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quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Eu conto pra você (Sétima Parte)

Eu conto pra você (Sétima Parte)

Dom Luciano, especial dom de Deus




        De Secretário Geral de CNBB e o atendimento aos pobres
Estou de volta caríssimo ouvinte, falo com você também caríssima que me acompanha nestas reflexões a partir de Dom Luciano especial dom de Deus, livro que nos aproxima de Dom Luciano Mendes de Almeida, ele que aqui viveu fazendo o bem, mostrando a importância do doar-se ao mais necessitado. E, para prosseguir sobre a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, no tempo de Dom Luciano Secretário Geral e Presidente, recorro ao capítulo 30, parte 8, quando falo do período em que ele era Secretário Geral da CNBB – 1979 - 1986 –  e também Bispo Auxiliar de São Paulo.
Contou Ir. Neusa Simões, religiosa que conviveu com Dom Luciano, como sua secretária por mais de 30 anos, pois o conheceu em 1969, em São Paulo, época em que o ainda Pe. Luciano, também Padre Mendes para outros, já se destacava como sacerdote, na formação de jovens jesuítas na Faculdade Nossa Senhora Medianeira (p. 430).
“Dom Luciano era procurado pelos pobres, até mesmo em Itaici – Indaiatuba/SP, quando ele, estando na CNBB, ia para a Assembleia Geral. Sem poder ir a Brasília, para Itaici é que os pobres se dirigiam, certos de encontrá-lo”. Também era normal, em Brasília, Dom Luciano atender a telefonemas dos pobres, enviando-lhes, depois, coisas ou mesmo dinheiro”. É ainda Ir. Simões quem recorda: “Certo dia, uma irmã preparara um sanduíche com um pedaço de carne para dar a um pobre, mas Dom Luciano viu e disse: ‘mas não dêem sanduíche a esse homem! Não estão vendo que o coitado não tem dentes? Deem-lhe sopa’” (p. 431), explicou aquele atento amigo.
E, agora, acrescentando um pouco mais sobre a Conferência Nacional à qual Dom Luciano serviu, conto-lhe que além do apoio das Comissões Episcopais, a CNBB possui também os Regionais. Eles facilitam o contato com toda a Igreja no País, o que é especialmente importante, pois em certas regiões há carência de sacerdotes e missionários. Então, os Regionais notificam as necessidades, acodem no que for preciso. São assim denominados: Regional Norte 1, abrangendo o Norte do Amazonas e Roraima; o Norte 2, com o Amapá e Pará; os Regionais do Nordeste, de 1 a 5; o Regional Leste 1, com o Rio de Janeiro; o Leste 2, com o Espírito Santo e Minas Gerais; os Regionais Sul e ainda outros (p. 121).

Hoje ainda ressalto quanto aos aspectos da estrutura, origem e missão da CNBB, conforme temos refletido, sobre o início da entidade. É então importante focalizar da Cronologia das Presidências, a composição da Comissão Permanente, quando da instalação no Rio de Janeiro: “membros natos, presidência – cardeais Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta, presidente; e Dom Jaime de Barros Câmara; Membros eleitos – Dom Vicente Scherer; Dom Mário de Miranda Villas Boas; Dom Antônio Moraes Almeida Júnior, além dos bispos suplentes e o Secretário Geral, Dom Hélder Câmara.
Dos demais presidentes da CNBB: em 10 de julho de 1958 assumiu o Cardeal Dom Jaime de Barros Câmara; em setembro de 1964, Dom Agnelo Rossi, que foi reeleito em julho de 68; Dom Aloisio Lorscheider, também com dois mandatos, de 1971 a 1979; Dom Ivo Lorscheiter, de 79 a 87; Dom Luciano Mendes de Almeida, de 1987 a 1995; Dom Lucas Moreira Neves, por uns anos, pois seguiu depois para Roma; Dom Jayme Chemello, junho de 1998; Dom Geraldo Majella Agnelo, eleito em 2003; e, em 2007, Dom Geraldo Lyrio Rocha; e, agora, Dom Raymundo Damasceno Assis, eleito na 49ª Assembleia Geral, realizada em Aparecida, com término no último dia 13 de maio deste 2011.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Eu conto pra você (Sexta Parte)

Eu conto pra você (Sexta Parte)


Dom Luciano, especial dom de Deus: de pastores e profetas


        Em minha crônica anterior, comecei a refletir com você sobre a organização da Igreja, em Conferências Nacionais, Conselhos Episcopais, que, juntos, estão subordinados ao Papa. Prosseguindo um pouco mais sobre a CNBB, trago na abertura, de hoje as palavras de Dom Aloísio Lorscheider. São parte do depoimento que ele me deu para o livro Dom Luciano, especial dom de Deus, em agosto de 2007, ano mesmo em que nosso também saudoso Dom Aloísio foi para a Casa do Pai.  

Escreveu o cardeal Lorscheider: “o Brasil, na sua história, teve grandes bispos. Personalidades que sobressaíram por suas virtudes, os seus talentos, sua cultura. Dom Luciano Mendes de Almeida é um deles. Ágil, inteligente, trabalhador, amante da Igreja, benquisto pelos bispos, humilde ao extremo, destacou-se por seu serviço, sempre pronto para vir ao encontro dos outros. Não se pode esquecer o seu amor pelos pobres. Neste ponto era inexcedível”. Mais adiante, qual um profeta, Dom Aloísio Lorscheider ressalta a santidade de Dom Luciano, como que prevendo que a Igreja do Brasil abriria logo uma campanha pelo Processo de Beatificação do arcebispo jesuíta. Enfatizou que, para Dom Luciano, “só contava o Reino de Deus. Dizer que era um Santo, certamente é dizer pouco. Quem sabe ele, mais dia menos dia, poderá figurar entre os canonizados...” (p. 311).

Também o Cardeal Lorscheider, quanto Dom Luciano, muito fizera pela Igreja do Brasil, a partir de sua atuação à frente da CNBB, esta conferência que foi fundada no Palácio São Joaquim, no Rio de Janeiro, no dia 14 de outubro de 1952. A 1ª Assembléia Geral foi realizada em agosto de 1953, em Belém, no Pará. Naquela ocasião, escreveu o Secretário Geral, Dom Hélder Câmara aos irmãos no Episcopado: “Cessou para a Igreja do Brasil a fase de esforços, heróicos talvez, mas dispersos, descontínuos, sem planejamento. Não é preciso ser profeta para prever que, em breve, a Igreja entre nós estará em condições de trazer ajuda substancial ao exame dos mais agudos problemas da nacionalidade” (p. 115). 

Você não se lembra bem quem foi Dom Hélder Câmara? Dom Luciano, especial dom de Deus, que além da vida de Dom Luciano Mendes de Almeida, traz a história da Igreja do período, me permite lhe contar um pouco mais: Dom Hélder nasceu em 1909 e faleceu aos 90 anos.Era nordestino e fez a primeira comunhão aos oito anos de idade. Tornou-se seminarista aos 14; aos 27, já sacerdote, seguiu para o Rio de Janeiro, sendo ordenado Bispo em 1952. Depois, Dom Hélder foi nomeado Arcebispo de Olinda e Recife e ali trabalhou até 1985, ano em que se tornou Arcebispo Emérito (p.117).

De Dom Hélder, disse Dom Luciano Mendes, um dos seus muitos admiradores e seu grande amigo: “Não sei se se lembram de Dom Hélder, que de noite naquela sua pequena sacristia onde ele morava, batem, batem, batem de madrugada. É um bêbado! E ele olha para ele e diz assim: ‘Você não me engana, não! Eu sei que você é Jesus Cristo!’”  

É esse Dom Hélder, homem de Deus, simples e bom, que teve uma vida também em prol do irmão necessitado, que via em cada pessoa humana o reflexo de Jesus Cristo, que muito fez pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, servindo-a até o ano de 1964 (p.118).

E a CNBB, no seu trabalho cotidiano conta com apoio de equipes de Bispos diversos, O presidente conta com apoio de Comissões diversas, e os seus membros também são eleitos na mesma ocasião, a cada quatro anos, conforme se deu agora, em Aparecida/SP. São as Comissões Episcopais, denominadas por exemplo, “Comissão para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada”; “Comissão para o Laicato”; “Comissão para a Ação Missionária e a Cooperação Intereclesial; “Comissão para a Doutrina da Fé”; “Comissão para o Serviço da Caridade” e muitas outras. Constituem-se nas Comissões Estáveis. Além dessas, há outras, como a “Comissão Episcopal para a Amazônia” e “Comissão Nacional para o Santuário de Nossa Senhora Aparecida” (p. 121).

Hoje concluo nosso pequeno encontro, apresentando-lhe um fragmento do texto que norteia o trabalho da Conferência Nacional: a sua Missão. A ela cabe ”fomentar a comunhão entre os bispos e, no diálogo, aprofundar o afeto colegial, garantindo maior unidade no processo de evangelização, conforme os desafios do momento presente (...)”.

Caríssimo leitor, caríssima leitora, se você já tem consigo o livro Dom Luciano, especial dom de Deus aprofunde seu conhecimento lendo o capítulo 14, e também terá chance de mais aproximar-se de Deus, por meio de quem se fez instrumento d’Ele entre nós: Dom Luciano Mendes de Almeida.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Eu conto pra você (Segunda Parte)

Eu conto pra você (Segunda Parte)


Encontrar Jesus e encontrar o irmão


No último encontro, eu lhe falava sobre a presença real de Jesus ente nós, presença d’Ele mesmo, nas espécies do pão e do vinho, no altar eucarístico. E então vimos que para viver uma experiência de encontro com Jesus é preciso coragem e fé, tendo Maria como modelo. Afinal, no Sim que ela disse ao Anjo Gabriel quando ele lhe dizia que fora ela a escolhida para Mãe do Salvador, portanto “Cheia de Graça”, tornou-se imediatamente tempo do próprio Deus e Jesus habitou nela.

Hoje, convido você a refletir comigo sobre quantas vezes perdemos oportunidade de estar diante de Jesus no Sacrário, em momentos de Adoração. No entanto, basta procurarmos o Santíssimo na capela e nos deixarmos por uns momentos pertinho d’Ele, ali, real, sempre a nos esperar.  Em nosso dia a dia, tão cheio de compromissos, mal conseguimos parar, para a oração, à noite; entretanto, como é grande a alegria interior que sentimos quando nos permitimos um tempinho diante de Jesus!

Trago um dos depoimentos que ouvi para escrever Dom Luciano, especial dom de Deus, pág. 47, parte do que disse o Prof. Afonso Liguori, na época meu colega na Universidade Católica de Brasília, e que teve a felicidade de conviver com Dom Luciano Mendes de Almeida no Pontifício Colégio Pio Brasileiro, em Roma. Dom Luciano lá se encontrava, no início de seu sacerdócio. Disse o Prof. Liguori: “O Padre Mendes era, em primeiro lugar, o maior exemplo que nós temos de um homem de oração. Não me esqueço de quantas vezes eu e meus colegas de seminário, passando em frente à porta da nossa capela, encontrávamos uma pessoa normalmente vestidade sotaina preta – todos nós vestíamos batina naquela época - rezando horas a fio, durante o dia, depois do almoço e, por que não dizer, à noite, às dez horas ou mais (...)”.

É na vivência da oração e da adoração a Jesus eucarístico que encontramos força para uma vida mais próxima do que Deus quer de nós, e, se assim fazemos, também nós servimos de exemplo para quem está ao nosso lado. Foi esse o testemunho de vida de dona Emília Mendes para os filhos, no qual se espelhou Dom Luciano. Em um dos escritos dele, falando de sua mãe, Dom Luciano disse que “em Deus, ela encontrava as energias para devotar-se não só à família, mas às necessidades espirituais e materiais do próximo. Subia a encosta da favela e entrava em contato com a miséria, de modo tão discreto, que muitasvezes nem percebíamos.” Em sua humildade, dona Emília Mendes foi catequista nas favelas do Rio de Janeiro, por 50 anos, conforme registrei, na Parte II e Dom Luciano, especial dom de Deus.

Uma vivência, como a de dona Emília e do filho que nela se espelhou para dedicar-se à Igreja numa vida “em nome de Jesus”, confere com as palavras de dom Luciano num dos retiros para os presbíteros da Arquidiocese de Mariana, em 1988, ano em que assumiu aquela arquidiocese. Ele citou as palavras de Paulo aos Filipenses sobre Jesus: “Sendo Ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus”. E então Dom Luciano lembrou que viver em nome de Jesus “é mostrar, pela presença, que você ama! Assim fez Jesus”. E citou o nascimento do Mestre “pobre com os pobres – sem dinheiro para hotel. Jesus quis não ter”. Pontuou também as passagens de Jesus com os pescadores; Jesus e o sofrimento do estrangeiro; Jesus lavando os pés dos outros, e muitos outros exemplos conforme relatado na pág. 532.

Para você o abraço fraterno da Margarida Drumond de Assis.