CANONIZAÇÃO DOS PASTORINHOS E OS 100 ANOS DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA
Margarida Drumond de Assis
Neste sábado, a Igreja celebra os 100 anos da primeira Aparição de Nossa Senhora a três pastorinhos na Cova da Iria, freguesia de Fátima, no concelho de Ourém– Portugal, data em que o Papa Francisco canoniza duas daquelas três crianças. Era o dia 13 de maio de 1917 e a Virgem Maria apareceu a três pastorinhos, crianças simples daquela redondeza, mas que logo depois se tornaram mundialmente conhecidas: os irmãos Francisco e Jacinta Marto e a prima Lúcia de Jesus dos Santos.
A aparição de Maria no dia 13 de maio foi a primeira das seis que se deram em cada dia 13 dos meses seguintes, até outubro. Nos montes de Fátima, Nossa Senhora ressaltava àquelas crianças a importância de rezarmos o santo Rosário, enfatizando que, na meditação dos mistérios, graças viriam sobre o mundo. Também pediu que lhe construíssem em sua honra, naquele local, uma capela, e ali se tornou palco de louvor a Deus, por meio de Nossa Senhora, e palco da devoção mariana. A construção da capela começou em 13 de outubro de 1919, sendo a primeira missa nela celebrada na mesma data dois anos depois. A devoção se propagou intensamente e, no dia 13 de maio de 1928, foi lançada a primeira pedra da Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, local em que pouco depois foram sepultados Francisco e Jacinta, os quais, conforme Maria anunciara, morreriam precocemente, ele, em 4 de abril de 1919; ela, 20 de fevereiro de 1920.
As aparições em Fátima, há um século, coincidiramcom um dos períodos mais tristemente vividos no Século XX: a primeira Guerra Mundial – 28.07.1914 – 11.11.1918, que ocasionava milhares de mortes na Europa, muita fome, epidemias e destruição, sendo Portugal um dos países pobres de então. Contudo, com o evento de Maria em Fátima, o país se tornou um centro de propagação de fé em Deus e de devoção mariana, trazendo esperança a todos. Assim, anualmente, no mês de maio, celebramos o mês de Maria, Mãe de Deus e nossa, os Católicos, para quem Maria é modelo de virtude e força, especialmente quando sabemos de seu Sim ao Anjo Gabriel que lhe anunciou ter sido ela escolhida para Mãe do filho de Deus, a mãe do Salvador. E, nesse exemplo do amor materno de Maria, em todo segundo domingo do mês de maio homenageamos as Mães, este ser que é capaz de deixar de pensar em si para sempre dar vez aos filhos.
As aparições de Nossa Senhora, em Fátima, foram sinal de esperança naqueles tempos difíceis, mas ela muito antes já se manifestara em outros lugares, como aconteceu em 1830, em Paris, a Santa Catarina de Labouré, sempre trazendo por sua presença entre nós o amor misericordiosode Jesus. Com isso, são muitos os títulos que lhe foram dados, conforme os locais e circunstâncias em que se manifestou. E, na lembrança de outras das aparições, temos Guadalupe - México, 1531; Lourdes – França, 1858; Medjugorge – Bósnia, 1981, e, claro, o surgimento da imagem da virgem no rio Paraíba do Sul, em Aparecida, São Paulo; de Nossa Senhora Aparecida, celebramos agora em 2017 os 300 anos de sua aparição.
O amor de Maria, bem o sabemos, há muito vem sendo reconhecido e ela sendo venerada ao longo dos séculos, por incontáveis santos e santas da Igreja, a exemplo de Santo Afonso Maria de Ligório, São Domingos de Gusmão, Santa Teresinha do Menino Jesus, São Bernardo. É, pois convicto da devoção mariana e de seu amor por nós, que terminado o Concílio Vaticano II, o Sumo Pontífice Paulo VI declarou Nossa Senhora como sendo a “Mãe da Igreja”, e bem o fez; basta nos lembrarmos das palavras de Jesus ao discípulo amado, aos pés da Cruz – “Filho eis aí tua Mãe; Mulher, eis aí teu filho” (Jo 19, 26 – 27). É conforme bem registrou nosso hoje São João Paulo II: “Ao pedir ao discípulo predileto que tratasse Maria Santíssima como sua Mãe, Jesus instituiu o culto mariano”.
Hoje, ao vermos nosso amado Papa Francisco em Fátima, celebrando a canonização dos pastorinhos Francisco (11.06.1908) e Jacinta Marto (11.03.1910) -beatificados em 13 de maio de 2000, pelo papa João Paulo II - nos enchemos de júbilo pois nos dois teremos novos modelos de santidade, sinais eternos da graça de Deus. Quanto à Lúcia, a mais velha dos três pastorinhos, depois tornou-se religiosa e veio a falecer aos 97 anos, em 13 de dezembro de 2005, sendo o processo de beatificação iniciado pelo papa Bento XVI. O seu corpo, outrora sepultado no convento carmelita de Santa Teresa em Coimbra, foi levado um ano após o falecimento para omesmo local onde estão os, agora, Santa Jacinta de Jesus Marto e São Francisco de Jesus Marto.
O papa Francisco, em Fátima, nesta data, repete o gesto do primeiro papa que ali visitou, Paulo VI em 1967, e também de João Paulo II, que lá esteve por três vezes, e Bento XVI. E me lembrando de reflexões e pesquisas que fiz para escrever Dom Lara: vida de amor, testemunho de caridade (dez. 2015), sobre o já tão saudoso redentorista Dom Lelis Lara, registramos a importância da devoção mariana em nossa vida. Como dizia Dom Lara, fiel seguidor da Congregação, Santo Afonso de Ligório, “Maria é mediadora da graça, é nossa advogada, é rainha e Mãe de Misericórdia”.
Brasília, 12 de maio de 2017
Margarida Drumond de Assis é professora, jornalista e autora de dezesseis livros editados em vários gêneros literários. Destacam-se, Tempo de saudade, com a história de Timóteo; Dom Luciano, especial dom de Deus; e Padre Antônio de Urucânia, a sua bênção. É membro da Academia Taguatinguense de Letras – ATL e da Academia de Letras e Artes do Brasil – ALMUB www.margaridadrumond.vai.la Contato: margaridadrumond@gmail.com Tel. (61) 9252=5916
Unamo-nos, neste especial dia, fazendo a oração de São Bernardo a Nossa Senhora - "Lembrai-vos", oração esta inúmeras vezes rezada pelo Pe. Vitor Coelho de Almeida, mineiro de Sacramento, mas de todos conhecido de Aparecida/SP:
Lembrai-Vos, ó piíssima Virgem Maria,
que nunca se ouviu dizer
que algum daqueles
que têm recorrido à vossa proteção,
implorado a vossa assistência,
e reclamado o vosso socorro,
fosse por Vós desamparado.
Animado eu, pois, de igual confiança,
a Vós, Virgem entre todas singular,
como a Mãe recorro,
de Vós me valho e,
gemendo sob o peso dos meus pecados,
me prostro aos Vossos pés.
Não desprezeis as minhas súplicas,
ó Mãe do Filho de Deus humanado,
mas dignai-Vos
de as ouvir propícia
e de me alcançar o que Vos rogo. Amem!!”
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