Eu conto pra você (Terceira Parte)
Dom Luciano, especial dom de Deus
“Jesus subiu a
montanha e chamou os que ele quis, e foram a ele. Ele constituiu então doze
para que ficassem com ele e para que os enviasse a anunciar a Boa Nova”.
Com este pensamento do Evangelho de
São Marcos, 3, 13 -14, é que inicio hoje o “Vivendo nossa fé”, lembrando que
anualmente os pastores de toda a Igreja, no Brasil, dispõem-se em Assembleia
Geral, em Aparecida/SP, sob a presidência da Conferência Nacional dos Bispos do
Brasil, a CNBB, agora sob a presidência de Dom Raymundo Damasceno Assis.
Com alegria, partilho com você o
lançamento que fiz, maio de 2011, nesse relevante encontro dos bispos, do livro
Dom Luciano, especial dom de Deus, sobre
oarcebispo Dom Luciano Mendes de Almeida, ele que, por 59 anos, dedicou sua
vida ao serviço da Igreja, em prol do irmão, especialmente os mais
necessitados. Destes anos, dezesseis foram diretamente na Conferência Nacional
dos Bispos do Brasil, oito anos como Secretário Geral e outros oito na
Presidência.
Dom Luciano mesmo dissera não ter
vindo para ser servido, deixando clara a sua observância ao ensinamento do
Mestre, quando da última Ceia com os doze. E, no dia de sua posse na
Arquidiocese de Mariana, 28 de maio de 1988, ele enfatizou: “eu venho para
servir, em nome de Jesus, e com as suas predileções, a criança, o pobre, o
doente, o abandonado, o aflito, para que tenham vida em nome de Jesus”. E, como
os nossos pastores, sempre se encontrando pelo bem da Igreja, no seu amor a
Maria, Estrela da Evangelização e primeira discípula, Dom Luciano frisou: “Como
Maria – ela é modelo deste serviço, modelo de uma fé inabalável, de uma
confiança que modelou toda a nossa confiança sob a ação do Espírito (In:
Epígrafe do livro, p. 9).
É por esse apaixonamento pela Boa
Nova de Jesus, no desejo de que se instaure aqui o Reino de fraternidade, cada
vez com mais responsabilidade e dedicação que os bispos do Brasil se reúnem.
Foi com essa mesma alegria e responsabilidade com que eles se debruçam sobre as
ações da Igreja, sobre os documentos dela – olhos atentos às necessidades de
possíveis adaptações à realidade do povo e da Igreja – que Dom Luciano dirigiu
os destinos da CNBB, coordenando ações, iniciativas diversas pelo bem de todos:
dos pastores e dos fiéis.
Ele era Secretário Geral, em 1979,
quando, por iniciativa da 18ª Assembleia Geral, encaminhou correspondência ao
Ministro da Previdência e Assistência Social, Dr. Jair Soares, em
reconhecimento pela atuação em benefício da inclusão do clero e religiosos no
sistema nacional (p. 316). Também deu atenção à “Lei dos Estrangeiros”, quando,
no ano de 1981, encaminhou, em nome da CNBB e da Comissão Nacional de Justiça e
Paz, carta ao Ministro da Justiça, sugerindo novos estudos quanto a alterações
a serem introduzidas como “valores imprescindíveis para um adequado Estatuto
dos Estrangeiros” (p.317). E o trabalho dele em prol dos padres franceses,
pelos quais ele tanto lutou e sofreu, vendo injustiças acontecerem? São de fato
inúmeras as ações que pude registrar da vida de Dom Luciano Mendes de Almeida,
em favor da Igreja e do povo, com carinho especial priorizando os mais pobres.
Os depoimentos que ouvi de leigos, sacerdotes, religiosos e religiosas, de
bispos concedendo-me entrevistas aqui no Brasil, na Colômbia e na Itália
comprovam o grande amor de Dom Luciano para com a Igreja e para com o outro.
Hoje ainda enfatizo, sobre a CNBB, o
que disse o Santo Padre João Paulo II, cuja festa de Beatificação foi em maio
do ano passado: “Não posso esquecer o caráter quase pioneiro desta Conferência
(...), uma das primeiras do mundo a se constituir, muito antes que o Concílio
Vaticano II pusesse em nova luz a doutrina da colegialidade episcopal e
preconizasse justamente as Conferências Episcopais, como expressão peculiar e
órgão particularmente apropriado dessa colegialidade (...)” (p. 332).
Neste encerrar da crônica de hoje,
ainda recordo a abertura na Assembleia de 2011, por iniciativa do então
presidente Dom Geraldo Lyrio Rocha, dos trabalhos para a causa da Beatificação
de Dom Luciano Mendes de Almeida. Iniciativa feliz, pela qual todos devemos
estar juntos em orações.
Para
você, o meu abraço.
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