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quarta-feira, 26 de julho de 2017

A MAGIA DE ESCREVER



Margarida Drumond de Assis

 Converso com você, hoje, sobre uma data que tem muito a ver comigo e com todos aqueles que se entregam à paixão que é escrever: 25 de julho, Dia Nacional do Escritor. E só trago esta reflexão neste momento, exatamente porque, ontem e mesmo hoje durante todo o dia, estive absorvida demais em pesquisas para um novo livro, agora sobre Padre Abdala Jorge, esse vocacionado por Deus para a santidade e  que por  57 anos serviu a Deus na pessoa do outro e à Igreja, na Paróquia São José de Acesita, em Timóteo, Minas Gerais. Há apenas sete meses entreguei aos leitores meu livro mais novo, o ensaio Da página ao palco: estudo e transposição de linguagem de O espelho, de Machado de Assis, e o fiz quando levei a Caratinga, no auditório do Centro Universitário de Caratinga – UNEC, a biografia Dom Lara: vida de amor, testemunho de caridade, lançado em Cel. Fabriciano em dezembro de 215, por ocasião dos 90 anos de vida do agora saudoso Dom Lelis Lara. Já em Brasília, o Da página ao palco teve lançamento no mês passado, na 33ª Feira do Livro de Brasília, quando contei com vários amigos na apresentação da palestra de abertura das celebrações de meus 40 anos de atividades literárias.  
 É, pois, no afã desta alegria que é partilhar com o leitor a lembrança desta data sobre quem partilha sua criatividade, pensamentos e emoções acerca de fatos e pessoas que compõem nosso viver, que aqui estou agora. Como lembrou nosso poeta maior, “Lutar com palavras é a luta mais vã. Entanto lutamos mal rompe a manhã. São muitas, eu pouco (...)”. Quanta sensibilidade teve Drummond, assim definindo a magia de escrever! Também muito me tocou o que externou uma escritora de Roraima, segundo quem “ser escritor é se jogar no abismo... É um ato de coragem!” De fato é preciso ter coragem para se deixar ver nas páginas de um livro, criando histórias, poesias, expondo coisas, pensamentos, fatos históricos, em tudo passando a própria visão de mundo, com o risco de a sua mensagem não alcançar o que a princípio se desejou. Por outro lado, não deve ser preocupação do escritor um alcance restrito de sua palavra, pois uma vez escrita, ela segue seu caminho, podendo suscitar no outro diferentes sentidos e interpretações. E que bom que é assim, pois buscamos, na arte de escrever, informar, entreter, fazer pensar. Se tal é alcançado, o escritor deu um importante passo. 
E, eu, particularmente, neste caminhar entre um e outro livro que vou lançando, vibro com as descobertas que faço, sendo um desafio  torná-lo possível. Sim, porque não basta ter uma ideia e colocá-la no papel, é preciso lapidar o pensamento, tanto quanto possível, tirando arestas, até que, após ingente luta com as palavras, ela se nos vem acessível, levando-nos a crer que pode chegar ao leitor. Bem escreveu o romancista e poeta francês, Victor Hugo, quando aconselhou: “Escritores, meditem muito e corrijam pouco. Fazei as vossas rasuras no vosso próprio cérebro”. A maturação é necessária. 
 Tomando agora por outro ângulo a questão do Ser Escritor, ainda temos a angustiante preocupação sobre como editar a obra. Como fazer chegar ao leitor um livro se os orçamentos editoriais são gritantes, se também a Distribuição é outro fator com que devemos muito nos preocupar? Para ilustrar, eu mesma tenho pronto para edição um novo romance, o Doce complicação, embora não saiba como esse intento se dará, mas uma certeza há: ele chegará em breve. E o que dizer do livro para o qual comecei  pesquisa em março último, acerca de Padre Abdala, esse intrépido e grande sacerdote da igreja de Timóteo, Diocese de Itabira – Cel. Fabriciano, para quem é muito mais importante dar atenção ao ser humano do que erguer um templo e não se ter a certeza de que a pessoa que nele entrará estará bem?  No fazer literário, uma coisa deve estar clara: o que importa primeiro é se pôr a caminho e acreditar que o restante virá. 
Assim, neste momento em que lembramos o Dia do Escritor, inicialmente registrado em 25 de julho de 1960, por iniciativa de Jorge Amado e João Peregrino Júnior, no I Festival do Escritor Brasileiro, sob organização da União Brasileira de Escritores - UBE, fica-nos a esperança de que o escritor jamais se sinta tolhido. Dificuldades externas podem advir, mas a coragem deve sobrepor-se, levando-o sempre ao prazer de escrever. 
 

Margarida Drumond de Assis é professora e jornalista, autora de Um conflito no amor e Além dos versos, entre outros  livros em gêneros literários diversos. 
Contatos: www.margaridadrumond.vai.la Tel. (61) 98607-7680 
 https://www.facebook.com/margaridadrumond

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