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segunda-feira, 17 de abril de 2017

JESUS, CAMINHO PARA A PÁSCOA

JESUS, CAMINHO PARA A PÁSCOA
Margarida Drumond de Assis

                Ao vivermos hoje o encerramento das celebrações da Semana Santa, na qual fizemos memória da Paixão e Morte de Jesus, como a Igreja nos favorece anualmente, temos agora a oportunidade maior: celebrar a sua Ressurreição.
                Recordamos o caminho de escombros que Jesus percorreu, e esta Via Crucis do Mestre se repete hoje por causa de nossas iniquidades e omissões na luta pelo bem  de todos. Nossa cruz lhe foi posta sobre os ombros, e Jesus caminhou, tropeçou, caiu. No percurso, a Mãe dolorosa ali estava e lhe abriu os braços, mas não o pode abraçar; seguiu-o em seus passos. E Maria tornou-se para nós exemplo de coragem e amor infindável. Cirineu é levado a ajudar o Mestre, por um instante; também nós devemos estar prontos a descobrir caminhos de esperança para nosso irmão. Não podemos nos omitir. Jesus retoma a cruz, Verônica enxuga-lhe a face, e Ele se faz presente em seu lenço, como o faz hoje em seu incomensurável amor. Permanece conosco, vivo no Sacramento da comunhão, no nosso amor àquele que nos pede orientação ou ajuda fraterna. Duas vezes cai Jesus no início do calvário, e de novo, mais à frente, vai ao chão; é açoitado. Afinal, está no cimo do Monte: tiram lhe as vestes, e o seu púrpuro sangue cobre-lhe a túnica. Única. Muitas vezes também nos são arrancadas as vestes quando os opressores nos tiram o direito a uma vida digna, com saúde, educação, segurança. Com duros cravos Jesus é pregado na Cruz, e em sua divindade humana (I Pd 2,24), grita. Terá o Pai abandonado Seu Filho unigênito no crucial momento? Morto, a luz vai às trevas. Descido da cruz, o Santíssimo Cordeiro jaz agora no colo da Mãe amorosa. No túmulo posto, prossegue Jesus a Missão para a qual fora enviado: mostrar-se, por Ele próprio, sua vida e testemunho, ser o Caminho, a Verdade e a Vida. E no terceiro dia, madrugada de domingo, por nós Jesus ressurge vivo, e, glorificado, retorna ao Pai. O que foi morto, com esplendor venceu a morte e ressurgiu à vida: é a Páscoa de Jesus.
                Pela trajetória do Mestre, hoje novamente clarificada à nossa mente e coração, devemos também abraçar com fé e coragem o percurso que se nos apresenta , às vezes difícil e doloroso. Ao recordarmos que Jesus, o justo e inocente foi condenado e por grande suplício passou até chegar de novo à vida, agora vida plena, vemos a importância de nos colocarmos prontos para, com Ele e n’Ele, lutarmos por uma vida melhor para cada um de nós e para a sociedade como um todo. A unidade e o respeito entre as pessoas, assim como a fraternidade, só se tornam possíveis em presença do amor, mesmo com tropeços e dificuldades na caminhada. Para isto, devemos de fato ser irmãos uns dos outros, como filhos de um mesmo Pai que ama a todos,  indistintamente.
                Conforme os Evangelistas Mateus (24, 42-44;   25, 13), Lucas (12, 12-36) e Marcos (14, 38), em Cristo vemos que a vida não é aniquilada, mas transformada, e feliz de quem, durante o caminhar, escutou e cumpriu a palavra de Deus, tornando permanente o seu Reino de amor. Porém, tal não acontece, por exemplo, com a desigualdade de direitos; quando vemos nossas  autoridade sendo desonestas e sem ética, fazendo minar os recursos e chances de vida às pessoas; quando o erro torpe embrutece e torna pessoas capazes de roubar, matar, fazer guerra, dizimando tantas vidas.
                A glória de Deus e a sua Páscoa tornam-se presentes quando o ser humano tem como assumir com dignidade a sua vida, favorecendo o mesmo para os seus. Para bem vivermos a Páscoa, recordemos que da cruz, de onde Jesus gritou “Tudo está consumado”, vem-nos também a Verdade da Ressurreição, recordemos também o que disse o Mestre: “Eu sou o Alfa e o Ômega, e eis que faço nova todas as coisas”, e, conscientes, também nós ressurgiremos.

                                                                                                         Brasília/DF, 15 abr. Páscoa de 2017

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