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sábado, 12 de dezembro de 2015

EU CONTO PRA VOCÊ (QUARTA PARTE)

EU CONTO PRA VOCÊ ( QUARTA PARTE)

Dois servos de Deus em Mariana

“Não vim para ser servido, mas para servir. Jesus serviu ávida inteira e eu venho para servir, em nomes de Jesus (...)”.

            Eu conto pra você, hoje, um pouco mais sobre Dom Luciano Mendes de Almeida, a partir de meu livro Dom Luciano, especial dom de Deus, mas também sobre Padre Antônio Ribeiro Pinto, de quem há dois meses fiz a 5a edição do livro Padre Antônio de Urucânia, a sua bênção. Começo com o fragmento das palavras dele, por ocasião da posse como Arcebispo da Arquidiocese de Mariana, em 1988, após os doze anos como Bispo Auxiliar em São Paulo. E, para falar de Dom Luciano - servo, trago os Encontros da Província Eclesiástica de Mariana – EPEM’s, que passaram a acontecer regularmente a partir de 1989. Ocorriam em revezamento com as dioceses sufragâneas de Itabira - Cel. Fabriciano, Governador Valadares e Caratinga.


            Em todas as atividades de Dom Luciano, fosse um retiro, um encontro da juventude, com a família, presbíteros ou nesses encontros com os bispos e demais representantes da Província, Dom Luciano sempre deixava claro quanto é importante ajudarmos o mais necessitado. Em Dom Luciano, especial dom de Deus, são inúmeros os exemplos nesse sentido e que comprovam a vivência dele, conforme o seu lema episcopal, “em nome de Jesus” .

          Em um dos EPEM’s, em Ponte Nova, ao chegar a hora do almoço, estando à porta um grupo de crianças, para lá se dirigiu Dom Luciano, servindo-as, antes mesmo de ele próprio servir-se com os do clero. Primeiro estava sempre o outro (...). De outra feita, num encontro para 80 participantes, mas no final havendo em torno de 100, outro exemplo se viu: faltando comida para tanta gente, foi Dom Luciano mesmo para a cozinha ajudar. Depois, ele foi visto comendo biscoito de água e sal. Disse: “é preciso primeiro servir o irmão, ver se nada lhe está faltando. Depois, a gente se serve do que for possível”.

       De seus 16 anos na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, como Secretário Geral e Presidente, também trago um exemplo. Aconteceu que, certa vez, Dom Luciano acolheu no quarto dele um dos bispos – a casa estava cheia – e ele cedera o melhor leito ao visitante. Este, porém discordou e se pôs no leito menos confortável. De nada adiantou. Disse-lhe Dom Luciano: “meu irmão, eu estou aqui há 16 anos, posso me acomodar em qualquer lugar. Fique tranquilo, eu estou bem”, e foi para a cama junto à porta.

        Pe. Lauro Versiani, reitor do Seminário de Teologia, em Mariana, em um de seus depoimentos contou que muito via Dom Luciano ora ajudando a um pobre, acudindo a um doente, a um e outro membro do clero; atendia a todos, fosse de sua Arquidiocese ou não. “Nós, os sacerdotes, os pastores, devíamos formar o Sindicato dos lavadores de pés”, dizia o Arcebispo jesuíta.

           E Paulo Isaias, presidente do Grupo de Integração Social - GIS, em Mariana, narrou  sobre um lava-pés, literalmente falando, naquela cidade: Havia um senhor de nome João, que vinha de São Paulo para Mariana, atrás de Dom Luciano, de quem dizia: “meu pai é Dom Luciano”. Em certa noite, procurou-o, e então o arcebispo pediu ao Paulo que tomasse as primeiras providências. E já bem cedo, ambos estavam diante de Dom Luciano que, vendo o homem já vestido mas descalço e com os pés inchados, pediu que lhe comprasse calçado, além de uma bolsa. Mas não estava fácil achar um calçado adequado. “Dom Luciano se retirou e daí a pouco chegou com um par de sapatos que ganhara de um irmão dele, mas que nunca usara.(...). Ele se abaixou e, com um algodão, limpou as feridas nos pés do João, pondo-lhe meia e sapato”. Assim era Dom Luciano: servo, irmão, pai, um especial dom de Deus (ASSIS, 2010, p. 497 – 498).

        É também da Arquidiocese de Mariana outro importante nome da Igreja do Brasil, nome que foi projetado para todo o estado de Minas, para o país inteiro e para o mundo: Padre. Antônio Ribeiro Pinto, santo sacerdote de quem lhe falo a partir do meu livro Padre Antônio de Urucânia, a sua bênção. Conforme disse Pe. Francisco Vidal, pároco da catedral de Governador Valadares, em janeiro de 2006 quando do lançamento, lá, “Deus operou muitos milagres por intercessão de padre. Antônio, que incentivava a devoção a Nossa Senhora das Graças e à Medalha Milagrosa”.

        Também trago um depoimento de Manuel Miranda, de Rio Piracicaba/MG, sobre graça alcançada, à época em que o corpo de Pe. Antônio ainda jazia no cemitério de Urucânia e não no Santuário Nossa Senhora das Graças. Em 1970, a filha de nome Elisa, tinha seis meses de idade e sofria fortes problemas intestinais. Levou a pequena à campa de Pe. Antônio, deixando-a ali por 40 minutos, enquanto ele e a esposa rezavam. Pouco depois, em casa,  constatou que a filha, há muito doente, já estava curada (ASSIS, 2010, p. 167).

           São incontáveis os depoimentos de bênçãos e curas alcançadas na intercessão de Pe. Antônio que, ainda hoje, continua a velar junto de Deus por todos que a ele recorrem. Disse Dom Luciano, no Prefácio da 1a edição do livro em 2004: “Sempre que celebro em Urucânia com o povo, elevo a Deus e a  Nossa Senhora o agradecimento pelo bem que até hoje a vida e a intercessão de Pe. Antônio fazem a todos nós (...)”.
            
            São, pois, Dom Luciano, especial dom de Deus e Padre Antônio de Urucânia, a sua bênção, leituras sobre dois servos de Deus. Aqui viveram no testemunho do amor do Pai por nós. Dom Luciano e Padre Antônio de Urucânia nos ensinaram que tudo devemos fazer para servir o irmão, permitindo-lhe aproximar-se mais de Deus e de Maria.

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