.

.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

ÔBA QUE É FESTA, JUNHO CHEGOU

ÔBA QUE É FESTA, JUNHO CHEGOU!

 

Margarida Drumond de Assis

Novamente é junho, mês que tantas mensagens de alegria nos trazLembramo-nosespiritualmente falando, da celebração de Pentecostes, conforme está em Jo 19, 23 – “Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio. Recebei o Espírito Santo!”; há Corpus Christi, relato do mesmo evangelista, 6, 51-58 – “Minha carne é verdadeiramente comida e o meu sangue verdadeiramente bebida”, eventos que nos fazem pensar quanto somos amados e também nmissão de “enviados” para fazermoso bem a outrem. E junho nos introduz ainda, e de forma intensa, nas animadas festas que se constituem em verdadeiro convite à celebração da amizade, oferecendo-nos o contato, não apenas por celular, mas nos convidando a uma aproximação de uns com os outros, pessoalmente, de nos abraçarmos ao redor de uma fogueira, de dançarmos uma quadrilha, entrarmos nos folguedos que homenageiam os santos do mês, Santo Antônio, São João e São Pedro, sem falar que  o dia dos namorados, uma bela chance ao amor.

É bom pensarmos nas alegrias que junho nos oferece, de deixarmos um pouco de lado a descrença que se apossou de nós quando vemos no país crescer as mazelas sociais, a corrupção proliferando incessantemente, por parte daqueles que deveriam bem conduzir os destinos do país, pois, se no poder estão, é porque foram eleitos pelo povo. Sim, porque todo o tempo vermos quanto tem sido deprimente o cenário que se nos descortina, conforme retratam os noticiários, é mesmo desgastante. Então que tal pensarmos um pouco nas festas de junho? Elas trazem, por excelência, o saudável empenho de todo um povo lutando para manter vivas as suas tradições nas brincadeiras e cantorias do período. No nordeste do país, por exemplo, sabe-se que as festas de junho têm prioridade; até as férias no meio do ano ficam em função dos eventos e em muitas cidades nem é só junho que conta, a festa é também julinaEita que isso é bom demais, num é não?!

E nos reportando ao costume tão aconchegante de se acender a fogueira nas festas juninas, a tradição nos dá conta de que ele se origina do fato de que povos antigos procuravam acendê-las às Divindades, intercedendo ao deus Sol um inverno menos rigoroso. Mas há também a versão de que a fogueira foi utilizada como um sinal de Zacarias e Isabel, moradores das montanhas, avisando aos primos, inclusive Maria, casada com José, o nascimentodo bebê, apesar de já estar em idade avançada. E a lenda diz que, em resposta, os outros que foram vendo a fogueira também acenderam outra, comunicando que sabiam da boa notícia da chegada de João Batista.   

Vemos então que a fogueira é um sinal de alegria e,por isso mesmo, caminhemos em sua direção; decerto há um desses encontros já sendo organizado perto de sua casa ou trabalho; a fogueira já vem sendo montada; os balões e bandeirolas, dependurados, faltando você, lá. Ah, você não ensaiou para a quadrilha? Informe-se, quem sabe dá paraensaiar ao menos uma vez e entrar na dança. De qualquer forma, só de estar no alegre ambiente de festa junina já anima, dá força à vida. Quão divertidos são o Casamentona Roça, o pular a fogueira, se deleitar com as iguarias típicas dessas animadas noites, como o quentão, a batata doce e o milho assados, a canjica grossa... E o ânimo de um e outro nesses festejos, estimula quem ao lado estiver. 

Coisa boa nesses ambientes, também, é quando, ao contrário do que já acontece em tantos lugares com músicas que pouco ou nada têm a ver com o ambiente, ainda podemos ouvir os cantos que vêm sendo passados, geração após geração; assistir às brincadeiras alusivas aos homenageados do mês, Antônio, o dito santo casamenteiro, dia 13; São João, festeiro, dia 24; e São Pedro, guerreiro. E, então: “São João está dormindo não acorda não, é de cravo é de rosa é de manjericão...”; “Cai, cai balão, cai cai balão cai aqui na minha mão....” e ainda o tradicional “Chegou a hora da fogueira, é noite de São João, o céu fica todo iluminado fica todo estrelado...”. Aproveitemos um pouco os folguedos, isso vale muito apena.    

 

Brasília, 1º de junho de 2017

 

 

Margarida Drumond de Assis é professora, jornalista e autora de dezesseis livros editados em vários gêneros literários. Destacam-se, Tempo de saudade, com a história de Timóteo; Dom Lara: vida de amor, testemunho de caridade, biografia; e Não dá pra esquecer – crônicasÉ membro da Academia Taguatinguense de Letras – ATL e da Academia de Letras e Música do Brasil – ALMUB www.margaridadrumond.vai.la  Contato: margaridadrumond@gmail.com Tel. (61) 9252-5916  

 

 

 

 

 

 

 

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário