.

.

sábado, 24 de junho de 2017

Cachoeira do Vale - Timóteo em Festa: instalação da Paróquia e votos das Irmãs da Beneficência Popular


 Margarida Drumond de Assis

 

Alegria imensa senti na noite deste 23 de junho. Aconteceu nessa data a instalação da Paróquia São João Batista, no Distº de Cachoeira do Vale, Timóteo -localidade onde vivi por anos, a partir dos meus seis anos de idade, e a festa de renovação de votos de Vida Consagrada das muito amadas Irmãs da Associação Beneficência Popular, congregação religiosa fundada em 1946, em Alvinópolis, pelo querido e saudoso Mons. Rafael Arcanjo Coelho. 

Trata-se de dois fatos sumamente importantes para o município de Timóteo que, desde o seu início traz características muito fortes de religiosidade, com um povo bastante fervoroso, Lembremo-nos, por exemplo, de que no início a localidade foi também conhecida como São Sebastião do Alegre. O outro relevante evento, a celebração das Irmãs da Beneficência Popular, merece também nosso preito, pois a história do município se funde com a presença delas, desde o tempo de Mons. Rafael,1950, pouco depois da criação da Companhia Acesita em 1944, e elas sempre ajudando a Paróquia São José, de Acesita, em trabalhos pastorais diversos, para o bem da comunidade. 

A Paróquia São João Batista, vem se somar às Paróquias de São Sebastião, na sede do município, e à de São José, de Acesita, fato que muito enriquece a comunidade de Cachoeira do Vale, agora com um sacerdote totalmente habilitado para o exercício de funções como Pároco, assim possibilitando maior dedicação ao povo local no serviço a Deus, dignificando a pessoa humana em suas necessidades espirituais e também atento a possíveis ações sociais para o bem de todos. 

A instalação da Paróquia São João Batista se deu, pois, no dia 23 de junho deste 2017, em solene celebração litúrgica presidida pelo bispo da Diocese de Itabira – Cel.Fabriciano, Dom Marco Aurélio Gubiotti, concelebrada por padres diversos de Timóteo e regiões vizinhas, em presença das religiosas da Beneficência Popular e grande número de fiéis residentes em Cachoeira do Vale e mesmo em Timóteo como um todo. O bispo diocesano deu provisão a Pe. Jose Geraldo de Melo para ser o Pároco, cabendo-lhe a responsabilidade por todas as atividades pastorais e administrativas da nova Paróquia. A instituição da Capela São João Batista como Quase Paróquia ocorrera em 28 de fevereiro de 2016, também em missa solene com Dom Marco Aurélio que, na ocasião, dera provisão ao Pe. Josimar Nunes, hoje pároco da Paróquia São Sebastião. 

Para a instalação da Paróquia no imenso distrito de Cachoeira do Vale, seriam necessárias presenças de comunidades, e assim estão instituídas: Comunidade Nossa Senhora Aparecida, Comunidade Santo Agostinho, Comunidade Santa Luzia, Comunidade Sagrado Coração de Jesus e Comunidade Santa Rita, referentes às localidades de Lagoa do Pau, Olaria, Grota dos Vieiras, Petrópoles e Santa Rita, respectivamente. 

Belamente vinculada à celebração litúrgica da instalação da Paróquia, aconteceu a renovação de votos de Vida Consagrada de mais de vinte irmãs presentes. Além das que vivem e trabalham em Cachoeira do Vale, lá se encontravam religiosas vindas de diversos lugares, comoAlvinópolis, Antônio Dias,  Mariana e São Paulo. Além da renovação de votos de todas elas, no serviço à Igreja e ao próximo, duas comemoravam seus “50 anos de Vida Consagrada a Deus na Beneficência Popular”, conforme a lembrancinha distribuída a todos os presentes, as freiras -  Irmã Maria Antônia de Bortole - Irmã Tonica, de Cachoeira do Vale, e Irmã Terezinha Maria de Jesus, de Assis - São Paulo.

Pode você que talvez não conheça bem a Congregação estar se perguntando o porquê de o evento ter se realizado no dia 23 de junho e também desejoso de saber como está, hoje, essa Associação deixada por Mons. Rafael. Nesse sentido, e eu estando em Brasília, falei ao telefone, com a querida Irmã Aparecida, ela que, ao lado de Irmã Alvimar, trabalhou na Paróquia São José, de Acesita, ajudando o saudoso Pe. Abdala por mais de cinquenta anos. Nesse dia, véspera da festa a São João Batista, a Igreja celebra a festa do Sagrado Coração de Jesus, devoção que Mons. Rafael Arcanjo Coelho tanto divulgou, e me lembro bem quanto isso destaquei no meu livro Tempo de saudade, mostrando o fervor dele e de fiéis de seu tempo à comunhão eucarística nas Primeiras Sextas-feiras, por nove meses seguidos, tendo mostrado seu desejo de que a renovação de votos na Vida Consagrada se desse anualmente no dia dedicado ao Sagrado Coração de Jesus, que é o patrono da instituição, junto com Nossa Senhora das Dores.

E o seguimento ao exemplo de vida deixado por Monsenhor Rafael é o que se pode constatar, ainda hoje,com Irmãs da Beneficência Popular, em torno de cinquenta, distribuídas em várias cidades do Brasil, dentre as quais em Minas Gerais, São Paulo, Piauí, Belém do Pará e também na Bolívia, sob a coordenação, atualmente, da Madre Geral da Congregação, Maria da Consolação Coelho, na casa-sede em Mariana, Minas Gerais.  

Então, quando em meio a tantas indecisões que vemos por parte de nossas autoridades para melhor definição dos destinos do país, tantas coisas fora do trilho, digamos assim, é motivo de júbilo a realização de tais eventos. 

 

 

Margarida Drumond de Assis é professora, jornalista e autora de vários livros publicados, dentre eles Padre Antônio de Urucânia, a sua bênção; De novo o amor; Aconteceu no cárcere e Um conflito no amor, com o qual celebra neste ano seus quarenta anos de caminhada literária. Contatos: margaridadrumond@gmail.com tel. (61) 99252-5916

sexta-feira, 9 de junho de 2017

A NAÇÃO EM SUSPENSO

        A NAÇÃO EM SUSPENSO 

Margarida Drumond de Assis

                É como estamos todos, ultimamente, mediante o quadro político que se descortina diante de nós:  em suspenso, isto mais ainda desde que, na última terça-feira, se iniciou o julgamento no Tribunal Superior Eleitoral – TSE,  com a retomada da análise do pedido de Cassação da chapa Dilma - Temer, feita pelo PSDB, por abuso de poder econômico. Como era de se imaginar, os sete juízes da Corte, entrando hoje - 9 de junho, no quarto dia de sessões, ainda não apresentaram o resultado final que pode ter várias possibilidades, mas, se cassada a chapa, poderá levar ao desembarque  do executivo  o presidente Michel Temer. Em questão, até o início desta manhã de sexta-feira, se para o julgamento mantêm a pauta da Campanha eleitoral de 2014, ignorando as mais recentes revelações apontadas pelas delações da Odebrecht, notadamente as que foram feita s pelo empresário Joesley Batista, na qual em sua delação se percebeu que o presidente tê-lo-ia incentivado na compra de silêncio.
                A situação é de uma aguda crise no cenário político, quando vemos sucessivamente fatos acontecendo e que denotam quão duvidoso é o caráter, com raras exceções, dos políticos que estão à frente da nação, em qualquer um dos poderes, seja do Executivo, Legislativo ou  Judiciário.  No caso do julgamento, o presidente Temer se vê em apuros, pois contra ele, além das delações sobre seu envolvimento com Caixa 2, foi preso nesses dias o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures, dito seu homem de confiança, acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro; a prisão representa uma baixa para o presidente. Em uma das ações controladas pela Polícia Federal, Loures foi visto recebendo uma mala com R$ 500 mil da JBS, empresa controlada pela J&F, que seria parte de uma propina a ser paga a ele ao presidente Temer.  Assim, em caso de uma delação pelo ex-deputado, aumentariam os riscos de o Presidente ser cassado.  Conforme o relator da Lava-Jato no STF, ministro Edson Fachin, explicando a prisão, “o agente aqui envolvido [Loures] teria encontrado lassidão em seus feitos inibitórios e prosseguiria aprofundando métodos nefastos de autofinanciamento em troca de algo que não lhe pertence, que é o patrimônio público”.
                Enquanto se imagina que fatos novos podem advir, os embates no julgamento prosseguem, tendo o Relator do caso, Min. Herman Benjamin, defendido a inclusão dos depoimentos de ex-executivo da Odebrecht, contestada pelas defesas de Dilma e Temer.  Tal inclusão é vista como crucial, uma vez que ela enfraqueceria o processo que já conta com mais de oito mil páginas, distribuídas em 29 volumes. Em meio a tudo, ressaltemos, estão documentos e transcrições de 80 horas de depoimentos. Se os juízes concordarão ou não com o julgamento levando em conta as delações dos últimos tempos, embora elas não estivessem requeridas na petição inicial, as milhares de páginas do Processo, por si só, conforme tem manifestado o relator Herman, já contêm provas de envolvimento de Temer com o Caixa 2. As argumentações do Relator têm sido tão incisivas, às vezes claramente falando ou valendo-se de metáforas, não deixando dúvida de que ele é pela Cassação da Chapa. Conforme  o ministro Herman, a Odebrecht já deveria ter sido arrancada a fórceps, há muito tempo; também frisou  que o quadro político hoje é como se estivéssemos diante de uma cirurgia para tirar um tumor maligno, o que no entanto não se pode fazer por já se constatar metástase.   
Mas quem são esses da Corte que têm nas mãos o poder de Sentença? Além do ministro Relator, ali estão: Luiz Fux, vice-presidente do TSE, indicado para o STF pela ex-presidente Dilma, em 2011; Gilmar Mendes, Presidente do TSE, indicado para o STF, em 2002,  pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Ele é crítico do PT e próximo de Temer; Napoleão Nunes, ministro do STJ, escritor e membro da Academia Cearense de letras; Admar Gonzaga Neto,empossado por Dilma em 2013, como Ministro Substituto do STE; Tarcísio Carvalho Neto, no cargo de ministro substituto do TSE, também subprocurador –geral do Distrito Federal; e Rosa Weber, ex-ministra do Tribunal Superior do Trabalho, indicada para o STF por Dilma. Sem dúvida, são renomados juízes, mas há dentre eles interlocutores de Michel Temer que contam com o apoio de Gilmar Mendes; garantido mesmo pela cassação, apenas o voto do relator ministro Herman Benjamim.
Afinal, permaneçamos atentos. Se aprovado o pedido de Cassação, ainda poderemos ter: - pedido de vista, o que  se dará após a leitura do relatório pelo ministro Herman. Tal pedido pode advir dos ministros Napoleão Maia ou de Admar Gonzaga e Tarcísio Carvalho; caso aconteça, não há prazo definido para que o processo volte a plenário, podendo retornar, quem sabe, só em agosto, devido ao recesso em julho; - se a chapa for cassada, e sendo seguido o entendimento do procurador-geral Nicolao Dino, só a ex-presidente ficará inelegível. Caberá recurso ao STF e Temer, no cargo, poderá recorrer da decisão. Se a decisão for mantida, será presidente interino Rodrigo Maia, presidente da Câmara, e ele terá 30 dias para marcar uma eleição indireta para completar o mandato até 31 de dezembro de  2018; - se a chapa for absolvida, Dilma e Temer não perdem os direitos políticos, e Temer fica no cargo até o fim, caso não venha a ser condenado pelo STF no processo de obstrução de Justiça.
                                                                                  Brasília, 9 de junho de 2017









Margarida Drumond de Assis é professora, jornalista e autora de dezesseis livros editados em vários gêneros literários. Destacam-se, Tempo de saudade, com a história de Timóteo; Dom Lara: vida de amor, testemunho de caridade, biografia ; e Não dá pra esquecer – crônicas. É membro da Academia Taguatinguense de Letras – ATL e da Academia de Letras e Artes do Brasil – ALMUB www.margaridadrumond.vai.la  Contato: margaridadrumond@gmail.com Tel. (61) 9252-5916  

quinta-feira, 1 de junho de 2017

ÔBA QUE É FESTA, JUNHO CHEGOU

ÔBA QUE É FESTA, JUNHO CHEGOU!

 

Margarida Drumond de Assis

​Novamente é junho, mês que tantas mensagens de alegria nos traz. Lembramo-nos, espiritualmente falando, da celebração de Pentecostes, conforme está em Jo 19, 23 – “Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio. Recebei o Espírito Santo!”; e há Corpus Christi, relato do mesmo evangelista, 6, 51-58 – “Minha carne é verdadeiramente comida e o meu sangue verdadeiramente bebida”, eventos que nos fazem pensar quanto somos amados e também na missão de “enviados” para fazermoso bem a outrem. E junho nos introduz ainda, e de forma intensa, nas animadas festas que se constituem em verdadeiro convite à celebração da amizade, oferecendo-nos o contato, não apenas por celular, mas nos convidando a uma aproximação de uns com os outros, pessoalmente, de nos abraçarmos ao redor de uma fogueira, de dançarmos uma quadrilha, entrarmos nos folguedos que homenageiam os santos do mês, Santo Antônio, São João e São Pedro, sem falar que há o dia dos namorados, uma bela chance ao amor.

​É bom pensarmos nas alegrias que junho nos oferece, de deixarmos um pouco de lado a descrença que se apossou de nós quando vemos no país crescer as mazelas sociais, a corrupção proliferando incessantemente, por parte daqueles que deveriam bem conduzir os destinos do país, pois, se no poder estão, é porque foram eleitos pelo povo. Sim, porque todo o tempo vermos quanto tem sido deprimente o cenário que se nos descortina, conforme retratam os noticiários, é mesmo desgastante. Então que tal pensarmos um pouco nas festas de junho? Elas trazem, por excelência, o saudável empenho de todo um povo lutando para manter vivas as suas tradições nas brincadeiras e cantorias do período. No nordeste do país, por exemplo, sabe-se que as festas de junho têm prioridade; até as férias no meio do ano ficam em função dos eventos e em muitas cidades nem é só junho que conta, a festa é também julina. Eita que isso é bom demais, num é não?!

​E nos reportando ao costume tão aconchegante de se acender a fogueira nas festas juninas, a tradição nos dá conta de que ele se origina do fato de que povos antigos procuravam acendê-las às Divindades, intercedendo ao deus Sol um inverno menos rigoroso. Mas há também a versão de que a fogueira foi utilizada como um sinal de Zacarias e Isabel, moradores das montanhas, avisando aos primos, inclusive Maria, casada com José, o nascimentodo bebê, apesar de já estar em idade avançada. E a lenda diz que, em resposta, os outros que foram vendo a fogueira também acenderam outra, comunicando que sabiam da boa notícia da chegada de João Batista.   

Vemos então que a fogueira é um sinal de alegria e,por isso mesmo, caminhemos em sua direção; decerto há um desses encontros já sendo organizado perto de sua casa ou trabalho; a fogueira já vem sendo montada; os balões e bandeirolas, dependurados, faltando você, lá. Ah, você não ensaiou para a quadrilha? Informe-se, quem sabe dá paraensaiar ao menos uma vez e entrar na dança. De qualquer forma, só de estar no alegre ambiente de festa junina já anima, dá força à vida. Quão divertidos são o Casamentona Roça, o pular a fogueira, se deleitar com as iguarias típicas dessas animadas noites, como o quentão, a batata doce e o milho assados, a canjica grossa... E o ânimo de um e outro nesses festejos, estimula quem ao lado estiver. 

Coisa boa nesses ambientes, também, é quando, ao contrário do que já acontece em tantos lugares com músicas que pouco ou nada têm a ver com o ambiente, ainda podemos ouvir os cantos que vêm sendo passados, geração após geração; assistir às brincadeiras alusivas aos homenageados do mês, Antônio, o dito santo casamenteiro, dia 13; São João, festeiro, dia 24; e São Pedro, guerreiro. E, então: “São João está dormindo não acorda não, é de cravo é de rosa é de manjericão...”; “Cai, cai balão, cai cai balão cai aqui na minha mão....” e ainda o tradicional “Chegou a hora da fogueira, é noite de São João, o céu fica todo iluminado fica todo estrelado...”. Aproveitemos um pouco os folguedos, isso vale muito apena.    

 

​​​​​​​Brasília, 1º de junho de 2017

 

 

Margarida Drumond de Assis é professora, jornalista e autora de dezesseis livros editados em vários gêneros literários. Destacam-se, Tempo de saudade, com a história de Timóteo; Dom Lara: vida de amor, testemunho de caridade, biografia; e Não dá pra esquecer – crônicas. É membro da Academia Taguatinguense de Letras – ATL e da Academia de Letras e Música do Brasil – ALMUB www.margaridadrumond.vai.la  Contato: margaridadrumond@gmail.com Tel. (61) 9252-5916  

 

 

 

 

 

 

 

 

sábado, 20 de maio de 2017

NÃO “TEM QUE MANTER ISSO, VIU!”

NÃO “TEM QUE MANTER ISSO, VIU!”  
 
Margarida Drumond de Assis
 
​A perplexidade que tomou conta do país na noite da última quarta-feira é impressionante. O estado brasileiro viu se confirmar que está nas mãos de uma organização criminosa; pelo menos é o que parece. Em meio a tantas delações que já assolavam o país, mostrando corruptos por todo lado no poder, agora o próprio presidente Michel Temer foi  delatado, por empresários da JBS, e, conforme vídeo, o chefe da nação mostrou pertencer a esse meio ao manter propina a envolvidos da organização: “Tem que manter isso, viu!”, disse.
​Atenho-me para esta reflexão, mas bem pode acontecer que, de súbito, outro escândalo - ou um forte desdobramento deste - venha a público tomando o cenário nacional; parece rotina vermos revelações bombásticas quando menos se espera.  Com isso, um fato tão forte quanto a revelação do vídeo gravado no dia 7 de março último, apresentado pelo empresário Joesley Batista, pode se tornar ultrapassado no noticiário, ficando os esclarecimento aquém de uma análise mais apurada. Fato, porém, é que as revelações publicadas pelo jornal O Globo, às 19h30 do dia 17, mostraram provas de obstrução de Justiça, por parte do Presidente Temer. O vídeo com a gravação que Joesley fez, sem que o presidente disso desconfiasse, mostrou um diálogo  embaraçoso, e Temer indicou o deputado afastado, Rodrigo Rocha Loures, homem de sua total confiança, para resolver um assunto da J&F (empresa que controla a JBS), e, pior, Rocha Loures foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil, enviados pelo presidente do Conselho de Administração da JBS, Joesley Batista.  No prosseguir da gravação, quando Michel Temer ouviu do empresário que estava passando ao ex-deputado Eduardo Cunha e ao operador financeiro Lúcio Funaro uma mesada na prisão para se manterem em silêncio, proferiu: “Tem que manter isso, viu!”
​Bastou a audição do importante arquivo e a notícia se espalhar, para, logo,  vários deputados, juristas e outros do poder se manifestarem incrédulos, ao passo mesmo em que outros, nem tanto. Alguns declararam que “se ficar comprovado que o presidente Temer incentivou um dos donos da JBS, Joesley Batista, na compra de silêncio, cabe Impeachment”   - ora, o vídeo já não é uma comprovação? ;  “a delação vem num momento terrível para o país”; “o presidente perde as condições de permanecer no cargo”; “isso é um crime de responsabilidade”, “é inaceitável que um presidente receba alguém que está ‘segurando’ juízes, e tudo fique por isso mesmo” - no vídeo, Temer pergunta: “Está segurando os dois?” De outro lado, há pseudos representantes nossos na cúpula do poder a defenderem Temer; um chegou a dizer: “Temer trata bem as pessoas, não vejo nada contra o presidente da República”. E, por sua vez, o presidente se julga ofendido por ter sido gravado, como se tal fato atenuasse sua culpa.  Fato é que o “alpiste”, conforme a linguagem deles nas artimanhas, vinha sendo dado aos envolvidos com dinheiro do povo, à revelia de tantas mazelas que grassam no Brasil nos campos da saúde, da educação, segurança e tanto mais.
​Mediante tudo isso, a constatação óbvia: seja quem for o interlocutor, o que é dito e mostrado só confirma quanto é gigantesco o esquema dessa corrupção que se desenrola.  Estão saqueando o país e verdadeiramente abusando de seu povo. São necessárias  providências cabíveis e urgentes, pois, com tantos vídeos, tantas delações, não há mais o que questionar. Além do vídeo com Joesley, há também o outro com o diretor de relações institucionais da JBS, Ricardo Saud, sob a mesma questão e novas delações.  Vimos que estão envolvidos muitos nomes, como o de Guido Mantega, Aécio Neves e pessoas de sua família; os ex-presidentes Lula e Dilma; o ex-ministro Antônio Palocci, dos governos dos ex-presidentes citados, dentre outros.
​Assim, foi muito bom saber que o relator da Lava-Jato no STF, o jurista Ministro Luiz Edson Fachin, possibilitou a abertura de Inquérito para apurar os fatos. Afinal, sabe-se que o Presidente Michel Temer está sob acusação de três crimes, que, somados, podem  chegar a 23 anos de prisão: corrupção passiva, organização criminosa e obstrução da Justiça.
​No final das contas, pensamos que o desfalque que a JBS sofreu há menos de dois meses a partir da Operação “carne fraca”,  com frigoríficos da empresa sendo investigados pela adulteração de carnes comercializadas no Brasil, foi fundamental para esse escândalo vir à tona: a JBS, segundo se noticiou, chegou a perder R$ 3,4 bilhões de valor de mercado em apenas um dia.  Obviamente quereriam garantir a sobrevivência das empresas do grupo; elas se constituem na maior processadora de proteína animal do mundo. Então, que sejam agora levados em conta mais esse fato mostrado abertamente e que se recordem as assinaturas coletadas, há cerca de três anos, em torno de 1,6 milhões para chegarmos à “Ficha limpa”. O momento por que passamos é revolucionário, com perda de confiança do povo nas instituições, e cabe a quem de direito nas decisões entender que não se pode “manter isso”. Todo esse quadro é degradante, um avilte à nação brasileira, e menospreza a inteligência de todos, com inolvidável desrespeito a todos.
 
​​​​​​​Brasília, 20 de maio de 2017
 
 
Margarida Drumond de Assis é professora, jornalista e autora de dezesseis livros editados em vários gêneros literários. Destacam-se, Tempo de saudade, com a história de Timóteo; Dom Lara: vida de amor, testemunho de caridade, biografia ; e Não dá pra esquecer – crônicas. É membro da Academia Taguatinguense de Letras – ATL e da Academia de Letras e Artes do Brasil – ALMUB www.margaridadrumond.vai.la  Contato: margaridadrumond@gmail.com Tel. (61) 9252-5916

sábado, 13 de maio de 2017

CANONIZAÇÃO DOS PASTORINHOS E OS 100 ANOS DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

CANONIZAÇÃO DOS PASTORINHOS E OS 100 ANOS DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

 

Margarida Drumond de Assis

 

​Neste sábado, a Igreja celebra os 100 anos da primeira Aparição de Nossa Senhora a três pastorinhos na Cova da Iria, freguesia de Fátima, no concelho de Ourém– Portugal, data em que o Papa Francisco canoniza duas daquelas três crianças. Era o dia 13 de maio de 1917 e a Virgem Maria apareceu a três pastorinhos, crianças simples daquela redondeza, mas que logo depois se tornaram mundialmente conhecidas: os irmãos Francisco e Jacinta Marto e a prima Lúcia de Jesus dos Santos.

​A aparição de Maria no dia 13 de maio foi a primeira das seis que se deram em cada dia 13 dos meses seguintes, até outubro. Nos montes de Fátima, Nossa Senhora ressaltava àquelas crianças a importância de rezarmos o santo Rosário, enfatizando que,  na meditação dos mistérios, graças viriam sobre o mundo. Também pediu que lhe construíssem em sua honra, naquele local, uma capela, e ali se tornou palco de louvor a Deus, por meio de Nossa Senhora, e palco da devoção mariana. A construção da capela começou em 13 de outubro de 1919, sendo a primeira missa nela celebrada na mesma data dois anos depois. A devoção se propagou intensamente e, no dia 13 de maio de 1928, foi lançada a primeira pedra da Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, local em que pouco depois foram sepultados Francisco e Jacinta, os quais, conforme Maria anunciara, morreriam precocemente, ele, em 4 de abril de 1919; ela, 20 de fevereiro de 1920. 

As aparições em Fátima, há um século, coincidiramcom um dos períodos mais tristemente vividos no Século XX: a primeira Guerra Mundial – 28.07.1914 – 11.11.1918, que ocasionava milhares de mortes na Europa, muita fome, epidemias e destruição, sendo Portugal um dos países pobres de então. Contudo, com o evento de Maria em Fátima, o país se tornou um centro de propagação de fé em Deus e de devoção mariana, trazendo esperança a todos. Assim, anualmente, no mês de maio, celebramos o mês de Maria, Mãe de Deus e nossa, os Católicos, para quem Maria é modelo de virtude e força, especialmente quando sabemos de seu Sim ao Anjo Gabriel que lhe anunciou ter sido ela escolhida para Mãe do filho de Deus, a mãe do Salvador. E, nesse exemplo do amor materno de Maria, em todo segundo domingo do mês de maio homenageamos as Mães, este ser que é capaz de deixar de pensar em si para sempre dar vez aos filhos.

As aparições de Nossa Senhora, em Fátima, foram sinal de esperança naqueles tempos difíceis, mas ela muito antes já se manifestara em outros lugares, como aconteceu em 1830, em Paris, a Santa Catarina de Labouré, sempre trazendo por sua presença entre nós o amor misericordiosode Jesus. Com isso, são muitos os títulos que lhe foram dados, conforme os locais e circunstâncias em que se manifestou. E, na lembrança de outras das aparições, temos Guadalupe - México, 1531;  Lourdes – França, 1858; Medjugorge – Bósnia, 1981, e, claro, o surgimento da imagem da virgem no rio Paraíba do Sul, em Aparecida, São Paulo; de Nossa Senhora Aparecida, celebramos agora em 2017 os 300 anos de sua aparição. 

O amor de Maria, bem o sabemos, há muito vem sendo reconhecido e ela sendo venerada ao longo dos séculos, por incontáveis santos e santas da Igreja, a exemplo de Santo Afonso Maria de Ligório, São Domingos de Gusmão, Santa Teresinha do Menino Jesus, São Bernardo. É, pois convicto da devoção mariana e de seu amor por nós, que terminado o Concílio Vaticano II, o Sumo Pontífice Paulo VI declarou Nossa Senhora como sendo a “Mãe da Igreja”, e bem o fez; basta nos lembrarmos das palavras de Jesus ao discípulo amado, aos pés da Cruz – “Filho eis aí tua Mãe; Mulher, eis aí teu filho” (Jo 19, 26 – 27). É conforme bem registrou nosso hoje São João Paulo II:  “Ao pedir ao discípulo predileto que tratasse Maria Santíssima como sua Mãe, Jesus instituiu o culto mariano”.

Hoje, ao vermos nosso amado Papa Francisco em Fátima, celebrando a canonização dos pastorinhos Francisco (11.06.1908) e Jacinta Marto (11.03.1910) -beatificados em 13 de maio de 2000, pelo papa João Paulo II - nos enchemos de júbilo pois nos dois teremos novos modelos de santidade, sinais eternos da graça de Deus. Quanto à Lúcia, a mais velha dos três pastorinhos, depois tornou-se religiosa  e veio a falecer aos 97 anos, em 13 de dezembro de 2005, sendo o processo de beatificação iniciado pelo papa Bento XVI. O seu corpo, outrora sepultado no convento carmelita de Santa Teresa em Coimbra, foi levado um ano após o falecimento para omesmo local onde estão os, agora, Santa Jacinta de Jesus Marto e São Francisco de Jesus Marto. 

O papa Francisco, em Fátima, nesta data, repete o gesto do primeiro papa que ali visitou, Paulo VI em 1967, e também de João Paulo II, que lá esteve por três vezes, e Bento XVI. E me lembrando de reflexões e pesquisas que fiz para escrever Dom Lara: vida de amor, testemunho de caridade (dez. 2015), sobre o já tão saudoso redentorista Dom Lelis Lara, registramos a importância da devoção mariana em nossa vida. Como dizia Dom Lara, fiel seguidor da Congregação, Santo Afonso de Ligório, “Maria é mediadora da graça, é nossa advogada, é rainha e Mãe de Misericórdia”.

​​​​​​​Brasília, 12 de maio de 2017

 

 

Margarida Drumond de Assis é professora, jornalista e autora de dezesseis livros editados em vários gêneros literários. Destacam-se, Tempo de saudade, com a história de Timóteo; Dom Luciano, especial dom de Deus; e Padre Antônio de Urucânia, a sua bênção. É membro da Academia Taguatinguense de Letras – ATL e da Academia de Letras e Artes do Brasil – ALMUB www.margaridadrumond.vai.la  Contato: margaridadrumond@gmail.com Tel. (61) 9252=5916  

 

Unamo-nos, neste especial dia, fazendo a oração de São Bernardo a Nossa Senhora - "Lembrai-vos", oração esta inúmeras vezes rezada pelo Pe. Vitor Coelho de Almeida, mineiro de Sacramento, mas de todos conhecido de Aparecida/SP:



Lembrai-Vos, ó piíssima Virgem Maria, 
que nunca se ouviu dizer 
que algum daqueles 
que têm recorrido à vossa proteção, 
implorado a vossa assistência, 
e reclamado o vosso socorro, 
fosse por Vós desamparado.
Animado eu, pois, de igual confiança, 
a Vós, Virgem entre todas singular, 
como a Mãe recorro, 
de Vós me valho e, 
gemendo sob o peso dos meus pecados, 
me prostro aos Vossos pés. 
Não desprezeis as minhas súplicas, 
ó Mãe do Filho de Deus humanado, 
mas dignai-Vos 
de as ouvir propícia 
e de me alcançar o que Vos rogo. Amem!!”