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domingo, 13 de agosto de 2017

PAIS... E DE REPENTE SEU FILHO CRESCEU

Margarida Drumond de Assis

 

É o segundo domingo de agosto, data em que me vem o tempo de escola primária, quando a professora, ao falar sobre as várias datas do ano, destacava a do Dia dos Pais. E então pensávamos na presença de nosso pai, ao lado da mamãe, ambos a cuidar dos muitos filhos que tinham. Eu mesma sou a oitava dentre os quatorze filhos. Hoje, porém, neste dia dedicado aos pais, somos levados a ver o pai como aquela pessoa que é responsável pela educação, saúde, crescimento saudável, formação cristã e muito maisna vida de quem está sob a sua responsabilidade. O núcleo familiar mudou: há pessoas diversas  na função de pais, educando, ensinando, protegendo – são pais mesmo com suas esposas; são mães que, separadas de seu marido ou companheiro, ficaram com os filhos; são casais homoafetivos e muito comum, hoje, avós a cuidar dos netos como se filhos fossem. 

Nesse contexto de um tempo tão diverso do que conhecíamos quando criança, com todo mundo sendo convidado a respeitar a pessoa como ser humano que é, mais do que se fazia antes, pois as novidades são várias, me ocorre um texto de Antoine de Saint-Exupéry, em O pequeno príncipe, livro que eu gostava muito de ler, folhear, copiar os pensamentos que me sugeriam colocar no cabeçalho de uma carta que eu escrevia a meus irmãos, muitos deles morando distante de casa. Assim escreveu Exupéry: “Quando o mistério é muito importante / a gente não ousa desobedecer, // É preciso exigir de cada um / o que cada um pode dar. // A autoridade repousa sobre a razão. // É bem mais difícil julgar a si mesmo / que julgaros outros. / Se consegues julgar-te bem, / eis um verdadeiro sábio.  // Só se vê bem com o coração.// O essencial é invisível para os olhos. //. E ainda aquele pensamento do qual você deve estar se lembrando: “Tu de tornas eternamente responsável por aquilo que cativas .  

Pois, então, é por este ângulo que devemos pensar hoje no dia dos pais, não desconsiderando, é claro, os pais em um núcleo familiar tradicional. Ser pai é saber cuidar do filho ou filha como ele é, respeitando-o na sua individualidade, procurando descobrir quais aptidões profissionais ele poderá exercer; ou, no campo da arte, levá-lo (a) a entender e sentir se ele (a) se identifica mais com a música, a dança, o teatro, com a escrita; ou se é ligado ao esporte, em suas várias possibilidades; é ser referência de vida para o filho. Ser pai é perceber que o filho não cresce de forma igual; cada dia há uma nova chance, algo diferente pode acontecer; cada filho tem sua personalidade, seu jeito de ser,  e como tal deve ser respeitado. E é preciso estar atento, pois quando você se dá conta ele cresceu, já é rapaz ou moça, quer ir pras baladas, sair; começa a descobrir a sexualidade, o amor. E “de repente, não mais que de repente”, fazendo minhas as palavras de Vinícius de Moraes, seu filho ou filha constituiu família e vêm os netos. A estes, de quem você não é o pai, mas vovô ou vovó, você quer cobrir de amor e cuidados, talvez até porque percebeu que poderia ter amado e abraçado mais o seu filho, brincado mais com ele, dialogado mais. Nos netos, a reedição de nosso afetoé mais uma oportunidade que nos dá a vida. 

Então, pais, neste dia, a hora é de agradecimento pela oportunidade de ter tido alguém seu - filho biológico; aquele que você adotou; ou alguém que lhe despertou afeto e cuidado, pessoa à qual você, ainda que esporadicamente, acompanha o crescimento e ajudaDevemos cada um de nós, que é responsável pelo outro,permitir que ele cresça com dignidade e feliz, crescendo também no amor de Deus, crescer como Igreja; devemos procurar sempre tornar bonito o amor com que cuidamos de nossos filhos.  

Brasília, 13 de agosto de 2017.

 

Margarida Drumond é escritora, jornalista e professora, autora de vários livros, dentre eles dois de crônicas – Não dá pra esquecer  e Isso, aquilo e mais um pouco. 

Contatos: (61) 99252-5916margaridadrumond@gmail.com; www.margaridadrumond.vai.la

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