Eu conto pra você (Décima Parte)
Encontrar Jesus e
encontrar o irmão
No último
encontro, eu lhe falava sobre a presença real de Jesus ente nós, presença d’Ele
mesmo, nas espécies do pão e do vinho, no altar eucarístico. E então vimos que
para viver uma experiência de encontro com Jesus é preciso coragem e fé, tendo
Maria como modelo. Afinal, no Sim que ela disse ao Anjo Gabriel quando ele lhe
dizia que fora ela a escolhida para Mãe do Salvador, portanto “Cheia de Graça”,
tornou-se imediatamente tempo do próprio Deus e Jesus habitou nela.
Hoje, convido
você a refletir comigo sobre quantas vezes perdemos oportunidade de estar
diante de Jesus no Sacrário, em momentos de Adoração. No entanto, basta
procurarmos o Santíssimo na capela e nos deixarmos por uns momentos pertinho
d’Ele, ali, real, sempre a nos esperar.
Em nosso dia a dia, tão cheio de compromissos, mal conseguimos parar,
para a oração, à noite; entretanto, como é grande a alegria interior que
sentimos quando nos permitimos um tempinho diante de Jesus!
Trago um dos
depoimentos que ouvi para escrever Dom
Luciano, especial dom de Deus, pág. 47, parte do que disse o Prof. Afonso
Liguori, na época meu colega na Universidade Católica de Brasília, e que teve a
felicidade de conviver com Dom Luciano Mendes de Almeida no Pontifício Colégio
Pio Brasileiro, em Roma. Dom Luciano lá se encontrava, no início de seu
sacerdócio. Disse o Prof. Liguori: “O Padre Mendes era, em primeiro lugar, o
maior exemplo que nós temos de um homem de oração. Não me esqueço de quantas
vezes eu e meus colegas de seminário, passando em frente à porta da nossa
capela, encontrávamos uma pessoa normalmente vestida de sotaina preta – todos nós vestíamos batina
naquela época - rezando horas a fio, durante o dia, depois do almoço e, por que
não dizer, à noite, às dez horas ou mais (...)”.
É na vivência
da oração e da adoração a Jesus eucarístico que encontramos força para uma vida
mais próxima do que Deus quer de nós, e, se assim fazemos, também nós servimos
de exemplo para quem está ao nosso lado. Foi esse o testemunho de vida de dona
Emília Mendes para os filhos, no qual se espelhou Dom Luciano. Em um dos
escritos dele, falando de sua mãe, Dom Luciano disse que “em Deus, ela
encontrava as energias para devotar-se não só à família, mas às necessidades
espirituais e materiais do próximo. Subia a encosta da favela e entrava em
contato com a miséria, de modo tão discreto, que muitas vezes nem percebíamos.” Em sua humildade,
dona Emília Mendes foi catequista nas favelas do Rio de Janeiro, por 50 anos,
conforme registrei, na Parte II e Dom
Luciano, especial dom de Deus.
Uma vivência,
como a de dona Emília e do filho que nela se espelhou para dedicar-se à Igreja
numa vida “em nome de Jesus”, confere com as palavras de dom Luciano num dos
retiros para os presbíteros da Arquidiocese de Mariana, em 1988, ano em que
assumiu aquela arquidiocese. Ele citou as palavras de Paulo aos Filipenses
sobre Jesus: “Sendo Ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade
com Deus”. E então Dom Luciano lembrou que viver em nome de Jesus “é mostrar,
pela presença, que você ama! Assim fez Jesus”. E citou o nascimento do Mestre
“pobre com os pobres – sem dinheiro para hotel. Jesus quis não ter”. Pontuou
também as passagens de Jesus com os pescadores; Jesus e o sofrimento do
estrangeiro; Jesus lavando os pés dos outros, e muitos outros exemplos conforme
relatado na pág. 532.
Para você o abraço fraterno da Margarida Drumond de Assis. (Para 28.062011).
e-mail: margaridadrumond@gmail.com
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