Assis
 
​A perplexidade que tomou conta do país na noite da última quarta-feira é impressionante. O estado brasileiro viu se confirmar que está nas mãos de uma organização criminosa; pelo menos é o que parece. Em meio a tantas delações que já assolavam o país, mostrando corruptos por todo lado no poder, agora o próprio presidente Michel Temer foi  delatado, por empresários da JBS, e, conforme vídeo, o chefe da nação mostrou pertencer a esse meio ao manter propina a envolvidos da organização: “Tem que manter isso, viu!”, disse.
​Atenho-me para esta reflexão, mas bem pode acontecer que, de súbito, outro escândalo - ou um forte desdobramento deste - venha a público tomando o cenário nacional; parece rotina vermos revelações bombásticas quando menos se espera.  Com isso, um fato tão forte quanto a revelação do vídeo gravado no dia 7 de março último, apresentado pelo empresário Joesley Batista, pode se tornar ultrapassado no noticiário, ficando os esclarecimento aquém de uma análise mais apurada. Fato, porém, é que as revelações publicadas pelo jornal O Globo, às 19h30 do dia 17, mostraram provas de obstrução de Justiça, por parte do Presidente Temer. O vídeo com a gravação que Joesley fez, sem que o presidente disso desconfiasse, mostrou um diálogo  embaraçoso, e Temer indicou o deputado afastado, Rodrigo Rocha Loures, homem de sua total confiança, para resolver um assunto da J&F (empresa que controla a JBS), e, pior, Rocha Loures foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil, enviados pelo presidente do Conselho de Administração da JBS, Joesley Batista.  No prosseguir da gravação, quando Michel Temer ouviu do empresário que estava passando ao ex-deputado Eduardo Cunha e ao operador financeiro Lúcio Funaro uma mesada na prisão para se manterem em silêncio, proferiu: “Tem que manter isso, viu!”
​Bastou a audição do importante arquivo e a notícia se espalhar, para, logo,  vários deputados, juristas e outros do poder se manifestarem incrédulos, ao passo mesmo em que outros, nem tanto. Alguns declararam que “se ficar comprovado que o presidente Temer incentivou um dos donos da JBS, Joesley Batista, na compra de silêncio, cabe Impeachment”   - ora, o vídeo já não é uma comprovação? ;  “a delação vem num momento terrível para o país”; “o presidente perde as condições de permanecer no cargo”; “isso é um crime de responsabilidade”, “é inaceitável que um presidente receba alguém que está ‘segurando’ juízes, e tudo fique por isso mesmo” - no vídeo, Temer pergunta: “Está segurando os dois?” De outro lado, há pseudos representantes nossos na cúpula do poder a defenderem Temer; um chegou a dizer: “Temer trata bem as pessoas, não vejo nada contra o presidente da República”. E, por sua vez, o presidente se julga ofendido por ter sido gravado, como se tal fato atenuasse sua culpa.  Fato é que o “alpiste”, conforme a linguagem deles nas artimanhas, vinha sendo dado aos envolvidos com dinheiro do povo, à revelia de tantas mazelas que grassam no Brasil nos campos da saúde, da educação, segurança e tanto mais.
​Mediante tudo isso, a constatação óbvia: seja quem for o interlocutor, o que é dito e mostrado só confirma quanto é gigantesco o esquema dessa corrupção que se desenrola.  Estão saqueando o país e verdadeiramente abusando de seu povo. São necessárias  providências cabíveis e urgentes, pois, com tantos vídeos, tantas delações, não há mais o que questionar. Além do vídeo com Joesley, há também o outro com o diretor de relações institucionais da JBS, Ricardo Saud, sob a mesma questão e novas delações.  Vimos que estão envolvidos muitos nomes, como o de Guido Mantega, Aécio Neves e pessoas de sua família; os ex-presidentes Lula e Dilma; o ex-ministro Antônio Palocci, dos governos dos ex-presidentes citados, dentre outros.
​Assim, foi muito bom saber que o relator da Lava-Jato no STF, o jurista Ministro Luiz Edson Fachin, possibilitou a abertura de Inquérito para apurar os fatos. Afinal, sabe-se que o Presidente Michel Temer está sob acusação de três crimes, que, somados, podem  chegar a 23 anos de prisão: corrupção passiva, organização criminosa e obstrução da Justiça.
​No final das contas, pensamos que o desfalque que a JBS sofreu há menos de dois meses a partir da Operação “carne fraca”,  com frigoríficos da empresa sendo investigados pela adulteração de carnes comercializadas no Brasil, foi fundamental para esse escândalo vir à tona: a JBS, segundo se noticiou, chegou a perder R$ 3,4 bilhões de valor de mercado em apenas um dia.  Obviamente quereriam garantir a sobrevivência das empresas do grupo; elas se constituem na maior processadora de proteína animal do mundo. Então, que sejam agora levados em conta mais esse fato mostrado abertamente e que se recordem as assinaturas coletadas, há cerca de três anos, em torno de 1,6 milhões para chegarmos à “Ficha limpa”. O momento por que passamos é revolucionário, com perda de confiança do povo nas instituições, e cabe a quem de direito nas decisões entender que não se pode “manter isso”. Todo esse quadro é degradante, um avilte à nação brasileira, e menospreza a inteligência de todos, com inolvidável desrespeito a todos.
 
​​​​​​​Brasília, 20 de maio de 2017
 
 
Margarida Drumond de Assis é professora, jornalista e autora de dezesseis livros editados em vários gêneros literários. Destacam-se, Tempo de saudade, com a história de Timóteo; Dom Lara: vida de amor, testemunho de caridade, biografia ; e Não dá pra esquecer – crônicas. É membro da Academia Taguatinguense de Letras – ATL e da Academia de Letras e Artes do Brasil – ALMUB www.margaridadrumond.vai.la  Contato: margaridadrumond@gmail.com Tel. (61) 9252-5916

sábado, 13 de maio de 2017

CANONIZAÇÃO DOS PASTORINHOS E OS 100 ANOS DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

CANONIZAÇÃO DOS PASTORINHOS E OS 100 ANOS DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

 

Margarida Drumond de Assis

 

Neste sábado, a Igreja celebra os 100 anos da primeira Aparição de Nossa Senhora a três pastorinhos na Cova da Iria, freguesia de Fátima, no concelho de Ourém Portugal, data em que o Papa Francisco canoniza duas daquelas três crianças. Era o dia 13 de maio de 1917 e a Virgem Maria apareceu a três pastorinhos, crianças simples daquela redondeza, mas que logo depois se tornaram mundialmente conhecidas: os irmãos Francisco e Jacinta Marto e a prima Lúcia de Jesus dos Santos.

A aparição de Maria no dia 13 de maio foi a primeira das seis que se deram em cada dia 13 dos meses seguintes, até outubro. Nos montes de Fátima, Nossa Senhora ressaltava àquelas crianças a importância de rezarmos o santo Rosário, enfatizando que,  na meditação dos mistérios, graças viriam sobre o mundo. Também pediu que lhe construíssem em sua honra, naquele local, uma capela, e ali se tornou palco de louvor a Deus, por meio de Nossa Senhorapalco da devoção mariana. A construção da capela começou em 13 de outubro de 1919, sendo a primeira missa nela celebrada na mesma data dois anos depois. A devoção se propagou intensamente e, no dia 13 de maio de 1928, foi lançada a primeira pedra da Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, local em que pouco depois foram sepultadoFrancisco e Jacinta, os quais, conforme Maria anunciara, morreriam precocemente, ele, em 4 de abril de 1919; ela, 20 de fevereiro de 1920. 

As aparições em Fátima, há um século, coincidiramcom um dos períodos mais tristemente vividos no Século XX: a primeira Guerra Mundial – 28.07.1914 – 11.11.1918, que ocasionava milhares de mortes na Europa, muita fome, epidemias e destruição, sendo Portugal um dos países pobres de então. Contudo, com o evento de Maria em Fátima, o país se tornou um centro de propagação de fé em Deus e de devoção mariana, trazendo esperança a todos. Assim, anualmente, no mês de maio, celebramos o mês de Maria, Mãe de Deus e nossa, os Católicos, para quem Maria é modelo de virtude e força, especialmente quando sabemos de seu Sim ao Anjo Gabriel que lhe anunciou ter sido ela escolhida para Mãe do filho de Deus, a mãe do Salvador. E, nesse exemplo do amor materno de Maria, em todo segundo domingo do mês de maio homenageamos as Mães, este ser que é capaz de deixar de pensar em si para sempre dar vez aos filhos.

As aparições de Nossa Senhora, em Fátima, foram sinal de esperança naqueles tempos difíceis, mas ela muito antes já se manifestara em outros lugares, como aconteceu em 1830, em Paris, a Santa Catarina de Labouré, sempre trazendo por sua presença entre nós o amor misericordiosode Jesus. Com isso, são muitos os títulos que lhe foram dados, conforme os locais e circunstâncias em que se manifestou. E, na lembrança de outras das aparições, temos Guadalupe - México, 1531;  Lourdes – França, 1858; Medjugorge – Bósnia, 1981, e, claro, o surgimento da imagem da virgem no rio Paraíba do Sul, em Aparecida, São Paulo; de Nossa Senhora Aparecida, celebramos agora em 2017 os 300 anos de sua aparição

O amor de Maria, bem o sabemos, há muito vem sendo reconhecido e ela sendo venerada ao longo dos séculos, por incontáveis santos e santas da Igreja, a exemplo de Santo Afonso Maria de LigórioSão Domingos de Gusmão, Santa Teresinha do Menino Jesus, São Bernardo. É, pois convicto da devoção mariana e de seu amor por nós, que terminado o Concílio Vaticano II, o Sumo Pontífice Paulo VI declarou Nossa Senhora como sendo a Mãe da Igreja”, e bem o fez; basta nos lembrarmos das palavras de Jesus ao discípulo amado, aos pés da Cruz – Filho eis aí tua Mãe; Mulher, eis aí teu filho (Jo 19, 26 – 27). É conforme bem registrou nosso hoje São João Paulo II:  “Ao pedir ao discípulo predileto que tratasse Maria Santíssima como sua Mãe, Jesus instituiu o culto mariano”.

Hoje, ao vermos nosso amado Papa Francisco em Fátima, celebrando a canonização dos pastorinhos Francisco (11.06.1908) e Jacinta Marto (11.03.1910) -beatificados em 13 de maio de 2000, pelo papa João Paulo II - nos enchemos de júbilo pois nos dois teremos novos modelos de santidade, sinais eternos da graça de Deus. Quanto à Lúcia, a mais velha dos três pastorinhos, depois tornou-se religiosa  e veio a falecer aos 97 anos, em 13 de dezembro de 2005, sendo o processo de beatificação iniciado pelo papa Bento XVI. O seu corpo, outrora sepultado no convento carmelita de Santa Teresa em Coimbra, foi levado um ano após falecimento para omesmo local onde estão os, agora, Santa Jacinta de Jesus Marto e São Francisco de Jesus Marto

papa Francisco, em Fátima, nesta data, repete o gesto do primeiro papa que ali visitou, Paulo VI em 1967, e também de João Paulo II, que lá esteve por três vezes, e Bento XVI. E me lembrando de reflexões e pesquisas que fiz para escrever Dom Lara: vida de amor, testemunho de caridade (dez. 2015), sobre o já tão saudoso redentorista Dom Lelis Lara, registramos a importância da devoção mariana em nossa vida. Como dizia Dom Lara, fiel seguidor da Congregação, Santo Afonso de LigórioMaria é mediadora da graça, é nossa advogada, é rainha e Mãe de Misericórdia”.

Brasília, 12 de maio de 2017

 

 

Margarida Drumond de Assis é professora, jornalista e autora de dezesseis livros editados em vários gêneros literários. Destacam-se, Tempo de saudade, com a história de Timóteo; Dom Luciano, especial dom de Deus; e Padre Antônio de Urucânia, a sua bênção. É membro da Academia Taguatinguense de Letras – ATL e da Academia de Letras e Artes do Brasil – ALMUB www.margaridadrumond.vai.la  Contato: margaridadrumond@gmail.com Tel. (61) 9252=5916  

 

Unamo-nos, neste especial dia, fazendo a oração de São Bernardo a Nossa Senhora - "Lembrai-vos", oração esta inúmeras vezes rezada pelo Pe. Vitor Coelho de Almeida, mineiro de Sacramento, mas de todos conhecido de Aparecida/SP:



Lembrai-Vos, ó piíssima Virgem Maria, 
que nunca se ouviu dizer 
que algum daqueles 
que têm recorrido à vossa proteção, 
implorado a vossa assistência, 
e reclamado o vosso socorro, 
fosse por Vós desamparado.
Animado eu, pois, de igual confiança, 
a Vós, Virgem entre todas singular, 
como a Mãe recorro, 
de Vós me valho e, 
gemendo sob o peso dos meus pecados, 
me prostro aos Vossos pés. 
Não desprezeis as minhas súplicas, 
ó Mãe do Filho de Deus humanado
mas dignai-Vos 
de as ouvir propícia 
e de me alcançar o que Vos rogo. Amem!!


quinta-feira, 11 de maio de 2017

MACRON: BOM PARA A FRANÇA, BOM PARA O MUNDO

                              MACRON: BOM PARA A FRANÇA, BOM PARA O MUNDO

Margarida Drumond de Assis
               
                O resultado das eleições na França, no último domingo, soaram como um alívio. A vitória do social-liberal, Emmanuel Macron, com aprovação de 65 % dos votos  válidos afastou a insegurança que os franceses viviam só de imaginar como ficaria o país, se a adversária na eleição presidencial e líder da extrema-direita, Marine Le Pen, vencesse. Com ela, era sério o risco de verem o país fora da União Europeia e da zona do euro, além de estar em risco a democracia.
Com o centrista Macron no poder, todo o continente se sentiu mais seguro e, levando em conta a vida globalizada, todo o mundo também, pois o que  se decide em algum ponto importante do planeta, repercute em todo lugar. É, conforme expressou uma francesa radicada no Brasil e que se punha a postos para votar, mesmo estando aqui, “tudo é o planeta”, era, pois, importante votar.
Pesquisas feitas pela Opinion Way e pela Radio Les Echoset, às vésperas do pleito presidencial, indicavam a vitória contundente de Emannuel Macron com 62 % dos votos. Era-lhe favorável o fato de ele não pertencer a partidos políticos e o seu desejo de restabelecer as relações entre os franceses e o bloco europeu. Antes, Marine Le Pen seguia sua campanha com certa expectativa, vislumbrando  uma possível vitória, mas ao participar do último debate televisivo, sua aceitação caiu bastante; ela passou, então, a ideia de não ser capaz de bem conduzir os destinos da França. Pesava aos franceses, por exemplo, imaginarem-se fora do bloco, além de que não viam com bons olhos a posição política na  qual Le Pen se enquadrava.
Vitória alcançada, Emmanuel Macron prometeu energia para governar, mostrando coragem para atingir seus propósitos pelo bem do país e dos franceses; ele bem sabia que muitos votaram nele apenas para evitar que Le Pen vencesse, mas que também não o tinham em tão alta conta. Afiinal, Macron, hoje com 39 anos e considerado o mais jovem presidente do país, era, até abril de 2016, praticamente um desconhecido. Mas é importante ressaltar o apoio que recebeu, em vídeo,  do ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e de outros nomes relevantes no cenário internacional, como o da Chanceler da Alemanha, Angela Merkel.  Já o atual presidente norte-americano, conforme manifestou a assessora de imprensa, Sara Sanders, dizia-se favorável a qualquer dos dois candidatos: fosse Le Pen ou Macron o venceddor, trabalharia com quem quer que o povo francês elegesse.
Há que se considerar também de suma importância na vitória de Macron o pensamento que ele manifestou de apoio a refugiados, e, assim, a reação italiana rapidamente mostrou quanto eles estão esperançosos, pois agora esperam que a França também ajude na acolhida aos milhares de imigrantes que chegam à Europa, aflitos, famintos, necessitados mesmo de respeito em sua dignidade para uma vida digna.
Fica-nos, agora, a expectativa no sentido de que Emmanuel Macron leve a efeito suas intenções de realmente trabalhar com políticos que possuam ficha judicial limpa; que lute  pela melhoria de vida das pessoas, favorecendo as políticas sociais, conforme pede o país, com investimentos que atendam à esperança que circunda a Europa, por melhores dias no continente, fazendo valer os propósitos que lhe são tão conhecidos,  de “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”.

                                                                                  Brasília, 10 de maio de 2017


Margarida Drumond de Assis é professora, jornalista e autora de dezesseis livros editados em vários gêneros literários. Destacam-se, Tempo de saudade, com a história de Timóteo; Aconteceu no cárcere; e Padre Antônio de Urucânia, a sua bênção. É membro da Academia Taguatinguense de Letras – ATL e da Academia de Letras e Artes do Brasil – ALMUB www.margaridadrumond.vai.la  Contato: margaridadrumond@gmail.com Tel. (61) 9252=5916