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quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

EU CONTO PRA VOCÊ (Décima Terceira Parte)

EU CONTO PRA VOCÊ (Décima Terceira Parte)

 Padre Antônio de Urucânia, há 48 anos da Casa do Pai

Você que me acompanha nestes momentos de reflexões que favorecem a vivência de nossa fé, conhecerá agora mais um pouco sobre a vida e a obra de um presbítero, cujo aniversário de falecimento completou neste 22 de julho de 2011, 48 anos: Padre Antônio Ribeiro Pinto. Sim, Pe. Antônio de Urucânia foi para a Casa do Pai já há quase 50 anos, e, dos 84 anos em que esteve entre nós, mais de meio século foi dedicado à Igreja no semear a Boa Nova e no testemunho do amor, acudindo aos milhares de homens e mulheres que o procuravam, sedentos de benefícios espirituais, de curas e milagres.

Conforme ressaltado em Padre Antônio de Urucânia, a sua bênção, “Pe. Antônio teve uma vida humilde a serviço do bem”. Com o nascimento dele, nascia um novo apóstolo para a Igreja. Foi no dia 2 de abril de 1879, em Rio Piracicaba/MG, filho de Fábia Maria de Jesus, mulher simples e pobre que, naquela época do difícil período da escravidão no Brasil, trabalhava em casa de “senhores”. Assim, quando nasceu o filho Antônio, e Fábia ainda muito moça, deixou o pequeno aos cuidados da sua irmã, Maria Antônia, já casada, sendo o pequeno criado no carinho do lar dos tios. E tinha ele apenas seis anos de idade quando se mudaram para Abre Campo, Arquidiocese de Mariana.

E ao pesquisar no período de um ano e meio para escrever Padre Antônio de Urucânia, a sua bênção, no intuito de passar à geração de hoje e à futura um pouco sobre quem foi e o que representa Pe. Antônio Ribeiro Pinto, nome também do avô materno, percebi como ainda eram imensos e vivos, em 2003-2004, o amor e o respeito que lhe eram dedicados. Era falar o nome dele e, estando a pessoa de chapéu ou boné, tirava-o, erguendo as mãos aos céus, respeitosamente. Era pronunciar “Padre Antônio” e ver logo a voz embargada e os olhos a lacrimejar.    Ouvi vários depoimentos e foram enormes as emoções presenciadas. Compreendi, então, de imediato, que minha obra trataria da vida de um sacerdote ratificava a palavra bíblica - “és sacerdote para sempre”, com fervor e corajosamente, conforme registrei (págs. 27 – 28, 5ª . edição).

Até que conseguisse ser ordenado em 1912, por Dom Silvério Gomes Pimenta (pág. 39), Pe. Antônio passou por muitas dificuldades. Ainda assim, o jovem prosseguiu firme, buscando realizar o Chamado que um dia sentira, enquanto acompanhava uma procissão de Nossa Senhora. Por esse objetivo, antes de ser seminarista, chegou a trabalhar no Seminário, como simples empregado.

Pe. Antônio Ribeiro Pinto é exemplo de amor sem medida à Palavra de Deus. Fazia o bem indistintamente aos que o procuravam, vindo do norte ou do sul do país; viessem correspondências de países da América Latina ou da Europa, a todos atendia com amor.

É sobre esse sacerdote para quem os fiéis de todo o Brasil pedem ao Arcebispo de Mariana, Dom Geraldo Lyrio Rocha, a abertura do processo de Beatificação, que falarei mais intensamente nos próximos números de seu Classivale, e farei isto a partir de Padre Antônio de Urucânia, a sua bênção; nele buscarei outras reflexões . Como frisou Dom José de Aquino Pereira, bispo emérito de São José do Rio Preto, São Paulo, quando do lançamento do livro naquela cidade, em 2006, “a obra é uma dádiva de Deus, pois permite o reavivamento das mensagens vivenciadas e espalhadas pelo Pe. Antônio de Urucânia: fé no poder de Jesus e devoção a Nossa Senhora das Graças e à Medalha Milagrosa” (p. 11).  

(Crônica para o dia 30. jul. 2011).

e-mail: margaridadrumond@gmail.com

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Eu conto pra você (Décima segunda parte)

Eu conto pra você (Décima segunda parte)

Não posso ir, serve o irmão?

Ao concluir um novo quadro de reflexões nestas quatro crônicas sobre uma vida de intimidade com Deus, por meio da oração, da adoração ao Santíssimo e de serviço ao próximo, servindo-o naquilo que ele precisa, apresento-lhe um fato que se deu com Dom Luciano Mendes de Almeida e que ele contou na IV Assembleia do Regional Sul 3, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, em junho de 2006, a apenas dois meses de seu falecimento.

Dom Luciano falava sobre “Família e comunidade” e explicava sobre a dificuldade até de se ter uma religião em meio a tanta fragmentação e conflito. Em dado momento, mostrando a necessidade de nos preocuparmos com o que o outro realmente precisa, contou: “(...) eu estava celebrando, em Congonhas, no meio da praça, quando uma senhora começa a gritar: pelo amor de Deus, pelo amor de Deus, roubaram o meu filho, roubaram o meu filho’. Eu parei a Missa e disse: ‘olha, essa senhora, ela perdeu o seu filho! Eu queria que vocês a ajudassem a encontrar. Ele é pequeno, vestido de azul, idade de quatro anos’. Depois de um certo tempo, encontraram a criança, todos cantavam, não sabiam se choravam ou se riam porque tinham encontrado a criança. O pessoal foi embora pensando mais na criança perdida do que na eucaristia. Se nós estivéssemos nesta situação e entendêssemos bem mais o ser humano que precisa de atenção! - frisou dom Luciano. E acrescentou: - O projeto de Deus é todos nós aqui, somos todos a mesma família, constituída por Deus (...)” (p. 855).

Um outro exemplo sobre dom Luciano dando testemunho de que devemos nos aproximar do irmão, na necessidade que ele tem, está na parte VI de Dom Luciano, especial dom de Deus, pág. 269, conforme contou a pedagoga do centro Social Nossa Senhora do Bom Parto, em São Paulo, Marilda dos Santos Lima. Ela recordou que um grupo lutava por moradia e ocupou um terreno no Jardim Imperador, isto na época de dom Luciano bispo auxiliar de São Paulo. Alguns moradores, descontentes, começaram a se opor à chegada daqueles que tinham vindo das favelas. “O fato foi parar nos jornais e agitavam-se todos- conta Marilda. – Dom Luciano, fosse meia-noite ou uma hora da madrugada, passava lá na Ocupação. Atrasava os compromissos dele, mas fazia o que achava que devia ser feito (...). Assim é que em uma noite – com ele lá nos barracões, nós cantando, rezando (...), os revoltosos do bairro começaram a jogar pedras em nossa direção, e uma pedra pegou a testa de Dom Luciano. Eu vi isso, e todo mundo chorando, preocupado, e saía sangue do machucado. Mas ele, naquele momento, apenas dizia: ‘não reajam, não reajam!”;

Não sei se o amigo já tem o livro Dom Luciano, especial dom de Deus; se o tem, sabe que são 1.022 páginas e então compreenderá o que digo agora. Em certa parte do livro, cito um caso contado por Dom Luciano mesmo e que trago ao encerrar esta crônica, mas não me lembro do nº da página exatamente. Havia uma senhora, na arquidiocese dele, mulher simples, que sempre o convidava para que ele fosse almoçar na casa dela. No entanto, tantos eram os compromissos, e ele nunca podia ir. Certo dia, ele lhe falou: “Não posso ir. Serve o irmão?” E ela concordou, certa de que Dom Luciano se faria representar por um dos irmãos dele. Aconteceu que no tal dia, bateu à porta um pobre, e ela o acolheu. “Disse-lhe: vamos almoçar daqui a pouco, mas estou esperando o irmão de meu amigo”. Pensam que chegou outra pessoa? Não, claro. O irmão era o pobre, um dos muitos amigos de dom Luciano e que viam nele um pai, e que, de fato, ele tinha como um irmão.

Para você o abraço fraterno da Margarida Drumond de Assis.(Para 12.07.2011)

(Crônica escrita em 14 maio 2011).

e-mail: margaridadrumond@gmail.com

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Eu conto pra você (Décima primeira parte)

Eu conto pra você  (Décima primeira parte)

 Os amados Deus

Converso hoje com você sobre algumas passagens de vida muito especiais de pessoas que nos lembram a intimidade do encontro com Jesus, portanto, uma vida sem fim, vida plena, e, por isto, muito amados de Deus.

Na página 853 de Dom Luciano, especial dom de Deus, sob o título “Maria entendia os caminhos de Deus e permanecia na confiança”, registrei uma parte da Conferência de Dom Luciano Mendes, no 15º Congresso Eucarístico Nacional, em 2006, em  Florianópolis: “(...) Vejam Maria, nossa Mãe querida: sempre identificada com a vontade de Deus, guardava tudo no seu coração, entendia os caminhos de Deus e permanecia na confiança. E nós vemos, assim, as grandes pessoas da humanidade, identificadas na Eucaristia, com essa força transformadora da História”. E então, Dom Luciano cita Dom Oscar Romero e também o cardeal preso injustamente no Vietnã, por mais de dez anos: “Se nós pudéssemos lembrar o Van Thuan, meu Deus! Que homem, sempre alentado na Eucaristia, cantando o dia inteiro para a Eucaristia, aprofundando no silêncio os mandamentos do Senhor (...). Você se lembra de Madre Teresa de Calcutá? Quando o papa realizou a sua beatificação, ele disse: ‘Teresa de Calcutá não tinha consolação na oração. Ela permanecia na presença de Cristo, sem consolação. Era o tempo que ela dava totalmente a Deus, mas sem aquela espécie de emoções internas. Não tinha. Uma santa! Assumia realmente o drama da vida humana (...)”.

Nesse contexto, cito outro santo sacerdote, muito conhecido de grande parte de vocês, por meio do que contam os seus pais e outros familiares, também falecido como Dom Luciano, e já há 47 anos. É Padre Antônio Ribeiro Pinto, de quem escrevi o livro Padre Antônio de Urucânia, a sua bênção. Era comum Pe. Antônio recomendar aos milhares de fiéis que o procuravam, ansiosos por suas bênçãos milagrosas, que antes deviam se confessar e comungar, para, depois, receberem a bênção e, então, a Graça, conforme fosse a vontade de Deus, na intercessão de Pe. Antônio junto a Nossa Senhora das Graças. Em sua vida de luta, discriminação e de muito sofrimento antes de ordenar-se sacerdote - e o sofrimento ainda o acompanhou por anos! - tantas foram as dificuldades  surgidas, Pe. Antônio de Urucânia tornou-se perfeito instrumento de Deus que lhe cobriu de dons especiais.

No capítulo 13, pág. 94, da 5ª edição de Padre Antônio de Urucânia, a sua bênção, assim escrevi a partir de pesquisas e depoimentos: “Um caminhão estaciona e, da carroceria transformada em vários assentos para os romeiros, descem, apressadas, dezenas de pessoas, receosas que estão de não conseguirem alcançar o horário da bênção (...). Ali perto, chega outro veículo, e, neste, alguém está acorrentado; Pe. Antônio percebe logo e manda desamarrar. Quem conhecia o doente está temeroso (...). ‘Desamarrem ele, estou mandando, em nome de Nossa Senhora das Graças!” é a vos forte de padre Antônio, sobressaindo-se enérgica. Em pouco, o que era tido como louco, já está calmo, aos pés do virtuoso sacerdote, sendo abençoado, curando-se. Lágrimas nos olhos, a voz embargada de tantos, a oração da Ave-Maria ecoa”.

Você se emocionou com essa força de Deus, agindo por meio de seu escolhido, não é mesmo? Também me emociono, sempre que leio tantas passagens. São presentes de Deus para nós.

(Crônica escrita em 14 maio 2011).

e-mail: margaridadrumond@gmail.com

sábado, 19 de dezembro de 2015

Eu conto pra você (Décima Parte)

Eu conto pra você (Décima Parte)

 Encontrar Jesus e encontrar o irmão

No último encontro, eu lhe falava sobre a presença real de Jesus ente nós, presença d’Ele mesmo, nas espécies do pão e do vinho, no altar eucarístico. E então vimos que para viver uma experiência de encontro com Jesus é preciso coragem e fé, tendo Maria como modelo. Afinal, no Sim que ela disse ao Anjo Gabriel quando ele lhe dizia que fora ela a escolhida para Mãe do Salvador, portanto “Cheia de Graça”, tornou-se imediatamente tempo do próprio Deus e Jesus habitou nela.

Hoje, convido você a refletir comigo sobre quantas vezes perdemos oportunidade de estar diante de Jesus no Sacrário, em momentos de Adoração. No entanto, basta procurarmos o Santíssimo na capela e nos deixarmos por uns momentos pertinho d’Ele, ali, real, sempre a nos esperar.  Em nosso dia a dia, tão cheio de compromissos, mal conseguimos parar, para a oração, à noite; entretanto, como é grande a alegria interior que sentimos quando nos permitimos um tempinho diante de Jesus!

Trago um dos depoimentos que ouvi para escrever Dom Luciano, especial dom de Deus, pág. 47, parte do que disse o Prof. Afonso Liguori, na época meu colega na Universidade Católica de Brasília, e que teve a felicidade de conviver com Dom Luciano Mendes de Almeida no Pontifício Colégio Pio Brasileiro, em Roma. Dom Luciano lá se encontrava, no início de seu sacerdócio. Disse o Prof. Liguori: “O Padre Mendes era, em primeiro lugar, o maior exemplo que nós temos de um homem de oração. Não me esqueço de quantas vezes eu e meus colegas de seminário, passando em frente à porta da nossa capela, encontrávamos uma pessoa normalmente vestida  de sotaina preta – todos nós vestíamos batina naquela época - rezando horas a fio, durante o dia, depois do almoço e, por que não dizer, à noite, às dez horas ou mais (...)”.

É na vivência da oração e da adoração a Jesus eucarístico que encontramos força para uma vida mais próxima do que Deus quer de nós, e, se assim fazemos, também nós servimos de exemplo para quem está ao nosso lado. Foi esse o testemunho de vida de dona Emília Mendes para os filhos, no qual se espelhou Dom Luciano. Em um dos escritos dele, falando de sua mãe, Dom Luciano disse que “em Deus, ela encontrava as energias para devotar-se não só à família, mas às necessidades espirituais e materiais do próximo. Subia a encosta da favela e entrava em contato com a miséria, de modo tão discreto, que muitas  vezes nem percebíamos.” Em sua humildade, dona Emília Mendes foi catequista nas favelas do Rio de Janeiro, por 50 anos, conforme registrei, na Parte II e Dom Luciano, especial dom de Deus.

Uma vivência, como a de dona Emília e do filho que nela se espelhou para dedicar-se à Igreja numa vida “em nome de Jesus”, confere com as palavras de dom Luciano num dos retiros para os presbíteros da Arquidiocese de Mariana, em 1988, ano em que assumiu aquela arquidiocese. Ele citou as palavras de Paulo aos Filipenses sobre Jesus: “Sendo Ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus”. E então Dom Luciano lembrou que viver em nome de Jesus “é mostrar, pela presença, que você ama! Assim fez Jesus”. E citou o nascimento do Mestre “pobre com os pobres – sem dinheiro para hotel. Jesus quis não ter”. Pontuou também as passagens de Jesus com os pescadores; Jesus e o sofrimento do estrangeiro; Jesus lavando os pés dos outros, e muitos outros exemplos conforme relatado na pág. 532.

Para você o abraço fraterno da Margarida Drumond de Assis. (Para 28.062011).

e-mail: margaridadrumond@gmail.com

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Eu conto pra você (Nona Parte)

Eu conto pra você (Nona Parte)

 Jesus Eucarístico, presença ‘Real’
             
Nesta semana, toda a Igreja celebra um dos seus mais significativos momentos: Corpus Christi. Na verdade, revivemos a razão de ser de nossa fé, a razão da Igreja; foi Jesus mesmo quem, na última Ceia, ordenou: “Fazei isto em memória de mim”.  Assim, sob as espécies do pão e do vinho, Deus se faz presente.

Para lhe falar com mais propriedade sobre o relevante tema, apoio-me em Dom Luciano, especial dom de Deus, Parte XIV, página 848, onde falo sobre o 15º Congresso Eucarístico Nacional, realizado em Florianópolis, em maio de 2006. O então Arcebispo daquela Arquidiocese, Dom Murilo Krieger, em sua contribuição para o livro sobre Dom Luciano, explicou que de muitos modos Deus está presente entre nós, mas “a sua presença na Eucaristia (...) chama-se ‘real’, porque é substancial e porque por ela se torna presente Cristo completo, Deus e homem”. Conforme lembrou o Papa Paulo VI, em 1965, citado por Dom Murilo, “trata-se daquele que é o dom por excelência, porque dom de Jesus Cristo mesmo, de sua pessoa (...)”.

Mesmo já estando muito doente, e ele viria a falecer três meses depois, Dom Luciano fez uma conferência naquele Congresso e recordou um fato que se deu no Jardim Sinhá, região onde ele era Bispo em São Paulo, de 76 a 88. Contou Dom Luciano: “Uma criança, sujinha, aquela coisinha pequenininha, bate na porta da sala que estava fechada, e a Irmã vai atender: ‘– O que você quer?’ ‘– Eu quero ver Jesus’, ela disse. A Irmã disse assim: ‘– Meu Deus, ela que ver Jesus, como é que vai ser?’  ‘– Você pode entrar, entra aqui. Esta é a sala onde a gente reza, trabalha, você sabe’. ‘ – Sei, sei, sei, só não estou vendo nada, não estou vendo nada. Eu quero ver Jesus. Irmã, eu quero ver Jesus’.  Aí a Irmã se lembrou de que havia uma salinha pequenininha, onde se guardava o Santíssimo. Então levou a criança e disse: ‘– Olha, você vai entrar na salinha, Ele está aqui’.  ‘– Oh, tô vendo nada!’ A Irmã ficou meio atrapalhada, aproximou-se do Tabernáculo, abriu a portinha e disse:  ‘– Mas ele está aqui’! ‘– Tô vendo nada, tô vendo nada!’ A Irmã , num gesto de coragem, tirou a tampinha da píxide, e a criança, num salto, pegou a Hóstia na mão e disse: ‘– Oh, Jesus, como eu gosto de você!’ E colocou a hóstia de novo e saiu correndo.” Ah, quanto seria bom se também nós pudéssemos dizer: “Oh, Jesus, como eu gosto de você!” (p. 852).

             E não é mesmo? Como essa criança, devemos crer que Jesus está ali, real, vivo. E, pela comunhão, tomamos parte d’Ele, somos o Templo de Deus. Ah, mas tem uma coisa, meu amigo e minha amiga ouvinte: para vivermos a experiência real desse encontro com Jesus, também devemos ser autênticos, sem meias medidas. Ele exige tudo. É preciso se posicionar com Deus, e alguns até o fazem de forma radical, já o sabemos. Assim, foi com os discípulos e com todos aqueles que tiveram a coragem de se encaminhar até Ele. É um encontro decisivo (p.850). Devemos, aliás, ser “como Maria - modelo de todo discipulado”, conforme frisou o Núncio Apostólico Dom Lorenzo Baldisseri, também presente naquele Congresso.

e-mail: margaridadrumond@gmail.com

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Eu conto pra você (Oitava Parte)

Eu conto pra você (Oitava Parte)

 Dom Luciano, especial dom de Deus: com o Absoluto, a entrega é total
                                                                                     
            Olá! Com que alegria me atenho para este nosso encontro. É sempre um bênção de Deus saber que de um lado está a sua emissora de Rádio e do outro está você, pronto para ouvir e se deixar mover pelo Espírito, no aprofundamento de sua fé  e para mais conhecer fatos e pessoas marcantes na vida da Igreja. Faço-o a partir de Dom Luciano, especial dom de Deus, o mais recente dos livros que escrevi, obra de 1022 páginas e que possibilita recordar a caminhada, entre nós, de Dom Luciano Mendes de Almeida e a caminhada da igreja de seu tempo – do Papa Pio XII a Bento XVI.

            Hoje, na sequência e para encerrar as reflexões sobre a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBN, concluo com o registro de algumas das circunscrições eclesiásticas, e delas conto-lhe que as Arquidioceses da Igreja no Brasil são 41; as Dioceses, 211; e as Prelazias, 13. Quanto ao número de bispos, conforme dados de 20 de março de 2010, do livro Bispos do Brasil, da própria CNBB, são: 149 bispos eméritos e 298 em exercício, um total de 447 membros formando nosso episcopado.

            No buscar, em Dom Luciano, especial dom de Deus, algo peculiar que se relacione à Missão de uma pessoa consagrada, vou às páginas 701-702, parte XI, de onde extraio algumas das palavras de Dom Luciano, por ocasião do Sínodo mundial dos Bispos, em Roma, em 1994, sobre a “Vida Consagrada”, sendo ele o então Arcebispo de Mariana e Presidente da CNBB.

            Dom Luciano enumera vários pontos sobre o “Cerne da vida consagrada”, destacando que “é a resposta ao chamado pessoal feito por Jesus Cristo por Segui-l’O mais de perto. É a opção de amor e de total entrega a Jesus Cristo, Filho de Deus vivo (...). É resposta de fé e amor  - frisa Dom Luciano. E então discorre sobre o amor gratuito de Deus e daquele que é chamado. Conforme frisou nosso arcebispo jesuíta:  “a Ele respondemos com a consagração total de nossa vida, abandonando (...), assumido, na pluralidade dos carismas, a missão e o modo de vida de Jesus Cristo e colocando n’Ele toda a esperança de realização afetiva humana”. Em sua alocução neste encontro mundial dos bispos delegados ao Sínodo, Dom Luciano destacou as maravilhas às quais convido você a ler nas citadas páginas de Dom  Luciano especial dom de Deus, pois ele fala sobre “a realização afetiva do consagrado”;  sobre a “comunicação do amor a todos”; sobre “a consagração, os conselhos evangélicos e o zelo missionário”.

E, por tratar-se o Sínodo deste tema, tive a cuidado de apresentar também alguns fragmentos de outros de nossos pastores; neste caso, registrei sobre o que disse o Santo Padre, o Papa João Paulo II, a partir de uma das homilias que celebrou com o episcopado de toda a Igreja. Oh, caríssimo e caríssima ouvinte: atenção para esta maravilha expressa pelo sumo pontífice, nosso agora Beato João Paulo II: “Fez-me grandes coisas o Altíssimo...”, disse lembrando Nossa Senhora. E enfatiza: “Grande coisa’ foi para a Igreja o Concílio Vaticano II, que pode justamente ser definido como o evento eclesial mais significativo do nosso século (...).” – E focaliza alguns dos escolhidos do Pai: - Ele chamou no seu tempo, Bento e a Irmã Escolástica. Chamou Bernardo, Francisco e Clara de Assis, Boaventura, Domingos, Tomás de Aquino e Santa Catariana de Sena (...)”. Inteligente e atento ao caminho por que passa a Igreja, ao longo da História, frisou: “Na época do cisma ocidental e da reforma, chamou Inácio de Loyola, Teresa de Ávila, João da Cruz e depois Francisco Xavier e Pedro Claver”.

Convido você a se ater nas páginas 702 e 703, ali estão mais das palavras do pastor maior; constituem-se em graça de Deus para nosso aprendizado e aprofundamento na fé.

            Para finalizar, uma frase de Dom Luciano Mendes de Almeida, que foi muitas vezes lembrada durante a pesquisa que fiz, procurando conhecê-lo mais um pouco e ver quais as personalidades da Igreja poderiam ter marcado a vida de Dom Luciano. Às vezes em um retiro, noutras conversando informalmente com um seminarista ou presbítero, sempre Dom Luciano ressaltava a palavra de um companheiro, também membro da Companhia de Jesus, e que fora um de seus mestres: Pe. Leonel Franca, nascido em São Gabriel, Rio Grande do Sul, em 1893, fundador e primeiro reitor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Dizia Pe. Leonel: “Quem não deu tudo, não deu nada: com o Absoluto não se regateia”, palavras de fato levadas a sério por Dom Luciano, que, durante toda a sua vida foi de uma entrega total a Deus, no seu amor ao outro e no serviço à Igreja.

e-mail: margaridadrumond@gmail.com 

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Eu conto pra você (Sétima Parte)

Eu conto pra você (Sétima Parte)

Dom Luciano, especial dom de Deus




        De Secretário Geral de CNBB e o atendimento aos pobres
Estou de volta caríssimo ouvinte, falo com você também caríssima que me acompanha nestas reflexões a partir de Dom Luciano especial dom de Deus, livro que nos aproxima de Dom Luciano Mendes de Almeida, ele que aqui viveu fazendo o bem, mostrando a importância do doar-se ao mais necessitado. E, para prosseguir sobre a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, no tempo de Dom Luciano Secretário Geral e Presidente, recorro ao capítulo 30, parte 8, quando falo do período em que ele era Secretário Geral da CNBB – 1979 - 1986 –  e também Bispo Auxiliar de São Paulo.
Contou Ir. Neusa Simões, religiosa que conviveu com Dom Luciano, como sua secretária por mais de 30 anos, pois o conheceu em 1969, em São Paulo, época em que o ainda Pe. Luciano, também Padre Mendes para outros, já se destacava como sacerdote, na formação de jovens jesuítas na Faculdade Nossa Senhora Medianeira (p. 430).
“Dom Luciano era procurado pelos pobres, até mesmo em Itaici – Indaiatuba/SP, quando ele, estando na CNBB, ia para a Assembleia Geral. Sem poder ir a Brasília, para Itaici é que os pobres se dirigiam, certos de encontrá-lo”. Também era normal, em Brasília, Dom Luciano atender a telefonemas dos pobres, enviando-lhes, depois, coisas ou mesmo dinheiro”. É ainda Ir. Simões quem recorda: “Certo dia, uma irmã preparara um sanduíche com um pedaço de carne para dar a um pobre, mas Dom Luciano viu e disse: ‘mas não dêem sanduíche a esse homem! Não estão vendo que o coitado não tem dentes? Deem-lhe sopa’” (p. 431), explicou aquele atento amigo.
E, agora, acrescentando um pouco mais sobre a Conferência Nacional à qual Dom Luciano serviu, conto-lhe que além do apoio das Comissões Episcopais, a CNBB possui também os Regionais. Eles facilitam o contato com toda a Igreja no País, o que é especialmente importante, pois em certas regiões há carência de sacerdotes e missionários. Então, os Regionais notificam as necessidades, acodem no que for preciso. São assim denominados: Regional Norte 1, abrangendo o Norte do Amazonas e Roraima; o Norte 2, com o Amapá e Pará; os Regionais do Nordeste, de 1 a 5; o Regional Leste 1, com o Rio de Janeiro; o Leste 2, com o Espírito Santo e Minas Gerais; os Regionais Sul e ainda outros (p. 121).

Hoje ainda ressalto quanto aos aspectos da estrutura, origem e missão da CNBB, conforme temos refletido, sobre o início da entidade. É então importante focalizar da Cronologia das Presidências, a composição da Comissão Permanente, quando da instalação no Rio de Janeiro: “membros natos, presidência – cardeais Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta, presidente; e Dom Jaime de Barros Câmara; Membros eleitos – Dom Vicente Scherer; Dom Mário de Miranda Villas Boas; Dom Antônio Moraes Almeida Júnior, além dos bispos suplentes e o Secretário Geral, Dom Hélder Câmara.
Dos demais presidentes da CNBB: em 10 de julho de 1958 assumiu o Cardeal Dom Jaime de Barros Câmara; em setembro de 1964, Dom Agnelo Rossi, que foi reeleito em julho de 68; Dom Aloisio Lorscheider, também com dois mandatos, de 1971 a 1979; Dom Ivo Lorscheiter, de 79 a 87; Dom Luciano Mendes de Almeida, de 1987 a 1995; Dom Lucas Moreira Neves, por uns anos, pois seguiu depois para Roma; Dom Jayme Chemello, junho de 1998; Dom Geraldo Majella Agnelo, eleito em 2003; e, em 2007, Dom Geraldo Lyrio Rocha; e, agora, Dom Raymundo Damasceno Assis, eleito na 49ª Assembleia Geral, realizada em Aparecida, com término no último dia 13 de maio deste 2011.

sábado, 12 de dezembro de 2015

EU CONTO PRA VOCÊ (QUARTA PARTE)

EU CONTO PRA VOCÊ ( QUARTA PARTE)

Dois servos de Deus em Mariana

“Não vim para ser servido, mas para servir. Jesus serviu ávida inteira e eu venho para servir, em nomes de Jesus (...)”.

            Eu conto pra você, hoje, um pouco mais sobre Dom Luciano Mendes de Almeida, a partir de meu livro Dom Luciano, especial dom de Deus, mas também sobre Padre Antônio Ribeiro Pinto, de quem há dois meses fiz a 5a edição do livro Padre Antônio de Urucânia, a sua bênção. Começo com o fragmento das palavras dele, por ocasião da posse como Arcebispo da Arquidiocese de Mariana, em 1988, após os doze anos como Bispo Auxiliar em São Paulo. E, para falar de Dom Luciano - servo, trago os Encontros da Província Eclesiástica de Mariana – EPEM’s, que passaram a acontecer regularmente a partir de 1989. Ocorriam em revezamento com as dioceses sufragâneas de Itabira - Cel. Fabriciano, Governador Valadares e Caratinga.


            Em todas as atividades de Dom Luciano, fosse um retiro, um encontro da juventude, com a família, presbíteros ou nesses encontros com os bispos e demais representantes da Província, Dom Luciano sempre deixava claro quanto é importante ajudarmos o mais necessitado. Em Dom Luciano, especial dom de Deus, são inúmeros os exemplos nesse sentido e que comprovam a vivência dele, conforme o seu lema episcopal, “em nome de Jesus” .

          Em um dos EPEM’s, em Ponte Nova, ao chegar a hora do almoço, estando à porta um grupo de crianças, para lá se dirigiu Dom Luciano, servindo-as, antes mesmo de ele próprio servir-se com os do clero. Primeiro estava sempre o outro (...). De outra feita, num encontro para 80 participantes, mas no final havendo em torno de 100, outro exemplo se viu: faltando comida para tanta gente, foi Dom Luciano mesmo para a cozinha ajudar. Depois, ele foi visto comendo biscoito de água e sal. Disse: “é preciso primeiro servir o irmão, ver se nada lhe está faltando. Depois, a gente se serve do que for possível”.

       De seus 16 anos na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, como Secretário Geral e Presidente, também trago um exemplo. Aconteceu que, certa vez, Dom Luciano acolheu no quarto dele um dos bispos – a casa estava cheia – e ele cedera o melhor leito ao visitante. Este, porém discordou e se pôs no leito menos confortável. De nada adiantou. Disse-lhe Dom Luciano: “meu irmão, eu estou aqui há 16 anos, posso me acomodar em qualquer lugar. Fique tranquilo, eu estou bem”, e foi para a cama junto à porta.

        Pe. Lauro Versiani, reitor do Seminário de Teologia, em Mariana, em um de seus depoimentos contou que muito via Dom Luciano ora ajudando a um pobre, acudindo a um doente, a um e outro membro do clero; atendia a todos, fosse de sua Arquidiocese ou não. “Nós, os sacerdotes, os pastores, devíamos formar o Sindicato dos lavadores de pés”, dizia o Arcebispo jesuíta.

           E Paulo Isaias, presidente do Grupo de Integração Social - GIS, em Mariana, narrou  sobre um lava-pés, literalmente falando, naquela cidade: Havia um senhor de nome João, que vinha de São Paulo para Mariana, atrás de Dom Luciano, de quem dizia: “meu pai é Dom Luciano”. Em certa noite, procurou-o, e então o arcebispo pediu ao Paulo que tomasse as primeiras providências. E já bem cedo, ambos estavam diante de Dom Luciano que, vendo o homem já vestido mas descalço e com os pés inchados, pediu que lhe comprasse calçado, além de uma bolsa. Mas não estava fácil achar um calçado adequado. “Dom Luciano se retirou e daí a pouco chegou com um par de sapatos que ganhara de um irmão dele, mas que nunca usara.(...). Ele se abaixou e, com um algodão, limpou as feridas nos pés do João, pondo-lhe meia e sapato”. Assim era Dom Luciano: servo, irmão, pai, um especial dom de Deus (ASSIS, 2010, p. 497 – 498).

        É também da Arquidiocese de Mariana outro importante nome da Igreja do Brasil, nome que foi projetado para todo o estado de Minas, para o país inteiro e para o mundo: Padre. Antônio Ribeiro Pinto, santo sacerdote de quem lhe falo a partir do meu livro Padre Antônio de Urucânia, a sua bênção. Conforme disse Pe. Francisco Vidal, pároco da catedral de Governador Valadares, em janeiro de 2006 quando do lançamento, lá, “Deus operou muitos milagres por intercessão de padre. Antônio, que incentivava a devoção a Nossa Senhora das Graças e à Medalha Milagrosa”.

        Também trago um depoimento de Manuel Miranda, de Rio Piracicaba/MG, sobre graça alcançada, à época em que o corpo de Pe. Antônio ainda jazia no cemitério de Urucânia e não no Santuário Nossa Senhora das Graças. Em 1970, a filha de nome Elisa, tinha seis meses de idade e sofria fortes problemas intestinais. Levou a pequena à campa de Pe. Antônio, deixando-a ali por 40 minutos, enquanto ele e a esposa rezavam. Pouco depois, em casa,  constatou que a filha, há muito doente, já estava curada (ASSIS, 2010, p. 167).

           São incontáveis os depoimentos de bênçãos e curas alcançadas na intercessão de Pe. Antônio que, ainda hoje, continua a velar junto de Deus por todos que a ele recorrem. Disse Dom Luciano, no Prefácio da 1a edição do livro em 2004: “Sempre que celebro em Urucânia com o povo, elevo a Deus e a  Nossa Senhora o agradecimento pelo bem que até hoje a vida e a intercessão de Pe. Antônio fazem a todos nós (...)”.
            
            São, pois, Dom Luciano, especial dom de Deus e Padre Antônio de Urucânia, a sua bênção, leituras sobre dois servos de Deus. Aqui viveram no testemunho do amor do Pai por nós. Dom Luciano e Padre Antônio de Urucânia nos ensinaram que tudo devemos fazer para servir o irmão, permitindo-lhe aproximar-se mais de Deus e de Maria.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Eu conto pra você - Primeira Parte

Eu conto pra você (Primeira parte)

                      
                                               Margarida Drumond de Assis

A partir desta edição, por meio do conceituado Jornal Classivale, este semanário que o amigo jornalista Wander Santos e sua amada Dalizete Peixoto, Diretora Administrativa e Editora Adjunta, mantêm, há dezenas de anos, no cumprimento de bem informar e entreter, estarei com você, permitindo que conheça um pouco sobre este fazer literário por que me apaixonei há 33 anos, quando escrevi meu primeiro livro, o romance Um conflito no amor.

É-me gratificante externar o que me vai à mente e n’alma, especialmente quando Deus me concede a graça de escrever sobre pessoas santas, que são de nosso tempo. Primeiro foi, em 2004, Padre Antônio de Urucânia, a sua bênção, cuja 5ª edição, entreguei aos leitores no dia 8 de abril, junto da obra sobre o Arcebispo Dom Luciano Mendes de Almeida, em Timóteo neste 2011; em segundo lugar veio, também como missão, o documentário biográfico Dom Luciano, especial dom de Deus, sobre o qual passo a lhe falar.           
O convite para escrever sobre o saudoso e muito querido jesuíta Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida veio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, na pessoa de Dom Odilo Pedro Scherer, em 2005, então Bispo Auxiliar de São Paulo e Secretario Geral da CNBB. Fiz o projeto da obra, apresentei-o a Dom Odilo e busquei falar pessoalmente com dom Luciano, mas, ele, já cada dia mais debilitado e ainda mantendo as suas muitas ocupações na Arquidiocese de Mariana e com todos os que dele precisavam, independentemente de onde fossem, não teve como me atender. Mas o conheci e com ele conversei por algumas vezes, antes, por ocasião do livro sobre Padre Antônio, que, aliás, ele prefaciou. Fato é que em setembro de 2006 iniciei a pesquisa e, em seguida, me pus a ouvir um grande número de pessoas sobre Dom Luciano, pessoas que com ele conviveram ou que por ele foram beneficiadas, graças aos muitos dons de amor e desprendimento que ele tinha para com o outro. Foram quatro anos, ao todo, entre entrevistas diversas, leituras e outros recursos, no Brasil, na Itália e na Colômbia, e, graças a Deus, com apoio de muita gente aonde quer que eu fosse. Todos queriam ajudar de alguma forma para que a obra ficasse logo pronta.

         Querido leitor, Dom Luciano, especial dom de Deus é, conforme escrevi na Introdução do livro: “(...) resultado, pois, do meu desejo de proclamar a vida e a obra de alguém que, ao atender ao Chamado para ser sacerdote (...) sentiu ainda mais forte em seu íntimo o fascínio exercido por Jesus Cristo, o Filho de Deus, em nome de quem percorreria todo o seu caminhar, por 59 anos, desde o início do Noviciado em 1947 (...). Em sendo assim, e sabendo da entrega radical de Dom Luciano, no serviço à Igreja e ao próximo, não dava para escrever sobre ele, desvinculando-o da Igreja de seu tempo. Aobra é, pois, como muitos já me disseram, também um dom especial para quem a lê, e isto por dois motivos: porque ela permite maior aproximação com a vida de quem aqui de fato viveu “em nome de Jesus”, conforme seu lema episcopal; e também porque apresenta a história da Igreja, desde o Papa Pio XII, a criação da CNBB; do Conselho Episcopal Latino-Americano – CELAM, do qual Dom Luciano foi Vice-Presidente, passando pelo Concílio Vaticano II, o Pós-concílio, chegando ao Santo Padre Bento XVI. E disso tudo muito me alegro e por isso dou graças, constituindo-se meu agradecimento na propagação das mensagens que o Pai me permitiu escrever, como o faço neste momento.

            Eu fico por aqui. Para você, o abraço da Margarida Drumond de Assis.


Contatos com a autora: Tel.: (61) 9252-5916; (61) 8122-9005

E-mail: margaridadrumond@gmail.com  (Crônica escrita em 2011)