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sábado, 13 de maio de 2017

CANONIZAÇÃO DOS PASTORINHOS E OS 100 ANOS DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

CANONIZAÇÃO DOS PASTORINHOS E OS 100 ANOS DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

 

Margarida Drumond de Assis

 

​Neste sábado, a Igreja celebra os 100 anos da primeira Aparição de Nossa Senhora a três pastorinhos na Cova da Iria, freguesia de Fátima, no concelho de Ourém– Portugal, data em que o Papa Francisco canoniza duas daquelas três crianças. Era o dia 13 de maio de 1917 e a Virgem Maria apareceu a três pastorinhos, crianças simples daquela redondeza, mas que logo depois se tornaram mundialmente conhecidas: os irmãos Francisco e Jacinta Marto e a prima Lúcia de Jesus dos Santos.

​A aparição de Maria no dia 13 de maio foi a primeira das seis que se deram em cada dia 13 dos meses seguintes, até outubro. Nos montes de Fátima, Nossa Senhora ressaltava àquelas crianças a importância de rezarmos o santo Rosário, enfatizando que,  na meditação dos mistérios, graças viriam sobre o mundo. Também pediu que lhe construíssem em sua honra, naquele local, uma capela, e ali se tornou palco de louvor a Deus, por meio de Nossa Senhora, e palco da devoção mariana. A construção da capela começou em 13 de outubro de 1919, sendo a primeira missa nela celebrada na mesma data dois anos depois. A devoção se propagou intensamente e, no dia 13 de maio de 1928, foi lançada a primeira pedra da Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, local em que pouco depois foram sepultados Francisco e Jacinta, os quais, conforme Maria anunciara, morreriam precocemente, ele, em 4 de abril de 1919; ela, 20 de fevereiro de 1920. 

As aparições em Fátima, há um século, coincidiramcom um dos períodos mais tristemente vividos no Século XX: a primeira Guerra Mundial – 28.07.1914 – 11.11.1918, que ocasionava milhares de mortes na Europa, muita fome, epidemias e destruição, sendo Portugal um dos países pobres de então. Contudo, com o evento de Maria em Fátima, o país se tornou um centro de propagação de fé em Deus e de devoção mariana, trazendo esperança a todos. Assim, anualmente, no mês de maio, celebramos o mês de Maria, Mãe de Deus e nossa, os Católicos, para quem Maria é modelo de virtude e força, especialmente quando sabemos de seu Sim ao Anjo Gabriel que lhe anunciou ter sido ela escolhida para Mãe do filho de Deus, a mãe do Salvador. E, nesse exemplo do amor materno de Maria, em todo segundo domingo do mês de maio homenageamos as Mães, este ser que é capaz de deixar de pensar em si para sempre dar vez aos filhos.

As aparições de Nossa Senhora, em Fátima, foram sinal de esperança naqueles tempos difíceis, mas ela muito antes já se manifestara em outros lugares, como aconteceu em 1830, em Paris, a Santa Catarina de Labouré, sempre trazendo por sua presença entre nós o amor misericordiosode Jesus. Com isso, são muitos os títulos que lhe foram dados, conforme os locais e circunstâncias em que se manifestou. E, na lembrança de outras das aparições, temos Guadalupe - México, 1531;  Lourdes – França, 1858; Medjugorge – Bósnia, 1981, e, claro, o surgimento da imagem da virgem no rio Paraíba do Sul, em Aparecida, São Paulo; de Nossa Senhora Aparecida, celebramos agora em 2017 os 300 anos de sua aparição. 

O amor de Maria, bem o sabemos, há muito vem sendo reconhecido e ela sendo venerada ao longo dos séculos, por incontáveis santos e santas da Igreja, a exemplo de Santo Afonso Maria de Ligório, São Domingos de Gusmão, Santa Teresinha do Menino Jesus, São Bernardo. É, pois convicto da devoção mariana e de seu amor por nós, que terminado o Concílio Vaticano II, o Sumo Pontífice Paulo VI declarou Nossa Senhora como sendo a “Mãe da Igreja”, e bem o fez; basta nos lembrarmos das palavras de Jesus ao discípulo amado, aos pés da Cruz – “Filho eis aí tua Mãe; Mulher, eis aí teu filho” (Jo 19, 26 – 27). É conforme bem registrou nosso hoje São João Paulo II:  “Ao pedir ao discípulo predileto que tratasse Maria Santíssima como sua Mãe, Jesus instituiu o culto mariano”.

Hoje, ao vermos nosso amado Papa Francisco em Fátima, celebrando a canonização dos pastorinhos Francisco (11.06.1908) e Jacinta Marto (11.03.1910) -beatificados em 13 de maio de 2000, pelo papa João Paulo II - nos enchemos de júbilo pois nos dois teremos novos modelos de santidade, sinais eternos da graça de Deus. Quanto à Lúcia, a mais velha dos três pastorinhos, depois tornou-se religiosa  e veio a falecer aos 97 anos, em 13 de dezembro de 2005, sendo o processo de beatificação iniciado pelo papa Bento XVI. O seu corpo, outrora sepultado no convento carmelita de Santa Teresa em Coimbra, foi levado um ano após o falecimento para omesmo local onde estão os, agora, Santa Jacinta de Jesus Marto e São Francisco de Jesus Marto. 

O papa Francisco, em Fátima, nesta data, repete o gesto do primeiro papa que ali visitou, Paulo VI em 1967, e também de João Paulo II, que lá esteve por três vezes, e Bento XVI. E me lembrando de reflexões e pesquisas que fiz para escrever Dom Lara: vida de amor, testemunho de caridade (dez. 2015), sobre o já tão saudoso redentorista Dom Lelis Lara, registramos a importância da devoção mariana em nossa vida. Como dizia Dom Lara, fiel seguidor da Congregação, Santo Afonso de Ligório, “Maria é mediadora da graça, é nossa advogada, é rainha e Mãe de Misericórdia”.

​​​​​​​Brasília, 12 de maio de 2017

 

 

Margarida Drumond de Assis é professora, jornalista e autora de dezesseis livros editados em vários gêneros literários. Destacam-se, Tempo de saudade, com a história de Timóteo; Dom Luciano, especial dom de Deus; e Padre Antônio de Urucânia, a sua bênção. É membro da Academia Taguatinguense de Letras – ATL e da Academia de Letras e Artes do Brasil – ALMUB www.margaridadrumond.vai.la  Contato: margaridadrumond@gmail.com Tel. (61) 9252=5916  

 

Unamo-nos, neste especial dia, fazendo a oração de São Bernardo a Nossa Senhora - "Lembrai-vos", oração esta inúmeras vezes rezada pelo Pe. Vitor Coelho de Almeida, mineiro de Sacramento, mas de todos conhecido de Aparecida/SP:



Lembrai-Vos, ó piíssima Virgem Maria, 
que nunca se ouviu dizer 
que algum daqueles 
que têm recorrido à vossa proteção, 
implorado a vossa assistência, 
e reclamado o vosso socorro, 
fosse por Vós desamparado.
Animado eu, pois, de igual confiança, 
a Vós, Virgem entre todas singular, 
como a Mãe recorro, 
de Vós me valho e, 
gemendo sob o peso dos meus pecados, 
me prostro aos Vossos pés. 
Não desprezeis as minhas súplicas, 
ó Mãe do Filho de Deus humanado, 
mas dignai-Vos 
de as ouvir propícia 
e de me alcançar o que Vos rogo. Amem!!”


quinta-feira, 11 de maio de 2017

MACRON: BOM PARA A FRANÇA, BOM PARA O MUNDO

                              MACRON: BOM PARA A FRANÇA, BOM PARA O MUNDO

Margarida Drumond de Assis
               
                O resultado das eleições na França, no último domingo, soaram como um alívio. A vitória do social-liberal, Emmanuel Macron, com aprovação de 65 % dos votos  válidos afastou a insegurança que os franceses viviam só de imaginar como ficaria o país, se a adversária na eleição presidencial e líder da extrema-direita, Marine Le Pen, vencesse. Com ela, era sério o risco de verem o país fora da União Europeia e da zona do euro, além de estar em risco a democracia.
Com o centrista Macron no poder, todo o continente se sentiu mais seguro e, levando em conta a vida globalizada, todo o mundo também, pois o que  se decide em algum ponto importante do planeta, repercute em todo lugar. É, conforme expressou uma francesa radicada no Brasil e que se punha a postos para votar, mesmo estando aqui, “tudo é o planeta”, era, pois, importante votar.
Pesquisas feitas pela Opinion Way e pela Radio Les Echoset, às vésperas do pleito presidencial, indicavam a vitória contundente de Emannuel Macron com 62 % dos votos. Era-lhe favorável o fato de ele não pertencer a partidos políticos e o seu desejo de restabelecer as relações entre os franceses e o bloco europeu. Antes, Marine Le Pen seguia sua campanha com certa expectativa, vislumbrando  uma possível vitória, mas ao participar do último debate televisivo, sua aceitação caiu bastante; ela passou, então, a ideia de não ser capaz de bem conduzir os destinos da França. Pesava aos franceses, por exemplo, imaginarem-se fora do bloco, além de que não viam com bons olhos a posição política na  qual Le Pen se enquadrava.
Vitória alcançada, Emmanuel Macron prometeu energia para governar, mostrando coragem para atingir seus propósitos pelo bem do país e dos franceses; ele bem sabia que muitos votaram nele apenas para evitar que Le Pen vencesse, mas que também não o tinham em tão alta conta. Afiinal, Macron, hoje com 39 anos e considerado o mais jovem presidente do país, era, até abril de 2016, praticamente um desconhecido. Mas é importante ressaltar o apoio que recebeu, em vídeo,  do ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e de outros nomes relevantes no cenário internacional, como o da Chanceler da Alemanha, Angela Merkel.  Já o atual presidente norte-americano, conforme manifestou a assessora de imprensa, Sara Sanders, dizia-se favorável a qualquer dos dois candidatos: fosse Le Pen ou Macron o venceddor, trabalharia com quem quer que o povo francês elegesse.
Há que se considerar também de suma importância na vitória de Macron o pensamento que ele manifestou de apoio a refugiados, e, assim, a reação italiana rapidamente mostrou quanto eles estão esperançosos, pois agora esperam que a França também ajude na acolhida aos milhares de imigrantes que chegam à Europa, aflitos, famintos, necessitados mesmo de respeito em sua dignidade para uma vida digna.
Fica-nos, agora, a expectativa no sentido de que Emmanuel Macron leve a efeito suas intenções de realmente trabalhar com políticos que possuam ficha judicial limpa; que lute  pela melhoria de vida das pessoas, favorecendo as políticas sociais, conforme pede o país, com investimentos que atendam à esperança que circunda a Europa, por melhores dias no continente, fazendo valer os propósitos que lhe são tão conhecidos,  de “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”.

                                                                                  Brasília, 10 de maio de 2017


Margarida Drumond de Assis é professora, jornalista e autora de dezesseis livros editados em vários gêneros literários. Destacam-se, Tempo de saudade, com a história de Timóteo; Aconteceu no cárcere; e Padre Antônio de Urucânia, a sua bênção. É membro da Academia Taguatinguense de Letras – ATL e da Academia de Letras e Artes do Brasil – ALMUB www.margaridadrumond.vai.la  Contato: margaridadrumond@gmail.com Tel. (61) 9252=5916  



quinta-feira, 20 de abril de 2017

BRASÍLIA, 57 ANOS - UM POUCO DE SUA HISTÓRIA



        BRASÍLIA, 57 ANOS - UM POUCO DE SUA HISTÓRIA

Margarida Drumond de Assis

Nesta semana, o Brasil tem uma importante data da qual se lembrar e dela fazer memória: 21 de abril. Recordamos Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes (1746), em sua luta pela liberdade na Inconfidência Mineira; Tancredo de Almeida Neves, primeiro Presidente Civil eleito após a ditadura militar que durou vinte e um anos, mas que misteriosamente morreu antes de sua posse (1985); e também nos lembramos do aniversário da Capital da República, Brasília, inaugurada que foi, em 1960, pelo também mineiro Juscelino Kubitschek de Oliveira (12.09.1902). Os três marcaram de forma indelével a história do Brasil, mas é sobre Brasília que prosseguiremos neste espaço, e, isto, tanto pelo que ela simboliza - enquanto cidade de rara beleza com sua arquitetura, seus espaços abertos, jardins e parques, seu céu espetacular, pelas oportunidades que oferece para estudo e trabalho, pela comunidade que aqui habita - quanto pela vida que nela pulsa incessantemente, pelo bem da Capital e do país.
É bem verdade que hoje, politicamente falando e considerando ser Brasília o centro do Poder, vivemos com ela crucial momento. A atenção do Brasil se volta, sim, para a Capital, mas, contrariamente ao que gostaríamos, isto se dá pelos fatos ligados à corrupção, quando então as palavras que se ouvem todo o tempo são: Caixa Dois,  Mensalão, Odebrecht, Delação Premiada,  Lava Jato, entre outras. Perplexos, somos levados a pensar que a crise no País, hoje, é muito mais devido a um problema econômico, parece mais uma questão de ética, pois o que se percebe é sua ausência na maioria de nossos representantes. Consequentemente, em meio a esse caos, Brasília e sua história, a sua beleza, podem perder um pouco de seu brilho.
Em um olhar pela história remota, encontramos um dos mais importantes nomes desse meio no País, o do historiador e diplomata Francisco Adolfo de Varnhagen, patrono da Cadeira 39 na casa de Machado de Assis, a ABL, o paulistano de Sorocaba, de  17 de fevereiro do longínquo ano de 1816. Adirson Vasconcelos, querido amigo e confrade acadêmico nesta Capital, conceituado historiador de Brasília, em seu livro Bicentenário de nascimento de Varnhagen 1816 -2016, enalteceu esse relevante nome de nossa história, quando de sua fala no ano passado, lá mesmo em Sorocaba, na celebração da importante data. Desde que li a obra, muito desejo discorrer a respeito, e o faço agora no aniversario de nossa Capital, esta Brasília para onde vim, inicialmente nos anos 70; depois novamente nos anos 80, e, por fim, pisei neste solo querido em 14 de janeiro de 1994, e comigo meus três filhos ainda adolescentes. Quem aqui aporta, com coragem e desejoso de melhores condições de vida, pronto para novas experiências, se apaixona pela cidade. É, pois,  ocasião de recordar um pouco seu início; daí, nos chega o nome do histórico Varnhagen, também conhecido por Visconde de Porto Seguro.
Era o Rio de Janeiro a sede do país, mas já se falava em transferir a Capital para o interior; fácil não era e Varnhagen lançou um questionamento: se, à época, não haveria coragem, força política e fé para legislar a mudança da Capital. E ele próprio respondeu: “Vamos ensaiando qual é o lugar que se poderá ir considerando como substituto do Rio, ao menos para quando (Deus as arrede) a peste ou a fome ou a guerra nos obrigarem repentinamente a buscar um refúgio longe do litoral”. E, de fato, após muito refletir e de  escrever um livro, a respeito, o decidido defensor da interiorização da Capital sugeriu o local, o mesmo onde, cinquenta anos depois, Luiz Cruls “posicionaria a área da futura capital, incluído no triângulo formado pelas três lagoas Formosa, Feia e Mestre d’Armas”, fazendo minhas as palavras do colega de jornalismo e também escritor Adirson.  Assim definiu, em 1857, Varnhagen: “(...) e isto quando a própria Providência concedeu ao Brasil uma paragem mais central, mais segura, mais sã e própria a ligar entre si os três grandes vales do Amazonas, do Prata e do São Francisco, nos elevados chapadões, de ares puros, de boas águas, e até de abundantes mármores, vizinhos ao triângulo formado pelas três lagoas Formosa, feia e Mestre d’Armas, das quais manam águas para o Amazonas, para o São Francisco e para o Prata”.
No intuito de confirmar seu propósito, Francisco Adolfo Varnhagen, então diplomata do Brasil em Viena, licenciou-se por seis meses e, em junto de 1877, rumou para cá, percorrendo grandes percursos em lombo de burro e também caminhando quase cinquenta quilômetros por dia, desde bem cedo, em cada manhã. Decerto, ele se viu extenuado muitas vezes, mas ainda assim prosseguia. Foi então que chegou à região que tanto procurava. Tinha ele 61 anos de idade e viria a falecer no ano seguinte, não sem antes reunir toda a sua teoria e experiências, mostrando a real necessidade da interiorização da Capital do Brasil, transferindo-a para este Planalto Central no Goiás. E ele mesmo editou, naquele ano, o seu livro A questão da Capital: marítima ou no interior?, nele registrando também o que já escrevera a respeito desde 1839.
E outro importante dado cumpre-nos recordar: em 30 de agosto de 1883, Giovanni Melchior Bosco, nosso conhecido Dom Bosco, italiano de Turim, sonhou com a fundação de Brasília. Em parte do sonho, ele viu aproximar-se um jovem com quem viajaria pela América Latina. Saíram da Venezuela, atravessaram regiões de densas matas e caudalosos rios; viajaram pela Cordilheira da America do Sul; por bosques e planícies, até que entre os paralelos 15º e 20º viram uma enseada bastante extensa que partia do ponto onde se formava um grande lago.
            Mas, afinal, o que se deu para ser Juscelino Kubitschek o construtor de Brasília? Sobre esse mesmo tema, já pelo amor a esta cidade que me acolheu, vinda de Timóteo, também terra das alterosas, escrevi para a Antologia Brasília, colunas de concreto: sustentando as bases do amanhã (2010), organizada pelas confreiras e amigas Meireluce Fernandes da Silva e Maria de Lourdes T. de Almeida Fonseca, e de lá, entre outros escritos, trago alguns dados. Bem, nosso mineiro de Diamantina, já ligado às dificuldades da vida desde bem pequeno,  órfão de pai ainda aos dois anos de idade, Juscelino Kubitschek conhecia as dificuldades e, no exemplo de sua mãe Júlia, aprendeu a lutar. Era atento e estudioso, e, neste crescer, formara-se médico, tornara-se político. E aconteceu que estava JK em comício de campanha presidencial em Jataí, solo goiano, quando um eleitor lhe perguntou se, ele, eleito, cumpriria a Constituição fazendo vir a Capital para o Planalto Central. Ousado como era, disse que sim, embora os próprios amigos não acreditassem nesse feito. Mas a história mostrou o contrário, e a transferência da Capital ocorreu em 19 de setembro de 1956, quando se estabeleceram os limites do novo Distrito Federal. As eleições de outubro de 1955 tinham dado a vitória a Juscelino, e ele assumiu o País em 31 de janeiro do ano seguinte.  E o nosso eterno presidente, em sua primeira visita ao local que hoje é Brasília, assim proferiu: “Deste planalto central, desta solidão que em breve se transformará em cérebro das altas decisões nacionais, lanço os olhos mais uma vez sobre o amanhã do meu país e antevejo esta alvorada com fé inquebrantável e uma confiança sem limites no seu grande destino”.
Assim, no dia 21 de abril de 1960, Brasília foi inaugurada, tendo o Presidente contado, na luta pelo seu ideal e pelo bem do país, com apoio de valorosos candangos e o companheirismo de Bernardo Sayão, Israel Pinheiro, Ernesto Silva, Oscar Niemeyer, Athos Bulcão, Roberto Burle Marx, entre tantos outros. Mas, bem o sabemos, Juscelino Kubitschek de Oliveira foi atingido pelo golpe militar da época e teve que se exilar na Europa. Em junho de 1964, deixou Brasília, cidade que ele amava e pela qual tanto lutara, só retornando em 1967, e, a poucos dias de completar 74 anos de idade, morreu em suspeito acidente no quilômetro 165 da Via Dutra, quando viajava de São Paulo para o Rio de Janeiro.
            Então, por todo o exposto, temos como certo que Brasília nasceu da convicção e luta de valorosos homens, vimos que ela se constitui na realização de um sonho e desejo de tantos. Por Brasília devemos, não apenas nós que estamos neste Planalto central, mas todos os brasileiros, lutar para que ela continue lembrando os reais propósitos dos que aqui depositaram sua vida, os que por este chão lutaram, tenazmente.  E, assim, receba Brasília nestes seus 57 anos, nosso amor e atenção, embora políticos e empresários desonestos a vilipendiem. A tudo sobreponham a garra e a determinação dos que por Brasília já lutaram; prevaleça sobretudo a vontade e a luta para que possa esta Capital ser o palco de boas realizações para todo o povo brasileiro.  
 
                                                                                  Brasília, 19 de abril de 2017.




Margarida Drumond de Assis é  professora, jornalista e autora de mais de uma dezena de livros editados, entre romances, poesias, biografias e outros gêneros literários. É membro da Academia Taguatinguense de Letras – ATL e da Academia de Letras e Artes do Brasil – ALMUB www.margaridadrumond.vai.la  Contato: margaridadrumond@gmail.com


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segunda-feira, 17 de abril de 2017

JESUS, CAMINHO PARA A PÁSCOA

JESUS, CAMINHO PARA A PÁSCOA
Margarida Drumond de Assis

                Ao vivermos hoje o encerramento das celebrações da Semana Santa, na qual fizemos memória da Paixão e Morte de Jesus, como a Igreja nos favorece anualmente, temos agora a oportunidade maior: celebrar a sua Ressurreição.
                Recordamos o caminho de escombros que Jesus percorreu, e esta Via Crucis do Mestre se repete hoje por causa de nossas iniquidades e omissões na luta pelo bem  de todos. Nossa cruz lhe foi posta sobre os ombros, e Jesus caminhou, tropeçou, caiu. No percurso, a Mãe dolorosa ali estava e lhe abriu os braços, mas não o pode abraçar; seguiu-o em seus passos. E Maria tornou-se para nós exemplo de coragem e amor infindável. Cirineu é levado a ajudar o Mestre, por um instante; também nós devemos estar prontos a descobrir caminhos de esperança para nosso irmão. Não podemos nos omitir. Jesus retoma a cruz, Verônica enxuga-lhe a face, e Ele se faz presente em seu lenço, como o faz hoje em seu incomensurável amor. Permanece conosco, vivo no Sacramento da comunhão, no nosso amor àquele que nos pede orientação ou ajuda fraterna. Duas vezes cai Jesus no início do calvário, e de novo, mais à frente, vai ao chão; é açoitado. Afinal, está no cimo do Monte: tiram lhe as vestes, e o seu púrpuro sangue cobre-lhe a túnica. Única. Muitas vezes também nos são arrancadas as vestes quando os opressores nos tiram o direito a uma vida digna, com saúde, educação, segurança. Com duros cravos Jesus é pregado na Cruz, e em sua divindade humana (I Pd 2,24), grita. Terá o Pai abandonado Seu Filho unigênito no crucial momento? Morto, a luz vai às trevas. Descido da cruz, o Santíssimo Cordeiro jaz agora no colo da Mãe amorosa. No túmulo posto, prossegue Jesus a Missão para a qual fora enviado: mostrar-se, por Ele próprio, sua vida e testemunho, ser o Caminho, a Verdade e a Vida. E no terceiro dia, madrugada de domingo, por nós Jesus ressurge vivo, e, glorificado, retorna ao Pai. O que foi morto, com esplendor venceu a morte e ressurgiu à vida: é a Páscoa de Jesus.
                Pela trajetória do Mestre, hoje novamente clarificada à nossa mente e coração, devemos também abraçar com fé e coragem o percurso que se nos apresenta , às vezes difícil e doloroso. Ao recordarmos que Jesus, o justo e inocente foi condenado e por grande suplício passou até chegar de novo à vida, agora vida plena, vemos a importância de nos colocarmos prontos para, com Ele e n’Ele, lutarmos por uma vida melhor para cada um de nós e para a sociedade como um todo. A unidade e o respeito entre as pessoas, assim como a fraternidade, só se tornam possíveis em presença do amor, mesmo com tropeços e dificuldades na caminhada. Para isto, devemos de fato ser irmãos uns dos outros, como filhos de um mesmo Pai que ama a todos,  indistintamente.
                Conforme os Evangelistas Mateus (24, 42-44;   25, 13), Lucas (12, 12-36) e Marcos (14, 38), em Cristo vemos que a vida não é aniquilada, mas transformada, e feliz de quem, durante o caminhar, escutou e cumpriu a palavra de Deus, tornando permanente o seu Reino de amor. Porém, tal não acontece, por exemplo, com a desigualdade de direitos; quando vemos nossas  autoridade sendo desonestas e sem ética, fazendo minar os recursos e chances de vida às pessoas; quando o erro torpe embrutece e torna pessoas capazes de roubar, matar, fazer guerra, dizimando tantas vidas.
                A glória de Deus e a sua Páscoa tornam-se presentes quando o ser humano tem como assumir com dignidade a sua vida, favorecendo o mesmo para os seus. Para bem vivermos a Páscoa, recordemos que da cruz, de onde Jesus gritou “Tudo está consumado”, vem-nos também a Verdade da Ressurreição, recordemos também o que disse o Mestre: “Eu sou o Alfa e o Ômega, e eis que faço nova todas as coisas”, e, conscientes, também nós ressurgiremos.

                                                                                                         Brasília/DF, 15 abr. Páscoa de 2017

sábado, 14 de maio de 2016

A POLÍTICA BRASILEIRA NA RODA-GIGANTE

A POLÍTICA BRASILEIRA NA RODA-GIGANTE

Margarida Drumond de Assis

O momento político por que passa o país, hoje, é mesmo o de nos colocar em alerta. Vê-se bem quanto são grandes os prejuízos sociais e econômicos enfrentados pela imensa maioria da população e quanto é instável a possibilidade de a presidente Dilma Rousseff governar o país e de o Senado e a Câmara cumprirem com suas funções pelo bem do povo.

O desemprego crescente atinge mais de onze milhões de brasileiros o que, naturalmente, leva à recessão, pois, sem dinheiro, as pessoas deixam de investir em compras e, quando o fazem, atêm-se ao necessário, optando pelo que está mais em conta; sem poder de compra, a alimentação é regrada, comprometendo a saúde. Resultado é que a pessoa se enfraquece, fica mais fragilizada  e adoece, e tal acontecendo vem a dificuldade  com o atendimento médico: faltam desde médicos, equipamentos para exames, a própria medicação e até o básico que lhe permitiria aguardar bem acomodado, enquanto se recuperasse. Faltam leitos, lençóis, tudo. E se o doente, em alta hospitalar, precisa da medicação prescrita, aí tudo se complica: não havendo como fazê-lo, a pessoa se vê sem expectativa para retomar sua vida, voltando a trabalhar e, assim, engrossa as estatísticas dos que vivem improdutivos para o país, sem trabalho, sem renda e precisando de ajuda. 

Todo esse quadro leva-nos à constatação de que vivemos um caos, e outro quadro aviltante vai se tornando claro: empresários e consumidores não vão mais aos bancos pedir empréstimo e se percebe que a demanda já há bem tempo está em queda, retraída; quem deseja comprar algo para si ou para sua família, quem sabe desejoso de um investimento em imóvel ou na reforma da casa, não o faz mais, enquanto de seu lado  os empresários, além de não investirem em maquinário novo, também reduzem o quadro de pessoal.

Esses dados dirigem nosso pensamento e atenção na direção de nossos governantes. Mas o que vemos? Executivo e Legislativo não mais se entendem, há uma intransigência incomum que impossibilita o diálogo, tudo resultando em acusações de uns contra os outros. Na Câmara e no Senado, cada vez se torna mais difícil encontrar quem não esteja ligado a um processo por corrupção, lavagem de dinheiro, envolvimento com tramoias tantas que envergonham os brasileiros que já pensam como farão para votar em 2018, se tão logo o representante assume o poder, lhe cresce a vaidade e o interesse em beneficiar a si mesmo.
No tocante à presidente Dilma Rousseff, quem não se lembra de quanto crescia a sua popularidade, desde sua posse em 2010? Batia recordes, com todo mundo orgulhoso por ver uma mulher no governo do país, a mesma que bravamente vencera as intempéries que surgiram em seu caminho, como a prisão na época da ditadura. E essa história somava-se ao valoroso projeto de bem governar o Brasil, fazendo-o crescer, dando atenção também às classes menos favorecidas.

Mas os anos se seguiram e cresceram os problemas, desestruturando planos, atravancando soluções possíveis pelo bem do povo. Cresceram as discussões por envolvimento de nossos políticos em escândalos , como os do Mensalão e da Operação Lava Jato. Dilma já não se achou mais, perdeu-se em meio aos que a rodeavam. E passamos a ver deputados e senadores utilizando o espaço onde antes se votavam leis  pelo bem da nação, agora como palco de acusações e injúrias de uns contra os outros - "Vossa excelência é um canalha!", já diziam - a maioria desfiando deslavadas desculpas alegando inocência. E vai um deputado preso, mais outro, vai um senador e mais outro, às vezes três, quatro deles de uma vez, chegando ao ponto de na Presidência da Câmara permanecer um deputado já acusado por lavagem de dinheiro, concussão e outros crimes, deputado Eduardo Cunha.
Fato é que cresceram os embates, tantos foram os casos de corrupção descobertos, e o assunto veio à tona. O governo Dilma se viu sem chance de governabilidade; passou a ser acusado de infringir a Constituição, o que, como temos visto, o impeachment lhe é ilegítimo.

E, agora, nove de maio de 2016, o que vemos é: de um lado a presidente que luta para não deixar o poder a ela conferido por milhões de eleitores. Tenta desvencilhar-se de ser empurrada para debaixo do tapete, aceitando a renúncia  de mandato - afina, ela vê os acontecimentos, as acusações que lhe impingem, como pura vingança de quem não a quer à frente do governo do país, ela uma mulher; ela vê as retaliações como algo injusto.
DE outro lado, via-se o relutante Cunha, declaradamente visto em vários processos, como alguém nocivo ao país. Porém, ele permanecia na casa, chegando a dirigir as votações do impeachment, embora protestos dos deputados que, naquele evento, antes de dizerem o "sim" ou o "não" quanto à saída da presidente Dilma Rousseff, dirigiam-se  indignados a Eduardo Cunha, acusando-o de ser indigno de ser o presidente da Câmara e da Mesa, naquela votação.                                 Os confrontos prosseguiam e a população, indignada, voltou às ruas, também dividida como deputados e senadores. Aceita-se ou não o Impeachment? Caos geral é o que resultou; brigas, prisões em meio às manifestações. E nesse mi mi mi sem conta,  a confusão prolongando-se. Ficam os projetos de interesse nacional esquecidos, sem votação. 

Felizmente, o Superior Tribunal Federal -STF se manifestou, na pessoa do ministro Teori Zavasck, fazendo ver o poder da Alta Corte: interveio como moderador, pondo fora da Câmara o deputado Eduardo Cunha, contando com apoio de toda a Corte: 11 x 0. O STF se fez esteio para que prevalecesse o Estado democrático de direito, impôs limites à bagunça que se via e envergonhava o país.

Mas a situação não está resolvida, há indecisões no cenário, tanto no tocante à saída da presidente, pelo prazo de 180 dias, enquanto o Supremo decide sobre o julgamento final do impeachment quanto a Câmara decide  se assume  o vice Waldir Maranhão ou se escolhem um novo presidente.

Enquanto isso vemos o vice de Dilma, Michel Temer, correr para montar seu possível governo, até já anunciando mudanças, como a redução no número de pastas no Ministério, parecendo ter como certo que continuará ele na Presidência foi Brasil, caso assuma com o afastamento da Presidente, pela votação do Senado, neste dia 11 de maio. E nos perguntamos se ela, caso afastada, terá como reunir forças políticas que lhe favoreçam retornar ao poder. 

Uma coisa fica-nos clara: toda essa turbulência, tantos desajustes como os que temos visto - á noite dormimos com um cenário e ao acordarmos temos outro - devem nos servir de sinal para melhor escolhermos nossos representantes nos próximos pleitos. Não podemos mais nos sujeitar  a um clima de insatisfação e até mesmo de desespero em meio a tanta corrupção, tantas mentiras, fazendo aumentar a tensão da população que vive em sofrimento, à revelia de uma competente  assistência à Saúde, à Educação, à Segurança... tudo emperrando o desenvolvimento da nação e o bem-estar das pessoas.


Margarida Drumond de Assis é escritora, jornalista e professora em Brasília; membro da Academia de Letras e Música de Brasília - ALMUB e da Associação Nacional de Escritores – ANE.