Eu conto pra você (Sexta Parte)
Dom Luciano, especial dom de Deus: de pastores e profetas
Em minha crônica anterior, comecei a refletir com você sobre a organização da Igreja, em Conferências Nacionais, Conselhos Episcopais, que, juntos, estão subordinados ao Papa. Prosseguindo um pouco mais sobre a CNBB, trago na abertura, de hoje as palavras de Dom Aloísio Lorscheider. São parte do depoimento que ele me deu para o livro Dom Luciano, especial dom de Deus, em agosto de 2007, ano mesmo em que nosso também saudoso Dom Aloísio foi para a Casa do Pai.
Escreveu o cardeal Lorscheider: “o Brasil, na sua história, teve grandes bispos. Personalidades que sobressaíram por suas virtudes, os seus talentos, sua cultura. Dom Luciano Mendes de Almeida é um deles. Ágil, inteligente, trabalhador, amante da Igreja, benquisto pelos bispos, humilde ao extremo, destacou-se por seu serviço, sempre pronto para vir ao encontro dos outros. Não se pode esquecer o seu amor pelos pobres. Neste ponto era inexcedível”. Mais adiante, qual um profeta, Dom Aloísio Lorscheider ressalta a santidade de Dom Luciano, como que prevendo que a Igreja do Brasil abriria logo uma campanha pelo Processo de Beatificação do arcebispo jesuíta. Enfatizou que, para Dom Luciano, “só contava o Reino de Deus. Dizer que era um Santo, certamente é dizer pouco. Quem sabe ele, mais dia menos dia, poderá figurar entre os canonizados...” (p. 311).
Também o Cardeal Lorscheider, quanto Dom Luciano, muito fizera pela Igreja do Brasil, a partir de sua atuação à frente da CNBB, esta conferência que foi fundada no Palácio São Joaquim, no Rio de Janeiro, no dia 14 de outubro de 1952. A 1ª Assembléia Geral foi realizada em agosto de 1953, em Belém, no Pará. Naquela ocasião, escreveu o Secretário Geral, Dom Hélder Câmara aos irmãos no Episcopado: “Cessou para a Igreja do Brasil a fase de esforços, heróicos talvez, mas dispersos, descontínuos, sem planejamento. Não é preciso ser profeta para prever que, em breve, a Igreja entre nós estará em condições de trazer ajuda substancial ao exame dos mais agudos problemas da nacionalidade” (p. 115).
Você não se lembra bem quem foi Dom Hélder Câmara? Dom Luciano, especial dom de Deus, que além da vida de Dom Luciano Mendes de Almeida, traz a história da Igreja do período, me permite lhe contar um pouco mais: Dom Hélder nasceu em 1909 e faleceu aos 90 anos.Era nordestino e fez a primeira comunhão aos oito anos de idade. Tornou-se seminarista aos 14; aos 27, já sacerdote, seguiu para o Rio de Janeiro, sendo ordenado Bispo em 1952. Depois, Dom Hélder foi nomeado Arcebispo de Olinda e Recife e ali trabalhou até 1985, ano em que se tornou Arcebispo Emérito (p.117).
De Dom Hélder, disse Dom Luciano Mendes, um dos seus muitos admiradores e seu grande amigo: “Não sei se se lembram de Dom Hélder, que de noite naquela sua pequena sacristia onde ele morava, batem, batem, batem de madrugada. É um bêbado! E ele olha para ele e diz assim: ‘Você não me engana, não! Eu sei que você é Jesus Cristo!’”
É esse Dom Hélder, homem de Deus, simples e bom, que teve uma vida também em prol do irmão necessitado, que via em cada pessoa humana o reflexo de Jesus Cristo, que muito fez pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, servindo-a até o ano de 1964 (p.118).
E a CNBB, no seu trabalho cotidiano conta com apoio de equipes de Bispos diversos, O presidente conta com apoio de Comissões diversas, e os seus membros também são eleitos na mesma ocasião, a cada quatro anos, conforme se deu agora, em Aparecida/SP. São as Comissões Episcopais, denominadas por exemplo, “Comissão para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada”; “Comissão para o Laicato”; “Comissão para a Ação Missionária e a Cooperação Intereclesial; “Comissão para a Doutrina da Fé”; “Comissão para o Serviço da Caridade” e muitas outras. Constituem-se nas Comissões Estáveis. Além dessas, há outras, como a “Comissão Episcopal para a Amazônia” e “Comissão Nacional para o Santuário de Nossa Senhora Aparecida” (p. 121).
Hoje concluo nosso pequeno encontro, apresentando-lhe um fragmento do texto que norteia o trabalho da Conferência Nacional: a sua Missão. A ela cabe ”fomentar a comunhão entre os bispos e, no diálogo, aprofundar o afeto colegial, garantindo maior unidade no processo de evangelização, conforme os desafios do momento presente (...)”.
Caríssimo leitor, caríssima leitora, se você já tem consigo o livro Dom Luciano, especial dom de Deus aprofunde seu conhecimento lendo o capítulo 14, e também terá chance de mais aproximar-se de Deus, por meio de quem se fez instrumento d’Ele entre nós: Dom Luciano Mendes de Almeida.
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