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sábado, 14 de maio de 2016

A POLÍTICA BRASILEIRA NA RODA-GIGANTE

A POLÍTICA BRASILEIRA NA RODA-GIGANTE

Margarida Drumond de Assis

O momento político por que passa o país, hoje, é mesmo o de nos colocar em alerta. Vê-se bem quanto são grandes os prejuízos sociais e econômicos enfrentados pela imensa maioria da população e quanto é instável a possibilidade de a presidente Dilma Rousseff governar o país e de o Senado e a Câmara cumprirem com suas funções pelo bem do povo.

O desemprego crescente atinge mais de onze milhões de brasileiros o que, naturalmente, leva à recessão, pois, sem dinheiro, as pessoas deixam de investir em compras e, quando o fazem, atêm-se ao necessário, optando pelo que está mais em conta; sem poder de compra, a alimentação é regrada, comprometendo a saúde. Resultado é que a pessoa se enfraquece, fica mais fragilizada  e adoece, e tal acontecendo vem a dificuldade  com o atendimento médico: faltam desde médicos, equipamentos para exames, a própria medicação e até o básico que lhe permitiria aguardar bem acomodado, enquanto se recuperasse. Faltam leitos, lençóis, tudo. E se o doente, em alta hospitalar, precisa da medicação prescrita, aí tudo se complica: não havendo como fazê-lo, a pessoa se vê sem expectativa para retomar sua vida, voltando a trabalhar e, assim, engrossa as estatísticas dos que vivem improdutivos para o país, sem trabalho, sem renda e precisando de ajuda. 

Todo esse quadro leva-nos à constatação de que vivemos um caos, e outro quadro aviltante vai se tornando claro: empresários e consumidores não vão mais aos bancos pedir empréstimo e se percebe que a demanda já há bem tempo está em queda, retraída; quem deseja comprar algo para si ou para sua família, quem sabe desejoso de um investimento em imóvel ou na reforma da casa, não o faz mais, enquanto de seu lado  os empresários, além de não investirem em maquinário novo, também reduzem o quadro de pessoal.

Esses dados dirigem nosso pensamento e atenção na direção de nossos governantes. Mas o que vemos? Executivo e Legislativo não mais se entendem, há uma intransigência incomum que impossibilita o diálogo, tudo resultando em acusações de uns contra os outros. Na Câmara e no Senado, cada vez se torna mais difícil encontrar quem não esteja ligado a um processo por corrupção, lavagem de dinheiro, envolvimento com tramoias tantas que envergonham os brasileiros que já pensam como farão para votar em 2018, se tão logo o representante assume o poder, lhe cresce a vaidade e o interesse em beneficiar a si mesmo.
No tocante à presidente Dilma Rousseff, quem não se lembra de quanto crescia a sua popularidade, desde sua posse em 2010? Batia recordes, com todo mundo orgulhoso por ver uma mulher no governo do país, a mesma que bravamente vencera as intempéries que surgiram em seu caminho, como a prisão na época da ditadura. E essa história somava-se ao valoroso projeto de bem governar o Brasil, fazendo-o crescer, dando atenção também às classes menos favorecidas.

Mas os anos se seguiram e cresceram os problemas, desestruturando planos, atravancando soluções possíveis pelo bem do povo. Cresceram as discussões por envolvimento de nossos políticos em escândalos , como os do Mensalão e da Operação Lava Jato. Dilma já não se achou mais, perdeu-se em meio aos que a rodeavam. E passamos a ver deputados e senadores utilizando o espaço onde antes se votavam leis  pelo bem da nação, agora como palco de acusações e injúrias de uns contra os outros - "Vossa excelência é um canalha!", já diziam - a maioria desfiando deslavadas desculpas alegando inocência. E vai um deputado preso, mais outro, vai um senador e mais outro, às vezes três, quatro deles de uma vez, chegando ao ponto de na Presidência da Câmara permanecer um deputado já acusado por lavagem de dinheiro, concussão e outros crimes, deputado Eduardo Cunha.
Fato é que cresceram os embates, tantos foram os casos de corrupção descobertos, e o assunto veio à tona. O governo Dilma se viu sem chance de governabilidade; passou a ser acusado de infringir a Constituição, o que, como temos visto, o impeachment lhe é ilegítimo.

E, agora, nove de maio de 2016, o que vemos é: de um lado a presidente que luta para não deixar o poder a ela conferido por milhões de eleitores. Tenta desvencilhar-se de ser empurrada para debaixo do tapete, aceitando a renúncia  de mandato - afina, ela vê os acontecimentos, as acusações que lhe impingem, como pura vingança de quem não a quer à frente do governo do país, ela uma mulher; ela vê as retaliações como algo injusto.
DE outro lado, via-se o relutante Cunha, declaradamente visto em vários processos, como alguém nocivo ao país. Porém, ele permanecia na casa, chegando a dirigir as votações do impeachment, embora protestos dos deputados que, naquele evento, antes de dizerem o "sim" ou o "não" quanto à saída da presidente Dilma Rousseff, dirigiam-se  indignados a Eduardo Cunha, acusando-o de ser indigno de ser o presidente da Câmara e da Mesa, naquela votação.                                 Os confrontos prosseguiam e a população, indignada, voltou às ruas, também dividida como deputados e senadores. Aceita-se ou não o Impeachment? Caos geral é o que resultou; brigas, prisões em meio às manifestações. E nesse mi mi mi sem conta,  a confusão prolongando-se. Ficam os projetos de interesse nacional esquecidos, sem votação. 

Felizmente, o Superior Tribunal Federal -STF se manifestou, na pessoa do ministro Teori Zavasck, fazendo ver o poder da Alta Corte: interveio como moderador, pondo fora da Câmara o deputado Eduardo Cunha, contando com apoio de toda a Corte: 11 x 0. O STF se fez esteio para que prevalecesse o Estado democrático de direito, impôs limites à bagunça que se via e envergonhava o país.

Mas a situação não está resolvida, há indecisões no cenário, tanto no tocante à saída da presidente, pelo prazo de 180 dias, enquanto o Supremo decide sobre o julgamento final do impeachment quanto a Câmara decide  se assume  o vice Waldir Maranhão ou se escolhem um novo presidente.

Enquanto isso vemos o vice de Dilma, Michel Temer, correr para montar seu possível governo, até já anunciando mudanças, como a redução no número de pastas no Ministério, parecendo ter como certo que continuará ele na Presidência foi Brasil, caso assuma com o afastamento da Presidente, pela votação do Senado, neste dia 11 de maio. E nos perguntamos se ela, caso afastada, terá como reunir forças políticas que lhe favoreçam retornar ao poder. 

Uma coisa fica-nos clara: toda essa turbulência, tantos desajustes como os que temos visto - á noite dormimos com um cenário e ao acordarmos temos outro - devem nos servir de sinal para melhor escolhermos nossos representantes nos próximos pleitos. Não podemos mais nos sujeitar  a um clima de insatisfação e até mesmo de desespero em meio a tanta corrupção, tantas mentiras, fazendo aumentar a tensão da população que vive em sofrimento, à revelia de uma competente  assistência à Saúde, à Educação, à Segurança... tudo emperrando o desenvolvimento da nação e o bem-estar das pessoas.


Margarida Drumond de Assis é escritora, jornalista e professora em Brasília; membro da Academia de Letras e Música de Brasília - ALMUB e da Associação Nacional de Escritores – ANE.

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