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sexta-feira, 9 de junho de 2017

A NAÇÃO EM SUSPENSO

        A NAÇÃO EM SUSPENSO 

Margarida Drumond de Assis

                É como estamos todos, ultimamente, mediante o quadro político que se descortina diante de nós:  em suspenso, isto mais ainda desde que, na última terça-feira, se iniciou o julgamento no Tribunal Superior Eleitoral – TSE,  com a retomada da análise do pedido de Cassação da chapa Dilma - Temer, feita pelo PSDB, por abuso de poder econômico. Como era de se imaginar, os sete juízes da Corte, entrando hoje - 9 de junho, no quarto dia de sessões, ainda não apresentaram o resultado final que pode ter várias possibilidades, mas, se cassada a chapa, poderá levar ao desembarque  do executivo  o presidente Michel Temer. Em questão, até o início desta manhã de sexta-feira, se para o julgamento mantêm a pauta da Campanha eleitoral de 2014, ignorando as mais recentes revelações apontadas pelas delações da Odebrecht, notadamente as que foram feita s pelo empresário Joesley Batista, na qual em sua delação se percebeu que o presidente tê-lo-ia incentivado na compra de silêncio.
                A situação é de uma aguda crise no cenário político, quando vemos sucessivamente fatos acontecendo e que denotam quão duvidoso é o caráter, com raras exceções, dos políticos que estão à frente da nação, em qualquer um dos poderes, seja do Executivo, Legislativo ou  Judiciário.  No caso do julgamento, o presidente Temer se vê em apuros, pois contra ele, além das delações sobre seu envolvimento com Caixa 2, foi preso nesses dias o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures, dito seu homem de confiança, acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro; a prisão representa uma baixa para o presidente. Em uma das ações controladas pela Polícia Federal, Loures foi visto recebendo uma mala com R$ 500 mil da JBS, empresa controlada pela J&F, que seria parte de uma propina a ser paga a ele ao presidente Temer.  Assim, em caso de uma delação pelo ex-deputado, aumentariam os riscos de o Presidente ser cassado.  Conforme o relator da Lava-Jato no STF, ministro Edson Fachin, explicando a prisão, “o agente aqui envolvido [Loures] teria encontrado lassidão em seus feitos inibitórios e prosseguiria aprofundando métodos nefastos de autofinanciamento em troca de algo que não lhe pertence, que é o patrimônio público”.
                Enquanto se imagina que fatos novos podem advir, os embates no julgamento prosseguem, tendo o Relator do caso, Min. Herman Benjamin, defendido a inclusão dos depoimentos de ex-executivo da Odebrecht, contestada pelas defesas de Dilma e Temer.  Tal inclusão é vista como crucial, uma vez que ela enfraqueceria o processo que já conta com mais de oito mil páginas, distribuídas em 29 volumes. Em meio a tudo, ressaltemos, estão documentos e transcrições de 80 horas de depoimentos. Se os juízes concordarão ou não com o julgamento levando em conta as delações dos últimos tempos, embora elas não estivessem requeridas na petição inicial, as milhares de páginas do Processo, por si só, conforme tem manifestado o relator Herman, já contêm provas de envolvimento de Temer com o Caixa 2. As argumentações do Relator têm sido tão incisivas, às vezes claramente falando ou valendo-se de metáforas, não deixando dúvida de que ele é pela Cassação da Chapa. Conforme  o ministro Herman, a Odebrecht já deveria ter sido arrancada a fórceps, há muito tempo; também frisou  que o quadro político hoje é como se estivéssemos diante de uma cirurgia para tirar um tumor maligno, o que no entanto não se pode fazer por já se constatar metástase.   
Mas quem são esses da Corte que têm nas mãos o poder de Sentença? Além do ministro Relator, ali estão: Luiz Fux, vice-presidente do TSE, indicado para o STF pela ex-presidente Dilma, em 2011; Gilmar Mendes, Presidente do TSE, indicado para o STF, em 2002,  pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Ele é crítico do PT e próximo de Temer; Napoleão Nunes, ministro do STJ, escritor e membro da Academia Cearense de letras; Admar Gonzaga Neto,empossado por Dilma em 2013, como Ministro Substituto do STE; Tarcísio Carvalho Neto, no cargo de ministro substituto do TSE, também subprocurador –geral do Distrito Federal; e Rosa Weber, ex-ministra do Tribunal Superior do Trabalho, indicada para o STF por Dilma. Sem dúvida, são renomados juízes, mas há dentre eles interlocutores de Michel Temer que contam com o apoio de Gilmar Mendes; garantido mesmo pela cassação, apenas o voto do relator ministro Herman Benjamim.
Afinal, permaneçamos atentos. Se aprovado o pedido de Cassação, ainda poderemos ter: - pedido de vista, o que  se dará após a leitura do relatório pelo ministro Herman. Tal pedido pode advir dos ministros Napoleão Maia ou de Admar Gonzaga e Tarcísio Carvalho; caso aconteça, não há prazo definido para que o processo volte a plenário, podendo retornar, quem sabe, só em agosto, devido ao recesso em julho; - se a chapa for cassada, e sendo seguido o entendimento do procurador-geral Nicolao Dino, só a ex-presidente ficará inelegível. Caberá recurso ao STF e Temer, no cargo, poderá recorrer da decisão. Se a decisão for mantida, será presidente interino Rodrigo Maia, presidente da Câmara, e ele terá 30 dias para marcar uma eleição indireta para completar o mandato até 31 de dezembro de  2018; - se a chapa for absolvida, Dilma e Temer não perdem os direitos políticos, e Temer fica no cargo até o fim, caso não venha a ser condenado pelo STF no processo de obstrução de Justiça.
                                                                                  Brasília, 9 de junho de 2017









Margarida Drumond de Assis é professora, jornalista e autora de dezesseis livros editados em vários gêneros literários. Destacam-se, Tempo de saudade, com a história de Timóteo; Dom Lara: vida de amor, testemunho de caridade, biografia ; e Não dá pra esquecer – crônicas. É membro da Academia Taguatinguense de Letras – ATL e da Academia de Letras e Artes do Brasil – ALMUB www.margaridadrumond.vai.la  Contato: margaridadrumond@gmail.com Tel. (61) 9252-5916  

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