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sábado, 29 de julho de 2017

PADRE ABDALA, CINCO ANOS DE SAUDADES


 

Margarida Drumond de Assis

 

Mais um 30 de julho que chega após o marcante fato que, em 2012, abalou a região do Vale do Aço, muito especialmente o município de Timóteo e regiões circunvizinhas: o falecimento do querido e muito saudoso Pe. Abdala Jorge. Cinco anos sem a presença de Padre Abdala são cinco anos sem o jeito franco e dinâmico de um sacerdote que não encontrava meias-palavras quando se tratava de defender os menos favorecidos, de mostrar sua opinião sincerasão cinco anos sem um sacerdote que corajosamente subia nos palanques para defender trabalhadores oprimidos, na maioria das vezes, pelo capital internacional; são cinco anos de lembranças e saudades de um escolhido de Deus, repleto de amor e entrega à Igreja. 

Neste momento em que celebramos em sua memória, há muito por que agradecer pela presença de Pe. Abdala em seus 57 anos de pároco na Paróquia São José de Acesita, que ele amava. Quantas vezes ele abriu sua porta para alguém que chegava, sem avisar previamente, porque desejava lhe pedir algo para comer, uma ajuda para algo em casa, para ouvir seu conselho, ou mesmo para vê-lo rapidamente! É tempo de agradecer pela sua atenção e bondade em proporcionar remédio aos que o procuravam confiantes de que, por meio de sua farmacinha, conseguiriam o necessário medicamento; agradecer pela água gelada que ele mantinha na varanda da Casa Paroquial, em atenção aos que viviam em situação de rua ou às pessoas que estivessem andando pelo centro, distantes de suas casas; agradecer por suas homilias objetivas e portadoras de imenso amor a Maria e repletas de sabedoria e formação catequética.

Então, a Pe. Abdala, nesta data em que o reverenciamos saudosos, a nossa alegria com a expectativa de que tenhamos, em um ano, pronto para os leitores um livro sobre sua vida repleta de amor e bondade, comrelatos sobre suas intrépidas ações em prol da justiça. Sem dúvida, o livro trará dados biográficos da trajetória desse filho de libaneses, José Abdala Jorge, que aos doze anos, determinado seguiu para o Seminário, logo retornando à casa dos pais para montar um solicitado enxoval. Será bom registrar o legado de Pe. Abdala, ele que, em suas preleções, não omitia quanto lhe foi dura a infância, ao lado da mãe e irmãs, estando o pai doente e sem qualquer possibilidade de lhe servir de incentivo a uma vida serena.E que alegria poder lembrar suas palavras ditas em ocasiões diversas: “Eu já nasci padre”, isto porque sua vinda ao seio da família já se constituía em voto do seu amor materno, entregando-o a esse divino ministério.

E neste relembrar, hoje passados cinco anos de sua ida para a Casa do Pai, lembremo-nos de seus exemplos, na coragem para superar momentos conturbados que surgiram em sua caminhada, as dificuldades vividas em sua preparação sacerdotal, menino de parcos recursos, de família humilde e pobre que era. Lembremo-nos de Pe. Abdala, sacerdote dedicado à Paróquia São José de Acesita, Timóteo, de sua total entrega em prol de uma vida em fraternidade

 

 

Margarida Drumond de Assis é professora e jornalista, autora de Um conflito no amor e Além dos versos, entre outros  livros em gêneros literários diversos. 

Contatos: www.margaridadrumond.vai.la Tel. (61) 98607-7680

https://www.facebook.com/margaridadrumond

 

quarta-feira, 26 de julho de 2017

A MAGIA DE ESCREVER



Margarida Drumond de Assis

 Converso com você, hoje, sobre uma data que tem muito a ver comigo e com todos aqueles que se entregam à paixão que é escrever: 25 de julho, Dia Nacional do Escritor. E só trago esta reflexão neste momento, exatamente porque, ontem e mesmo hoje durante todo o dia, estive absorvida demais em pesquisas para um novo livro, agora sobre Padre Abdala Jorge, esse vocacionado por Deus para a santidade e  que por  57 anos serviu a Deus na pessoa do outro e à Igreja, na Paróquia São José de Acesita, em Timóteo, Minas Gerais. Há apenas sete meses entreguei aos leitores meu livro mais novo, o ensaio Da página ao palco: estudo e transposição de linguagem de O espelho, de Machado de Assis, e o fiz quando levei a Caratinga, no auditório do Centro Universitário de Caratinga – UNEC, a biografia Dom Lara: vida de amor, testemunho de caridade, lançado em Cel. Fabriciano em dezembro de 215, por ocasião dos 90 anos de vida do agora saudoso Dom Lelis Lara. Já em Brasília, o Da página ao palco teve lançamento no mês passado, na 33ª Feira do Livro de Brasília, quando contei com vários amigos na apresentação da palestra de abertura das celebrações de meus 40 anos de atividades literárias.  
 É, pois, no afã desta alegria que é partilhar com o leitor a lembrança desta data sobre quem partilha sua criatividade, pensamentos e emoções acerca de fatos e pessoas que compõem nosso viver, que aqui estou agora. Como lembrou nosso poeta maior, “Lutar com palavras é a luta mais vã. Entanto lutamos mal rompe a manhã. São muitas, eu pouco (...)”. Quanta sensibilidade teve Drummond, assim definindo a magia de escrever! Também muito me tocou o que externou uma escritora de Roraima, segundo quem “ser escritor é se jogar no abismo... É um ato de coragem!” De fato é preciso ter coragem para se deixar ver nas páginas de um livro, criando histórias, poesias, expondo coisas, pensamentos, fatos históricos, em tudo passando a própria visão de mundo, com o risco de a sua mensagem não alcançar o que a princípio se desejou. Por outro lado, não deve ser preocupação do escritor um alcance restrito de sua palavra, pois uma vez escrita, ela segue seu caminho, podendo suscitar no outro diferentes sentidos e interpretações. E que bom que é assim, pois buscamos, na arte de escrever, informar, entreter, fazer pensar. Se tal é alcançado, o escritor deu um importante passo. 
E, eu, particularmente, neste caminhar entre um e outro livro que vou lançando, vibro com as descobertas que faço, sendo um desafio  torná-lo possível. Sim, porque não basta ter uma ideia e colocá-la no papel, é preciso lapidar o pensamento, tanto quanto possível, tirando arestas, até que, após ingente luta com as palavras, ela se nos vem acessível, levando-nos a crer que pode chegar ao leitor. Bem escreveu o romancista e poeta francês, Victor Hugo, quando aconselhou: “Escritores, meditem muito e corrijam pouco. Fazei as vossas rasuras no vosso próprio cérebro”. A maturação é necessária. 
 Tomando agora por outro ângulo a questão do Ser Escritor, ainda temos a angustiante preocupação sobre como editar a obra. Como fazer chegar ao leitor um livro se os orçamentos editoriais são gritantes, se também a Distribuição é outro fator com que devemos muito nos preocupar? Para ilustrar, eu mesma tenho pronto para edição um novo romance, o Doce complicação, embora não saiba como esse intento se dará, mas uma certeza há: ele chegará em breve. E o que dizer do livro para o qual comecei  pesquisa em março último, acerca de Padre Abdala, esse intrépido e grande sacerdote da igreja de Timóteo, Diocese de Itabira – Cel. Fabriciano, para quem é muito mais importante dar atenção ao ser humano do que erguer um templo e não se ter a certeza de que a pessoa que nele entrará estará bem?  No fazer literário, uma coisa deve estar clara: o que importa primeiro é se pôr a caminho e acreditar que o restante virá. 
Assim, neste momento em que lembramos o Dia do Escritor, inicialmente registrado em 25 de julho de 1960, por iniciativa de Jorge Amado e João Peregrino Júnior, no I Festival do Escritor Brasileiro, sob organização da União Brasileira de Escritores - UBE, fica-nos a esperança de que o escritor jamais se sinta tolhido. Dificuldades externas podem advir, mas a coragem deve sobrepor-se, levando-o sempre ao prazer de escrever. 
 

Margarida Drumond de Assis é professora e jornalista, autora de Um conflito no amor e Além dos versos, entre outros  livros em gêneros literários diversos. 
Contatos: www.margaridadrumond.vai.la Tel. (61) 98607-7680 
 https://www.facebook.com/margaridadrumond

quinta-feira, 13 de julho de 2017

A BOA PRÁTICA DO VOLUNTARIADO


 Margarida Drumond de Assis

Hoje partilho com você a satisfação que me vem ao constatar a prática, cada vez mais frequente, da ação social por pessoas voluntárias. Às vezes a informação vem pela televisão; noutras, por jornais, alguma emissora de rádio ou até mesmo chegamos a presenciar, e então nos emocionamos, somos tocados. São homens e mulheres, grupos de jovens e até mesmo crianças que, ao ver em uma situação difícil sendo vivida pelo semelhante, se dispõem a ajudar, ou com comida, construção de moradia, utensílios para casa, uma sopa, ou alguma iniciativa que promova a melhor autoestima do outro e muito mais. 
Todos sabemos que em caso de uma catástrofe causada por fatores da natureza, como as cheias dos rios, a chuva torrencial, a queda de barrancos, ventos derrubando casas, o brasileiro logo se prontifica, e o trabalho  voluntário, as doações aparecem de imediato, o que é ótimo, maravilhoso mesmo de se constatar.  Mas quanto é bom vermos as ações se dando no dia a dia da vida das pessoas, independentemente se houve campanha pública suscitando apoio a uma causa ou não. Sim, porque  aquele que vive com um irrisório salário para cobrir todas as suas despesas e a dos seus familiares; aquele que trabalha por conta própria, em certos dias conseguindo vender seus produtos, noutros não; o que luta em regiões insalubres e em situações precárias, precisa, sim, é do apoio constante, entretanto nem sempre consegue.
Assim, para trazer alguns exemplos - e o caro leitor decerto já se lembrou de alguma ação com voluntariado, ou talvez seja você mesmo um voluntário social em alguma atividade - me reporto a fatos recentes de Brasília. Um deles se refere ao trabalho que a Profa Sílvia de Castro e um grupo de alunos de Odontologia têm prestado a instituição Casa Santo André. Não foi uma ação que começou tão logo veio a ideia, pois faltavam equipamentos e demais recursos para os atendimentos, além de voluntários. Mas, com o tempo, tudo deu certo e, assim, moradores em situação de rua passaram a receber regularmente atendimento dentário, e, segundo a professora, os casos mais frequente nessa população agora assistida são as cáries e a gengivite.  
Outro exemplo, e este também de nossa Capital,  é o de uma refeição que é servida todos os sábados, com cerca de quatrocentas marmitas a pessoas que tiram seu sustento e o de seus familiares, a partir do trabalho no lixão. São os catadores de lixo, e eles passam o dia em meio a todo tipo de dejetos descartados, recolhendo o que pode lhes render algum dinheiro, entre garrafas, papelão, latas e outros resíduos. A essas pessoas é que um grupo de amigos e missionários da comunidade Canção Nova, junto de pessoas da Congregação, também católica, Lumen Dei, serve uma farta galinhada enriquecida de cenoura e couve. Nesse sentido, arrecadam alimentos e também refrigerantes, aliviando ao menos um pouco as dificuldades que os profissionais do lixão enfrentam.
 Exemplos como esses têm ecoado forte ultimamente: são pessoas se unindo para levantar uma casa, de alvenaria ou de madeira; as doações de agasalhos, remédio;  atenção a alguma emergência no tocante à saúde quando alguém espera por meses ou até anos para fazer uma intervenção cirúrgica; os Doutores da Alegria, nos hospitais, e tantos outros. E ressaltemos, também, a assistência aos animais de rua que têm merecido atenção, com pessoas construindo casinhas, por exemplo para cachorros, em praças ou em alguma rua, além de que, permanentemente, assistem os bichinhos, alimentando-os, cobrindo-os . 
Muito bom tudo isso. Afinal, sempre soubemos de pessoas desassistidas e carentes de atenção, de carinho, de nossa caridade, ainda mais nos difíceis tempos como os da atualidade. É mister, pois, que saiamos de nossa zona de conforto e busquemos alguma inserção na realidade conturbada que tantos vivem. 

Margarida Drumond é professora, jornalista e escritora com mais de uma dezena de livros editados, dentre eles: Um conflito no amor, No acerto dos bondes e Padre Antônio de Urucânia, a sua bênção.
Contatos: (61) 99252-5916 margaridadrumond@ gmail.com  www.margaridadrumond.vai.la