Eu conto pra você (Segunda Parte)
Encontrar Jesus e encontrar o irmão
No último encontro, eu lhe falava sobre a presença
real de Jesus ente nós, presença d’Ele mesmo, nas espécies do pão e do vinho,
no altar eucarístico. E então vimos que para viver uma experiência de encontro
com Jesus é preciso coragem e fé, tendo Maria como modelo. Afinal, no Sim que
ela disse ao Anjo Gabriel quando ele lhe dizia que fora ela a escolhida para
Mãe do Salvador, portanto “Cheia de Graça”, tornou-se imediatamente tempo do
próprio Deus e Jesus habitou nela.
Hoje, convido você a refletir comigo sobre quantas
vezes perdemos oportunidade de estar diante de Jesus no Sacrário, em momentos
de Adoração. No entanto, basta procurarmos o Santíssimo na capela e nos
deixarmos por uns momentos pertinho d’Ele, ali, real, sempre a nos
esperar. Em nosso dia a dia, tão cheio
de compromissos, mal conseguimos parar, para a oração, à noite; entretanto,
como é grande a alegria interior que sentimos quando nos permitimos um tempinho
diante de Jesus!
É na vivência da oração e da adoração a Jesus
eucarístico que encontramos força para uma vida mais próxima do que Deus quer
de nós, e, se assim fazemos, também nós servimos de exemplo para quem está ao
nosso lado. Foi esse o testemunho de vida de dona Emília Mendes para os filhos,
no qual se espelhou Dom Luciano. Em um dos escritos dele, falando de sua mãe,
Dom Luciano disse que “em Deus, ela encontrava as energias para devotar-se não
só à família, mas às necessidades espirituais e materiais do próximo. Subia a
encosta da favela e entrava em contato com a miséria, de modo tão discreto, que
muitasvezes nem percebíamos.” Em sua humildade, dona Emília Mendes foi
catequista nas favelas do Rio de Janeiro, por 50 anos, conforme registrei, na
Parte II e Dom Luciano, especial dom de
Deus.
Uma vivência, como a de dona Emília e do filho que
nela se espelhou para dedicar-se à Igreja numa vida “em nome de Jesus”, confere
com as palavras de dom Luciano num dos retiros para os presbíteros da
Arquidiocese de Mariana, em 1988, ano em que assumiu aquela arquidiocese. Ele
citou as palavras de Paulo aos Filipenses sobre Jesus: “Sendo Ele de condição
divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus”. E então Dom Luciano
lembrou que viver em nome de Jesus “é mostrar, pela presença, que você ama!
Assim fez Jesus”. E citou o nascimento do Mestre “pobre com os pobres – sem
dinheiro para hotel. Jesus quis não ter”. Pontuou também as passagens de Jesus
com os pescadores; Jesus e o sofrimento do estrangeiro; Jesus lavando os pés
dos outros, e muitos outros exemplos conforme relatado na pág. 532.
Para você o abraço fraterno da Margarida Drumond de Assis.
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